Sabe aquele jogo que é uma obra-prima absoluta, mas que na hora do lançamento parece que o mundo resolveu ignorar? Pois é, Alan Wake 2 passou exatamente por isso. A gente sabe que o clima estava tenso, com a galera dividida entre a qualidade absurda do game e a dificuldade de acessá-lo, mas a real é que a persistência da Remedy Entertainment deu resultado e o título finalmente começou a engordar a conta bancária do estúdio.
Recentemente, a Remedy Entertainment soltou os dados do seu relatório financeiro do primeiro semestre, cobrindo o período de janeiro a junho, e a notícia é quente: o survival horror investigativo já ultrapassou a marca de 3 milhões de cópias vendidas. Esse marco foi atingido durante o segundo trimestre do ano, provando que o jogo tem pernas para caminhar a longo prazo, mesmo não tendo tido aquele estouro imediato de vendas que a gente costuma ver em blockbusters.

Para quem não lembra, a estrada até aqui foi bem tortuosa. No relatório de fevereiro do ano passado, a empresa tinha acabado de anunciar que passou de 2 milhões de cópias e que o jogo finalmente começou a dar lucro. O problema é que, para chegar nesse ponto, a Remedy teve que suar sangue, já que o custo de desenvolvimento e marketing foi astronômico, e o jogo levou um tempo considerável para sequer recuperar o investimento inicial.
O ponto mais crítico dessa história, e que a gente não pode fingir que não existiu, foi o lançamento. Apesar de ser o jogo mais vendido da história da Remedy em termos de velocidade inicial, Alan Wake 2 vendeu apenas 1 milhão de cópias logo de cara. Para um projeto desse tamanho, isso beirou o flop, e a culpa grande parte do acordo de exclusividade com a Epic Games Store no PC, que deixou a galera do Steam de fora por um bom tempo, limitando drasticamente o alcance do título.

Mas nem tudo são flores no relatório da Remedy. Mesmo com a alegria dos 3 milhões de vendas, os números gerais de receita, lucro e fluxo de caixa da empresa apresentaram quedas. A empresa explicou que isso era esperado, já que eles estão investindo pesado no desenvolvimento e marketing de Control Resonant, sem contar a manutenção de outros projetos internos que estão consumindo caixa. É aquele jogo de risco: você gasta agora para colher o hype depois.
Falando em futuro, a empresa está com a faca e o queijo na mão com três projetos em andamento. O grande foco do momento é Control Resonant, que chega no dia 24 de setembro para PC, PS5 e Xbox Series X/S. Inclusive, a expectativa por esse novo título acabou dando um buff nas vendas do primeiro Control, que bateu recordes de vendas no segundo trimestre, superando até o mesmo período do ano passado.

Além de Control Resonant, a galera ainda está atenta pelos remakes de Max Payne 1 & 2, que continuam em produção total. E para deixar a gente ainda mais curioso, existe um terceiro projeto misterioso que já está na fase de "prontidão de produção". Ou seja, a Remedy não está para brincadeira e quer dominar o cenário de jogos com narrativas densas e climas psicológicos pesados.
O mais curioso de tudo é a visão do novo CEO da empresa, que assumiu o cargo em fevereiro. O homem foi sincero e disse que acredita que tanto Alan Wake quanto Control "deveriam ter vendido mais". Segundo ele, o estúdio ainda não alcançou nem metade do potencial real dos produtos que entrega, o que mostra que a empresa sabe que tem um ouro nas mãos, mas que talvez tenha errado na mão da distribuição ou do marketing.

Olhando para trás, fica claro que Alan Wake 2 é um jogo que exige paciência, tanto do jogador quanto da empresa. Ele não é feito para a massa que quer só apertar botão, mas para quem curte uma experiência imersiva e perturbadora. Ver o jogo atingir esse milestone de vendas agora, depois de tanto tempo, é a prova de que a qualidade técnica e a história impactante acabam vencendo qualquer barreira de plataforma ou exclusividade chata.
No fim das contas, a Remedy Entertainment provou que sabe criar mundos fascinantes, mesmo que a parte financeira seja uma montanha-russa. Agora, a expectativa toda gira em torno de Control Resonant e se ele conseguirá evitar os erros de lançamento de Alan Wake 2, chegando com tudo em todas as plataformas desde o dia um. Se eles acertarem a mão agora, a empresa vai saltar para um novo patamar de lucratividade.

Meu veredito é simples: quem ainda não jogou Alan Wake 2, está perdendo um dos melhores jogos da geração. É denso, é lindo e, agora que as vendas provaram que o jogo é um sucesso resiliente, fica a lição para a indústria: exclusividades forçadas em PC podem até dar um dinheiro imediato, mas matam o potencial de crescimento orgânico de uma obra de arte.



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