Cara, quem diria que a Game Freak, a galera que a gente conhece por capturar bichinhos, resolveria entrar a fundo num Soulslike? Pois é, chegou Beast of Reincarnation, e a proposta é ambiciosa: jogar a gente num futuro distópico onde o mundo está basicamente nas últimas. A gente controla a Emma, uma heroína que tem a fortitude necessária para tentar salvar o que sobrou da humanidade enquanto vaga por terras devastadas que parecem decididas a apagar a nossa existência do mapa.
O jogo não brinca em serviço e já chega chutando a porta com sistemas que, no começo, parecem um verdadeiro enigma. Os tutoriais são rápidos, mas as mecânicas são densas e complexas, exigindo que o jogador preste atenção em cada detalhe para não virar comida de monstro em cinco segundos. Se você jogar no modo Normal, prepare o psicológico, porque um único golpe bem colocado pode deletar todo o seu progresso recente e mandar você de volta pro checkpoint.

Nesse modo Normal, a tensão é constante e a sensação de perigo é real. A Emma explora campos de flores com a companhia do Koo, seu cachorro fiel que ajuda a detectar emboscadas. O problema é que, embora o Koo seja um parceiro incrível, ele acaba tirando um pouco daquele prazer de descobrir tesouros escondidos por conta própria. Mas ó, não vacila: se o cachorro não avisar, você pode ser assassinado por um golem com um único thrust certeiro antes mesmo de entender o que aconteceu.
As lutas contra os chefes, os temidos Nushi, são o ponto alto da adrenalina, mas podem acabar em segundos se você não estiver com o reflexo em dia. A gente aqui da Gamer Elite acha que esse nível de desafio é justo, porque recompensa quem tem paciência e domina a gameplay. É aquele tipo de experiência que te faz sentir vitorioso quando finalmente derruba um inimigo que te matou dez vezes. Agora, para quem não quer passar raiva, existe o modo Story, mas é aí que a treta começa.

Para sobreviver, você precisa mergulhar fundo nos sistemas de progressão, equipando armaduras melhores, armas tunadas e as famosas Spirit Stones. O jogo tem uma árvore de habilidades bem robusta que permite que a Emma desferira golpes esmagadores, cure a vida em jardins improvisados ou use stimpacks no meio da briga com os chefes. É um loop de gameplay clássico de Action RPG que funciona muito bem quando você está tentando superar seus próprios limites no PC ou consoles.
O problema crítico de Beast of Reincarnation é que a diferença entre o modo Normal e o modo Story é absurda, quase parece que são dois jogos diferentes. Um monstro que antes era um pesadelo e matava a Emma com um hit, no modo fácil vira um saco de pancadas que mal tira vida. Os inimigos perdem a agressividade, ficam com a defesa ridícula — a famosa glass jaw — e param de se mover com propósito. Basicamente, o desafio flopou completamente na transição de dificuldade.

Eu mesmo senti isso na pele. No começo, eu era um desastre total e quase venci o primeiro Nushi no modo Normal, mas falhei porque tentei jogar na distância, tentando snipar o bicho enquanto ele fechava a distância em dois segundos. Quando cansei de morrer e mudei para o modo Story, a experiência mudou tanto que eu me perguntei se era sequer possível a Emma falhar. Ficou fácil demais, tirando todo aquele peso da jornada e a satisfação da conquista.
Não me entenda mal, eu curto quando jogos dão a opção de relaxar. Tivemos exemplos como The Legend of Zelda: Breath of the Wild na Nintendo, que entregava um mundo aberto gerenciável onde você podia escolher o nível de perigo. Mas em Beast of Reincarnation, a curva de dificuldade não é uma curva, é um penhasco. Ou você está sofrendo absurdamente, ou está jogando um simulador de caminhada onde nada te ameaça.

No fim das contas, a Game Freak entregou um jogo com uma atmosfera incrível e um combate que tem potencial para ser memorável, mas pecou feio no balanceamento. É frustrante ver que a solução para a dificuldade extrema foi criar um modo fácil que removeu toda a alma do combate. Se você gosta de se desafiar, vai amar a brutalidade do modo Normal, mas se busca algo equilibrado, vai sentir falta de um meio-termo decente.
O veredito é que Beast of Reincarnation é um experimento interessante que quase acerta a mão. A ambientação é pesada, a protagonista é forte e a progressão é gratificante. Se eles conseguissem ajustar esse abismo entre as dificuldades, teríamos um dos melhores Soulslikes recentes. Por enquanto, fica o aviso: escolha sua dificuldade com sabedoria, porque a diferença entre o inferno e o tédio é apenas um clique nas configurações de Notícias do sistema.




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