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A Noia do Gamer: Passei 200 Horas Jogando Elden Ring do Jeito Errado

Sabe aquele sentimento de entrar em um jogo com todo o hype do mundo, mas sentir que está batendo a cabeça na parede por horas? Pois é, foi exatamente isso que aconteceu quando dei o primeiro passo nas Terras Intermédias no dia do lançamento de Elden Ring em 2022. Para quem nunca encostou em um título da FromSoftware, a sensação é de que você foi jogado em um liquidificador de dificuldade, onde cada esquina esconde um bicho que quer te deletar do mapa em dois segundos.

O problema é que eu não sabia onde estava me metendo. Em vez de abraçar o caos e a exploração que o jogo propõe, eu deixei que a minha própria expectativa e um monte de suposições erradas guiassem meu controle. O resultado foi um desastre completo: passei dois anos e mais de 200 horas jogando o game da pior forma possível, transformando o que deveria ser uma jornada épica em um exercício de estresse puro.

Imagem Cena de I played <strong>Elden Ring</strong> 1

A real é que eu tratei Elden Ring como se fosse um checklist rígido, tentando forçar um progresso linear em um mundo que grita para você se perder. Eu tinha esse medo constante de estar fazendo algo errado ou de pegar um caminho que fosse "difícil demais", o que me levou a evitar áreas inteiras ou a gastar horas em um grind desnecessário, tentando subir de nível apenas para me sentir seguro, quando na verdade o jogo queria que eu aprendesse a esquivar e a ler os padrões dos chefes.

Seja jogando no PS5, Xbox Series X ou no PC, a experiência de um Soulslike é sobre tentativa e erro, mas eu transformei o \"erro\" em minha zona de conforto. Eu ficava preso em loops de pensamento, achando que precisava de uma arma específica ou de um nível de vigor absurdo antes mesmo de tentar enfrentar um boss, o que acabou tirando toda a graça da descoberta orgânica que torna esse título tão especial.

Imagem Cena de I played <strong>Elden Ring</strong> 2

Essa mentalidade de \"jogar do jeito certo\" é a maior armadilha para quem começa agora. Eu ignorava as dicas sutis do ambiente e me prendia a guias externos que, em vez de ajudar, me davam a resposta pronta, matando qualquer sensação de conquista. É bizarro pensar que eu investi centenas de horas em uma plataforma como a Steam para, no fim das contas, estar lutando contra a própria mecânica do jogo em vez de fluir com ela.

O mais surreal de tudo é que, mesmo depois de todo esse tempo e dedicação torturante, eu ainda não terminei a história principal. Eu me perdi tanto nas minhas próprias neuroses e na tentativa de não \"flopar\" na gameplay que acabei criando uma barreira mental. O jogo deixou de ser um desafio divertido para se tornar uma obrigação carregada de culpa, onde cada morte não era um aprendizado, mas sim a prova de que eu ainda estava jogando \"do jeito errado\".

Imagem Cena de I played <strong>Elden Ring</strong> 3

Quando você olha para a magnitude da obra da FromSoftware, percebe que o design é feito para que você falhe e tente de novo. O problema acontece quando a gente tenta hackear esse sistema mentalmente, tentando evitar a frustração a todo custo. No final, essa tentativa de evitar o sofrimento acabou prolongando a minha agonia por dois anos inteiros, me fazendo ignorar a beleza da exploração descompromissada.

Para quem está começando agora ou quer voltar a jogar em consoles como PlayStation, o conselho é simples: manda a expectativa para aquele lugar. Não tente jogar perfeitamente. Aceite que você vai morrer para um guarda de estrada comum e que isso faz parte da experiência. O verdadeiro buff em Elden Ring não vem dos itens ou dos níveis, mas sim da paciência e da disposição de ser humilhado pelo jogo até que você finalmente entenda a lógica do combate.

Imagem Cena de I played <strong>Elden Ring</strong> 4

Olhando para trás, vejo que essas 200 horas não foram desperdiçadas, mas foram vividas sob uma lente de medo. Aprendi que a maior dificuldade de Elden Ring não são os chefes com ataques de área gigantescos, mas sim a nossa própria cabeça tentando controlar um jogo que foi feito para nos tirar do controle. A libertação vem no momento em que você para de se perguntar se está jogando certo e apenas começa a jogar.

Agora, o objetivo é limpar esse backlog com a mentalidade correta. Vou parar de seguir roteiros engessados e vou deixar que a curiosidade me guie, mesmo que isso signifique morrer mais algumas centenas de vezes. Afinal, a única maneira de realmente vencer em um mundo tão hostil é parar de ter medo de falhar e aceitar que o caminho tortuoso é, na verdade, a melhor parte da viagem.

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