Sério, chega um momento que a gente precisa parar e perguntar: onde isso vai parar? A gente passou anos detonando a TV a cabo, reclamando daquelas faturas absurdas e dos contratos abusivos, mas agora parece que os streamings decidiram que o jogo é esse mesmo. A estratégia é velha e previsível: eles jogam o preço lá embaixo pra atrair a galera, criam um hype absurdo com algumas séries e, assim que você fica dependente do conteúdo, eles começam a subir o valor da mensalidade sem dó nem piedade.
A Apple TV acabou de seguir esse manual à risca e meteu um aumento nos preços para os usuários dos Estados Unidos, e a coisa aconteceu praticamente da noite para o dia, sem aquele aviso prévio educado que a gente gostaria de receber. Para quem acompanha as Notícias do setor, isso não é surpresa, mas é revoltante ver a velocidade com que a fatura cresce enquanto a gente tenta apenas maratonar nossas séries favoritas sem vender um rim no processo.

O novo valor mensal para novos e antigos assinantes subiu de $12.99 (cerca de R$ 71) para $14.99 (aproximadamente R$ 82), o que representa um salto de 15.4%. E se você era do time que tentava economizar pegando o plano anual, a pancada foi ainda maior: o preço saltou de $99 (cerca de R$ 544) para $119 (aproximadamente R$ 654), um aumento real de 20%. É aquele tipo de buff no preço que ninguém pediu e ninguém quer.
Claro que a Apple faz isso agora porque sabe que tem as pessoas presas em produções de peso. A plataforma está no meio do lançamento de novos episódios de Ted Lasso, aquela comédia esportiva que todo mundo ama, e do thriller de ficção científica Silo, que está segurando a audiência. É a tática clássica de prender o espectador no clímax da história para que ele nem pense em cancelar a assinatura, mesmo que o bolso esteja chorando.

Mas a ganância não parou por aí e atingiu também o Apple One, aquele pacote que tenta facilitar a vida juntando Apple TV, Apple Music, iCloud Plus, Apple Arcade, Apple News Plus e Apple Fitness Plus. O combo, que antes custava $19.95 (cerca de R$ 109), agora vai para $21.95 (aproximadamente R$ 120) por mês. Se você usa o Apple Arcade para jogar no seu Xbox ou no iPhone, agora vai ter que pagar mais caro por esse privilégio.
Se a gente olhar para trás, o cenário é ainda mais surreal. A Apple TV (que antes se chamava Apple TV Plus) chegou ao mercado em 2019 com um valor super agressivo de $4.99 (aproximadamente R$ 27) por mês. Em apenas quatro anos, a empresa já aplicou quatro aumentos de preço, o que significa que o valor do serviço triplicou desde o lançamento. É um ritmo de subida que deixaria qualquer investidor de Wall Street com inveja, mas que deixa o consumidor comum puto da vida.

E não pense que a Apple está sozinha nessa festa do aumento. Praticamente todo mundo entrou na onda: Netflix, Disney Plus, HBO Max, Hulu e Paramount Plus já subiram seus preços nos últimos anos. Até o YouTube Premium meteu um aumento de 17% recentemente na Europa e na Ásia. O Hulu, por exemplo, ficou seis anos com o preço congelado em $11.99 (cerca de R$ 65) para depois meter quatro aumentos em sequência. O mercado de streaming simplesmente flopou na parte da acessibilidade.
Para ser justo, não dá para negar que a qualidade do que a Apple entrega é alta. Eles acabaram de emplacar 89 indicações ao Emmy, com séries absurdas como Pluribus e Widow’s Bay. No ano passado, The Studio levou a melhor como Melhor Série de Comédia, enquanto Severance e Slow Horses continuam sendo referências de roteiro e produção. O problema é que a qualidade do conteúdo não justifica a falta de respeito com o bolso do cliente.

O que estamos vendo é a bolha do streaming atingindo seu ponto de ruptura. Chega um momento em que o consumidor olha para a fatura mensal e percebe que está pagando mais do que pagava na época da TV a cabo, mas com a chatice de ter que assinar cinco serviços diferentes para assistir a cinco séries diferentes. É a fragmentação do conteúdo servindo apenas para inflar os lucros das Big Techs.
No fim das contas, a Apple está jogando um jogo perigoso. Apostar apenas na qualidade do catálogo para forçar aumentos sucessivos pode funcionar por um tempo, mas a fidelidade do público tem limite. Quando o custo de vida aperta, as primeiras coisas que a gente corta são justamente esses luxos digitais que se acham indispensáveis. Esperamos que isso sirva de alerta para outras empresas que acham que podem subir os preços infinitamente sem enfrentar um nerf massivo na sua base de assinantes.




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