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A triste razão por que a Rockstar Games matou a série Midnight Club

Sabe aquele sentimento de nostalgia que bate quando a gente lembra de jogos que eram animais, mas que simplesmente sumiram do mapa sem explicação? Pois é, eu vivo me pegando pensando no que diabos aconteceu com Midnight Club. Para quem não viveu ou esqueceu, essa era a série de corridas de rua arcade da Rockstar Games que entregava tudo: velocidade absurda, customização pesada e aquela vibe urbana que deixava qualquer um hipnotizado na frente da TV.

O problema é que, enquanto a gente esperava por novas entradas, a série foi entrando em coma até morrer oficialmente. O último suspiro foi Midnight Club: Los Angeles, lançado em 2008, que apesar de ter sido muito bem recebido pela crítica e pela galera, parece ter sido jogado num buraco negro. A gente ficou anos tentando entender se a Rockstar Games tinha esquecido que sabia fazer jogos de corrida ou se tinha desistido da ideia completamente.

Recentemente, o ex-designer da empresa, Kris Roberts, resolveu abrir o jogo em uma entrevista e soltou a bomba. Ele contou que a situação nos bastidores era bem complicada, com prazos perdidos e um conflito interno bizarro entre o estúdio de Nova York e o de San Diego, onde o jogo era desenvolvido. Mas o verdadeiro vilão da história, o elefante na sala, era óbvio demais: Grand Theft Auto.

Imagem Cena de  Rockstars great Midnight 1

Segundo o Roberts, a percepção da cúpula da empresa era de que Midnight Club nunca alcançaria o nível de aclamação ou o retorno financeiro de um GTA. Ele usou um termo bem pesado, dizendo que o projeto era tratado como o "filho indesejado". Imagina você entregar um trabalho de nível mundial, com qualidade técnica impecável, mas ainda assim ser olhado de cima porque você não é o "carro-chefe" da casa. É o tipo de coisa que destrói a moral de qualquer equipe de desenvolvimento.

Para piorar a situação, a Rockstar Games começou a negligenciar as plataformas. Muita gente, inclusive eu, curtiu demais o Midnight Club 2 no PC, mas depois disso a empresa simplesmente parou de lançar a série para computadores, focando apenas nos consoles. Esse movimento já era um sinal claro de que a franquia estava sendo deixada de lado enquanto o hype em torno do mundo aberto de crime organizado só crescia.

Imagem Cena de  Rockstars great Midnight 2

O golpe de misericórdia aconteceu justamente em 2008, o mesmo ano em que Grand Theft Auto IV chegou atropelando tudo. Se alguém ainda tinha dúvida sobre onde estava o futuro da empresa, o sucesso estrondoso do GTA IV matou qualquer discussão. A Rockstar Games percebeu que não precisava de um jogo de corrida dedicado quando podia simplesmente colocar mecânicas de direção dentro do seu sandbox gigante e lucrar bilhões com isso.

Imagem Cena de  Rockstars great Midnight 3

Roberts revelou ainda que, quando ele saiu da empresa em 2010, o estúdio de San Diego ainda estava tentando trabalhar em um novo Midnight Club, mas o projeto foi cancelado logo em seguida. Ficou claro que a estratégia agora era "tudo para GTA e the gangue". Foi um movimento puramente corporativo e frio, onde a diversidade de gêneros da empresa foi sacrificada no altar do lucro massivo.

Essa mentalidade não é exclusividade da Rockstar, mas sim da sua dona, a Take-Two Interactive. O CEO Strauss Zelnick já deixou bem claro que a empresa não está interessada em projetos de "cauda longa", ou seja, jogos que vendem bem mas não são fenômenos globais. Eles querem apenas os "top ten hits". Em um ambiente assim, ser um jogo "muito bom" é a mesma coisa que ser um flop, porque se você não for o maior sucesso do ano, você é descartável.

Imagem Cena de  Rockstars great Midnight 4

Olhando para trás, é triste ver como a indústria se tornou refém desses blockbusters. Perder uma série como Midnight Club deixou um vazio imenso para quem gosta de corrida arcade pura, sem a chatice de simuladores extremamente complexos. A gente acaba aceitando as migalhas de jogos de corrida genéricos porque a Rockstar Games decidiu que era lucrativo demais para arriscar qualquer outra coisa.

No fim das contas, a história de Midnight Club serve como um aviso: no mundo dos games AAA, a qualidade técnica muitas vezes perde para a planilha de Excel. É revoltante saber que existia um novo jogo em desenvolvimento que nunca viu a luz do dia só porque não tinha o nome de Grand Theft Auto na capa. Ficamos aqui, na saudade, esperando que algum dia a empresa mude de ideia ou que surja um sucessor espiritual que resgate essa essência.

Meu veredito é simples: a Rockstar Games ganhou bilhões, mas a comunidade perdeu uma identidade única. Transformar a empresa em uma fábrica de um único produto pode render dinheiro, mas mata a alma criativa que fez a gente amar esses estúdios nos anos 2000. Agora é só esperar pelo GTA VI e torcer para que, pelo menos, a direção dos carros não tenha sido nerfada.

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