Já pararam para pensar no trabalho absurdo que os desenvolvedores têm para fazer a comida dos jogos parecer gostosa? A gente sabe que o visual impacta demais a experiência, e transformar um pixel em um bife suculento exige um esforço de arte e design fenomenal. Mas o que realmente me chama a atenção, como alguém que acompanha essa indústria há 15 anos, é quando a Bethesda ou a Square Enix decidem ir pelo caminho oposto e criam pratos que dariam náuseas em qualquer ser humano normal.
Nós aqui da Gamer Elite já vimos de tudo nesse meio, mas tem coisa que passa do limite do aceitável. Não estamos falando de comida genérica de RPG, mas de verdadeiras aberrações culinárias que servem para dar aquele choque no jogador ou apenas para zoar a nossa cara com um easter egg bizarro. Se você está com fome, é melhor parar de ler agora, porque o menu de hoje é composto por ingredientes que fariam qualquer crítico gastronômico ter um colapso nervoso.

Para começar esse banquete do horror, não tem como não citar o clássico Fallout. No mundo pós-apocalíptico da franquia, a sobrevivência é bruta e você acaba comendo qualquer coisa para não morrer de fome, inclusive a carne de baratas gigantes mutantes. O problema é que, embora cure sua vida, esse lanchinho radioativo aumenta seus níveis de radiação, o que é basicamente um buff de sobrevivência com um gosto amargo de mutação genética.
Agora, se você acha que radiação é ruim, dá uma olhada no que acontece em Final Fantasy 15. O personagem Ignis é um chef fenomenal, capaz de fazer pratos que deixariam qualquer restaurante cinco estrelas no chinelo, mas aí ele resolve inventar o "Bolo de Tomate Úmido". O negócio é feito de um Killer Tomato, que é literalmente um inimigo do jogo, e o resultado é um bolo vermelho, esponjoso e com aspecto de mofo que ninguém em sã consciência comeria.

Seguindo para algo mais visceral, temos o Death Stranding, onde o Sam Porter Bridges atravessa os EUA em um estado de desolação total. No meio do caminho, ele cava a terra para encontrar Cryptobiotes, criaturas alienígenas que ficam se contorcendo, e simplesmente as joga na boca sem qualquer preparo. Não tem fogo, não tem tempero, é só o Sam comendo um verme espacial vivo para recuperar stamina, o que torna a atmosfera do jogo ainda mais estranha e alienígena.
E se você acha que isso é exagero, espera até ver a "Torta Literalmente Assassina" de Xenoblade Chronicles 2. A personagem Mythra tem a fama de ser uma cozinheira terrível, e essa torta é a prova definitiva disso, já que os ingredientes incluem cigarras, escorpiões e algo chamado "munchygrub". Não tem farinha, não tem açúcar, é basicamente uma tigela de insetos e répteis vivos que, por algum milagre do código, ainda concede benefícios para a equipe.

Mas nada supera a bizarrice de Castlevania, onde você encontra pedaços de carne cravados nas paredes dos castelos. Sim, você bate na parede, a carne cai e você a come para recuperar vida. Ninguém nunca explicou por que existe proteína animal fundida com pedra em arquiteturas góticas, mas a gente aceita porque é a lógica dos games. É aquele tipo de detalhe que, se você pensar por dois segundos, percebe que é absolutamente nojento.
Para fechar essa lista de horrores, temos o caos de Vampire Survivors no PC e consoles, onde você encontra frangos assados simplesmente jogados no chão. Em um jogo onde milhares de monstros te cercam, comer um frango que ficou rolando na sujeira do mapa é a definição de "estou desesperado por HP". É engraçado como esses elementos, que deveriam ser irrelevantes, acabam se tornando memórias marcantes por serem tão absurdos.

Essas escolhas de design mostram que os estúdios sabem brincar com a nossa percepção. Às vezes, criar algo repulsivo serve para reforçar a ambientação de um mundo cruel, como em Notícias sobre jogos de sobrevivência, ou apenas para adicionar uma camada de humor negro à narrativa. É o contraste perfeito: em um momento você está admirando os gráficos em 4K, no outro você está vendo um personagem mastigar um escorpião.
No fim das contas, essas comidas são a prova de que a criatividade nos games não tem limites, mesmo quando esse limite é o nosso estômago. Ver a evolução dessas mecânicas, desde pixels borrados até texturas realistas que fazem a gente sentir o cheiro do "bolo de tomate", é fascinante. Se você joga em plataformas como Nintendo ou PlayStation, com certeza já passou por alguma situação onde o item de cura era algo que você jamais tocaria na vida real.

Meu veredito final é que essas bizarrices são essenciais para dar personalidade aos títulos. Um jogo onde tudo é perfeito e higienizado seria um tédio total. O nojo faz parte da diversão e nos lembra que, no mundo virtual, as leis da gastronomia e da higiene foram completamente nerfadas em prol do entretenimento.



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