Sabe aquele sentimento de rever um anime da infância e perceber que, embora a história seja genial, a animação parece ter sido feita num PC de torradeira? Pois é, a nostalgia é um negócio perigoso. A gente cresce amando Naruto, Dragon Ball ou Pokémon, e esses títulos abrem as portas para esse universo absurdo, mas nem tudo que é antigo é perfeito. Tem série que a gente binge-watchou num momento vulnerável da vida, como Neon Genesis Evangelion ou Cowboy Bebop, e que deixaram uma marca eterna, mas que hoje, com a tecnologia atual, poderiam estar em outro patamar de qualidade.
O ponto aqui não é querer apagar o passado, porque a gente respeita os pioneiros, mas tem obra que simplesmente foi mal adaptada ou ficou datada demais. Não estou falando de coisas que já são perfeitas, tipo Steins;Gate ou a vibe atemporal de Mob Psycho 100, que não mexeriam em nada. Estou falando daquelas joias brutas que foram lapidadas do jeito errado pelos estúdios e que, se ganhassem um tratamento moderno, com 60fps e um design de personagens fiel ao mangá, virariam hit instantâneo nas plataformas de streaming como a Netflix ou a Crunchyroll. Se liga nessa lista de quem merece um reboot agora mesmo.

Cara, falar de Tokyo Ghoul é falar de um dos maiores desperdícios da história recente dos animes. O mangá do Sui Ishida é uma obra-prima do horror psicológico, com um traço visceral e simbologias que explodem a cabeça. Só que quando chegou no Studio Pierrot, a coisa virou outra. A primeira temporada até que engatou, mas aí veio o Root A, que simplesmente jogou a história no lixo para tentar criar algo original, e a sequência Tokyo Ghoul: re só piorou a situação. O ritmo ficou atropelado e a animação não conseguiu passar nem 10% da angústia do Ken Kaneki.
Um remake aqui teria que jogar o roteiro anterior fora e seguir a risca o material original. Imaginem a metamorfose do Ken Kaneki com a fluidez de animação dos animes modernos de alto orçamento? A história é uma alegoria pesadíssima sobre corrupção sistêmica e ódio cíclico, e não apenas um cara que come gente. Para fazer justiça a isso, seria necessário um estudo profundo do trauma dos personagens, transformando a série em algo muito mais denso e menos superficial do que foi entregue na época.

Aqui a situação é mais complexa, porque o anime de Soul Eater tem um estilo visual gótico e único que é difícil de replicar. O Studio Bones mandou bem na atmosfera e a trilha sonora, misturando jazz com hip-hop, é simplesmente sensacional. O problema é que, conforme a série avançava, ela se afastou completamente do mangá do Atsushi Okubo, culminando num final apressado que deixou todo mundo com cara de tacho. Foi aquele clássico caso de anime que começou a ser produzido antes do mangá acabar e a produção decidiu inventar seu próprio final.
O argumento para um remake aqui é o mesmo que justificou a existência de Fullmetal Alchemist: Brotherhood. A primeira versão tem seu charme, mas a versão Brotherhood é a definitiva porque respeita a obra original. Um novo Soul Eater poderia corrigir as motivações rasas dos personagens e explorar todo o lore que ficou de fora, permitindo que o crescimento do elenco florescesse sem as amarras de um roteiro improvisado. Seria a chance perfeita de apresentar esse universo maluco para a nova geração de fãs.

Claymore é aquele tipo de dark fantasy que faz qualquer um gostar de espadas gigantes e monstros grotescos. O mangá do Norihiro Yagi entrega personagens femininas complexas, táticas de guerra brutais e uma tensão psicológica constante. A premissa de híbridos humano-Yoma caçando monstros em uma ilha medieval é ouro puro. O problema? O anime da Madhouse, apesar de ter começo promissor, cobriu apenas os primeiros 11 volumes do mangá e inventou um final non-canon que não serve para nada.
Quem assistiu apenas ao anime perdeu as melhores partes da história, incluindo a Northern Campaign e a conclusão épica. Um remake precisaria de muito mais episódios para cobrir a jornada completa das guerreiras. Ver as transformações e a evolução do poder das Claymores com a tecnologia de animação atual seria um espetáculo visual. É inadmissível que uma obra desse calibre tenha sido nerfada por um final apressado e sem sentido.

Se tem um nome que causa trauma nos fãs de anime, esse nome é Berserk. O mangá do mestre Kentaro Miura é possivelmente a obra de arte mais detalhada já feita, mas as adaptações em anime são um desastre. A versão de 1997 é icônica, mas curta demais. Já a versão de 2016 foi um flop monumental, com um CGI que parecia feito no Paint e animações que davam vontade de chorar. Ver o Guts lutando contra hordas de monstros com aquele visual engessado foi um crime contra a humanidade.
Um remake de Berserk não é apenas um desejo, é uma necessidade. Precisamos de um estúdio que entenda a escala do Eclipse e a brutalidade do mundo onde o Guts vive. Com a tecnologia de renderização atual, daria para criar cenários colossais e lutas viscerais que fariam jus ao traço do Miura. Seria a oportunidade de transformar a série em um marco da indústria, corrigindo a mancha deixada por aquelas tentativas fracassadas de 3D.

Para fechar a lista, temos Gantz, uma obra que mistura ficção científica, horror e crítica social de um jeito bem perturbador. O conceito de pessoas mortas sendo forçadas a caçar alienígenas em troca de pontos é genial, mas a adaptação em anime sofreu absurdamente com o CGI da época, que era horroroso e tirava toda a imersão da história. A brutalidade do mangá e o design dos alienígenas simplesmente não traduziram bem para a tela naquela época.
Hoje em dia, com a evolução dos efeitos visuais e a capacidade de criar cenários urbanos hiper-realistas, Gantz poderia ser transformado em uma série visceral e impactante. A tensão de não saber quem vai morrer a qualquer momento e a bizarrice das armas tecnológicas dariam um show de entretenimento. É o tipo de conteúdo que se encaixaria perfeitamente em um catálogo de Notícias sobre animes adultos, atraindo um público que busca algo mais pesado e menos clichê.
Olhando para tudo isso, fica claro que a indústria de animes está em uma fase de ouro, mas que muitas vezes esquece de olhar para trás e consertar o que foi quebrado. Não se trata de nostalgia cega, mas de dar a essas histórias a dignidade que elas merecem. Ver essas obras sendo reinventadas com a qualidade de produções como Demon Slayer ou Jujutsu Kaisen seria a realização de um sonho para qualquer otaku veterano.
No fim das contas, quem ganha é o público. Ter acesso a versões definitivas de clássicos permite que novas pessoas conheçam essas histórias sem serem afastadas por animações ruins ou finais inventados. Esperamos que os estúdios parem de apostar apenas em isekais genéricos e olhem para esses tesouros que só precisam de um novo sopro de vida para dominarem o mundo novamente.



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