Mano, vamos falar a verdade: a indústria do entretenimento está obcecada em desenterrar tudo que foi bom nos anos 80 para tentar lucrar de novo. Mas quando o assunto é RoboCop, a gente entra em um terreno perigoso, porque o peso do legado do Peter Weller é absurdo. Tentar substituir aquele ícone é quase como tentar dar um buff em um personagem que já estava no nível máximo; a chance de dar errado e a galera odiar é gigantesca.
Mas ó, a notícia caiu agora e o Prime Video finalmente resolveu parar de enrolar e escolheu quem vai vestir a armadura. O ator Dan Stevens foi escalado para viver o Alex Murphy, o nosso ciborgue favorito, nessa nova série que promete dar um rumo diferente para a franquia. Se você acompanha as Notícias de cinema e TV, sabe que o cara tem um currículo pesado, mas será que ele aguenta a pressão de ser o rosto de uma sátira tão visceral?

Para quem não conhece, o Dan Stevens não é nenhum novato e tem um range que impressiona. O cara já fez de tudo, desde a elegância de Downton Abbey até a loucura de Legion, passando por blockbusters como Godzilla x Kong: The New Empire e A Bela e a Fera. Ele até já interpretou um robô no filme alemão I'm Your Man, então tecnicamente ele já sabe como agir sem ter sentimentos, o que é meio que o básico para o RoboCop.
Se a gente olhar para trás, o filme de 1987 não era só pancadaria e tiros de canhão no braço. Aquela obra era uma crítica ácida ao capitalismo selvagem, à gentrificação e à privatização de serviços públicos, tudo isso embrulhado em uma violência que faria muita gente de hoje em dia ter um treco. Era um conteúdo denso, que não passava a mão na cabeça de ninguém e que definiu o que a gente entende por ficção científica satírica.

Depois tivemos aquele remake de 2014 com o Joel Kinnaman, que para ser sincero, flopou feio no coração dos fãs. Não que o filme fosse um lixo total, mas faltou aquela alma, aquele deboche do diretor Paul Verhoeven. O filme pareceu mais um produto corporativo genérico do que uma crítica às corporações, o que é a maior ironia de todas, né?
Agora, a pegada do Prime Video parece ser mais ambiciosa. A série, que terá oito episódios, é produzida pela Amazon MGM Studios e pela Blumhouse Atomic Monster. O plot básico é aquele que a gente já conhece e ama: um conglomerado tech gigante convence a cidade a colocar um robô na polícia, mas esse robô tem a consciência de um policial querido que morreu em serviço. É a receita clássica, mas com o tempo de uma série, eles podem aprofundar muito mais o trauma do Alex Murphy.

Um ponto que me deixou com um hype genuíno é que os co-criadores e roteiristas originais, Ed Neumeier e Michael Miner, estão como produtores executivos. Ter a galera que criou o conceito original no comando é a única forma de garantir que a série não vire apenas um comercial caro de tecnologia. O showrunner será o Peter Ocko, e com o toque da Blumhouse, a gente pode esperar que a violência seja bem presente e estilizada.
É interessante notar como a ideia de um policial robô controlado por uma empresa faz ainda mais sentido hoje em dia, com a IA dominando tudo e as Big Techs mandando no mundo. Se eles souberem usar esse contexto atual para atualizar a sátira, temos um hit nas mãos. Imagina discutir a vigilância moderna e a perda de privacidade através do visor do RoboCop? Seria genial e muito necessário.

Claro que existe o risco de a Amazon querer deixar tudo muito 'limpinho' para agradar a massa, mas se eles seguirem a linha da Blumhouse, a gente pode ter algo bem visceral. A escolha do Dan Stevens me parece acertada porque ele sabe transitar entre o drama pesado e a ironia, algo essencial para quem passa metade do tempo dentro de uma lata de metal disparando munição de alta potência.
No fim das contas, a gente quer ver o RoboCop devolvido ao seu trono de rei da sátira sci-fi. Se a série conseguir equilibrar a nostalgia com uma crítica social afiada, vai ser um sucesso absoluto. Caso contrário, será apenas mais um reboot que tenta vender nostalgia sem entregar substância, o que seria um desperdício total de um elenco tão bom.

Meu veredito é: estou cautelosamente otimista. O elenco é top, a produção é de primeira e os criadores originais estão envolvidos. Agora é só torcer para que o roteiro não seja nerfado por executivos que têm medo de criticar as próprias corporações. Se entregarem a violência e a ironia certas, estaremos diante de um novo clássico para maratonar no PC ou na TV da sala.



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