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Adventures of Elliot é o RPG nostálgico que respeita seu tempo e seu coração

Cara, vamos ser sinceros: a gente vive numa era de jogos inflados. Tudo agora precisa ter 100 horas de duração, mapas gigantescos que parecem desertos de conteúdo e missões secundárias que são basicamente 'vá ali e pegue 10 flores'. No meio de todo esse hype por mundos abertos infinitos, ver anúncios de jogos como Final Fantasy Resonance mostra que existe, sim, uma fome reprimida por experiências de tamanho médio, aquelas que focam no que realmente importa e não tentam te prender por meses no sofá.

É exatamente nesse espaço que entra Adventures of Elliot: The Millennium Tales. Desenvolvido em uma parceria entre a Team Asano (um braço da Square Enix) e a Claytechworks, o jogo é praticamente uma carta de amor aos clássicos do SNES e do PS1. Sabe aquele sentimento de descobrir um jogo 'perdido' da era 16-bit ou 32-bit, mas que roda com a fluidez de 2026? É exatamente isso que esse título entrega, sem tentar reinventar a roda, mas polindo cada engrenagem para que a experiência seja deliciosa.

Imagem Cena de Adventures of Elliot review 1

Visualmente, o jogo é um espetáculo à parte, lembrando muito aqueles livros de contos de fadas ilustrados, com uma trilha sonora que te transporta imediatamente para a infância. O ritmo é apertado, as lutas contra chefes são variadas e os puzzles têm aquele nível de dificuldade 'na medida', que te faz pensar sem te deixar querer jogar o controle na parede. Com cerca de 25 horas de gameplay, ele convida à exploração sem nunca se tornar cansativo ou intimidador, algo que muitos RPGs modernos esqueceram como fazer.

A história começa no Reino de Huther, onde conhecemos o Elliot. E olha, se você está esperando um protagonista sombrio, cheio de traumas e crises existenciais no estilo do Cloud Strife de Final Fantasy 7, pode esquecer. O Elliot é, essencialmente, um escoteiro. Ele é gentil, cuida dos órfãos da cidade e é o tipo de cara que aceita recuperar um pente perdido de uma falecida esposa só para ajudar um senhor. É uma abordagem quase Ghibli, com uma ingenuidade que pode parecer boba no início, mas que acaba conquistando a gente rapidinho.

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A trama engrena de verdade quando o Rei convoca o Elliot para investigar ruínas recém-descobertas e deter um vilão que viaja no tempo para roubar poderes mágicos esquecidos. O nosso herói aceita a missão sem hesitar, movido pelo desejo de não decepcionar a família que acredita que ele é o maior aventureiro do mundo. Esse tom otimista permeia todo o jogo, transformando até as reviravoltas mais calamitosas em algo que pode ser resolvido conversando com NPCs cordiais ou revisitando masmorras conhecidas.

No quesito gameplay, temos uma mudança interessante: esta é a primeira incursão da Team Asano no gênero Action RPG, já que eles costumavam focar em turnos ou táticas, como vimos em Triangle Strategy. A inspiração aqui é claramente The Legend of Zelda da era SNES. O foco total está na exploração e no uso de ferramentas para abrir novos caminhos. O Elliot usa bombas para quebrar paredes, martelos para fincar estacas e arcos ou bumerangues para ativar interruptores distantes, criando um loop de progressão muito satisfatório.

Imagem Cena de Adventures of Elliot review 3

Claro que não podemos esquecer da Faie, a fada companheira do protagonista. Ela tem truques essenciais, como iluminar cavernas escuras, teletransportar o Elliot sobre abismos e criar clones ilusórios para resolver puzzles e confundir inimigos no combate. Um detalhe importante para quem não tem paciência: a Faie fala MUITO. A Square Enix foi inteligente e colocou uma opção nas configurações para diminuir a frequência das falas dela, o que é basicamente um buff na sanidade do jogador.

Como a história se passa em quatro períodos temporais diferentes, você vai revisitar os mesmos lugares várias vezes. No papel, isso parece receita para o tédio ou para um jogo que flopou no design, mas na prática funciona lindamente. O mapa do overworld é quase idêntico entre as eras, mas as masmorras sofrem variações sutis. Graças a um sistema de fast-travel extremamente generoso, a repetição não incomoda. Muitas vezes, um item essencial em uma era abre caminho para um upgrade de arma ou um fragmento de vida em outra, mantendo a curiosidade sempre alta.

Imagem Cena de Adventures of Elliot review 4

O jogo não tenta ser revolucionário para os padrões de junho de 2026, e tudo bem. Ele sabe exatamente o que é e entrega isso com maestria. A simplicidade é a sua maior força, transformando a jornada do Elliot em algo reconfortante e fluido. É o tipo de experiência que limpa o paladar depois de encarar jogos excessivamente complexos ou cheios de microtransações e sistemas de progressão redundantes.

No fim das contas, Adventures of Elliot: The Millennium Tales prova que menos é mais. Ele entrega a nostalgia pura do PS1, mas com a qualidade de vida que a gente exige hoje em dia. É um jogo honesto, charmoso e que respeita o tempo do jogador, provando que a Square Enix ainda sabe como fazer magia quando decide focar na essência da aventura.

Se você sente saudade daquela época em que os jogos eram focados em descoberta e encanto, sem precisar de um guia de 50 páginas aberto do lado para entender a história, esse título é obrigatório. É um sopro de ar fresco num mercado saturado de fórmulas repetitivas e promessas vazias. Simplesmente jogue e deixe-se levar por esse conto de fadas moderno.

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