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A Decepção de The Guild: Europa 1410 e a Espera por um Life Sim de Respeito

Sabe aquele sentimento de esperar décadas por algo que você ama, acreditar no hype e, no fim, receber um produto que parece ter sido feito com pressa e sem alma? É exatamente assim que me sinto agora. Para quem não conhece, eu sou fascinado por simuladores de vida que não sejam apenas 'bonitinhos'. Eu gosto do lado sujo, da política, da gestão econômica pesada e daquela sensação de começar do nada para dominar uma cidade inteira na Idade Média.

Meu porto seguro sempre foi The Guild 2, aquele diamante bruto lançado lá em 2006 que misturava gestão, RPG e simulação de vida de um jeito único. O jogo era o puro suco do eurojank: extremamente ambicioso, mas com uma otimização questionável e menus que pareciam labirintos. Ainda assim, a liberdade de ser desde um taverneiro medíocre até um lorde poderoso que mudava o rumo da história era algo que nenhum jogo moderno conseguiu replicar com a mesma profundidade.

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O problema começou quando a THQ Nordic resolveu mexer com a franquia mais recentemente. Em 2017, tivemos a promessa de The Guild 3, que chegou em acesso antecipado na Steam com toda a pompa do mundo. No começo, achei que finalmente teria meu sucessor espiritual, mas a realidade foi um balde de água fria. O jogo era vazio, as relações entre os personagens eram superficiais e a economia, que deveria ser o coração da experiência, era completamente quebrada e sem dinamismo.

Para piorar, o desenvolvimento de The Guild 3 foi um caos total. A data de lançamento era empurrada para frente a cada esquina, promessas de funcionalidades nunca foram cumpridas e a desenvolvedora original, a GolemLabs, acabou sendo chutada para dar lugar à Purple Lamp. O jogo até saiu do acesso antecipado em 2022, mas saiu incompleto, como se tivessem desistido de tentar salvar o que restava daquela carcaça de simulador.

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Agora, surge no horizonte The Guild: Europa 1410. À primeira vista, o nome sugere um retorno às raízes, inspirado no primeiríssimo jogo da série. Mas aqui está a pegadinha: ele é inspirado na versão do jogo *antes* de ele se tornar um híbrido de life sim e RPG. Ou seja, a THQ Nordic decidiu ignorar justamente a parte que tornou a série cultuada por tantos anos, transformando a experiência em algo muito mais seco e limitado.

Ao colocar a mão na massa, percebi que The Guild: Europa 1410 é, basicamente, um amontoado de menus sem graça e notificações repetitivas que não levantam qualquer interesse. Você tecnicamente controla uma pessoa e a cabeça de uma dinastia, mas não há interação real com o mundo. É tudo feito através de cliques em janelas abstratas, o que tira completamente a imersão de estar vivendo em uma cidade medieval vibrante.

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O nível de falta de cuidado é absurdo: você sequer pode dar nome ao seu personagem, aos seus familiares ou ao seu negócio. O jogo simplesmente decide que você é o Jan Hirschfeld, dono de uma taverna chamada The Fat Goose na cidade de Kuttenberg. Sim, a mesma Kuttenberg que vimos em Kingdom Come: Deliverance 2, mas enquanto naquele jogo a cidade é viva, aqui ela é apenas um pano de fundo para você mover ingredientes de um menu para outro.

A gameplay loop é agonizante. Durante 17 dias — onde cada dia, por algum motivo bizarro, conta como uma estação do ano — sua única tarefa é gerenciar estoques em telas estáticas. Cadê a política? Cadê a trapaça? Cadê a sensação de construir um império familiar através de gerações? Tudo isso foi nerfado ou simplesmente removido para dar lugar a um simulador econômico genérico que não empolga ninguém.

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Vivemos em uma era onde os 'cozy games' como Animal Crossing dominam o mercado, e eu não tenho nada contra isso, mas existe um público carente de jogos densos, complexos e historicamente inspirados. Eu queria algo que falasse sobre a ascensão da revolução industrial ou a podridão de monarcas terríveis, e não um jogo que me obriga a ser um burocrata de taverna sem nome e sem vontade própria.

É triste ver como a THQ Nordic parece não entender o que os fãs de The Guild realmente querem. Eles pegaram uma fórmula que era imperfeita, mas apaixonante, e a transformaram em algo tecnicamente funcional, porém completamente morto. Para quem busca um simulador de vida medieval com profundidade, The Guild: Europa 1410 é mais um flop que prova que a nostalgia, sozinha, não sustenta um jogo ruim.

No fim das contas, fico com a minha cópia velha de The Guild 2 no PC. Prefiro lidar com os bugs e a interface datada de 20 anos atrás do que aceitar essa versão higienizada e sem graça de 2026. A indústria precisa parar de entregar 'experiências simplificadas' para quem gosta de complexidade. Se você quer um simulador de menus, abra uma planilha de Excel; se quer um jogo, procure algo que realmente te faça sentir parte do mundo.

Meu veredito é simples: não se deixem enganar pelo nome ou pela promessa de retorno às origens. The Guild: Europa 1410 falha miseravelmente em capturar a essência da série e entrega uma experiência rasa que insulta a inteligência do jogador veterano. É hora de aceitar que, talvez, a era dos grandes life sims medievais tenha acabado junto com o charme do eurojank.

Links Úteis

* The Guild: Europa 1410 na Steam

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