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Beast of Reincarnation: O cachorro da Game Freak destruiu a exploração do jogo

Olha, a gente sabe que a Game Freak é a rainha de gerar hype com a franquia Pokémon, mas ver o estúdio tentando a sorte em outros gêneros é sempre aquele misto de curiosidade e medo. Dessa vez, eles resolveram entrar a fundo em um Action RPG com pegada Soulslike chamado Beast of Reincarnation. A promessa era sedutora: um jogo focado na parceria entre "uma pessoa e um cachorro", misturando combate técnico de parry e ataques precisos em um cenário devastado.

A história nos joga na pele de Emma, que vaga por um Japão pós-apocalíptico cheio de monstros grotescos e cenários melancólicos. Ao lado dela está o Koo, um cachorro que deveria ser o braço direito da protagonista tanto nas lutas quanto na exploração do mundo. No papel, a dinâmica parece perfeita, mas na prática, nós aqui da Gamer Elite percebemos que a Game Freak cometeu um erro básico de design que acaba com a diversão de qualquer jogador que goste de descobrir as coisas sozinho.

O grande problema é que o Koo simplesmente não cala a boca. O jogo tenta vender a ideia de que existem caminhos alternativos e itens secretos espalhados pelos mapas, mas isso é uma mentira descarada porque o cachorro aponta absolutamente TUDO através de mensagens pop-up na tela. Você não consegue dar dois passos sem que apareça um aviso dizendo que o Koo achou um livro, um item valioso ou um santuário. Isso transforma a exploração em um trabalho burocrático de seguir marcadores, tirando qualquer sensação de descoberta real.

Imagem Cena de Beast of Reincarnations Dog 1

Essa situação lembra demais aquele sentimento irritante de jogar os novos God of War e ter o Atreus gritando a solução de um puzzle antes mesmo de você ter tempo de pensar no problema. É aquele tipo de "ajuda" que na verdade é um nerf na inteligência do jogador. Em Beast of Reincarnation, se não tem um marcador do cachorro dentro de um prédio, você já sabe que não tem nada lá dentro, o que torna a navegação pelo mapa algo completamente vazio e sem alma.

Imagem Cena de Beast of Reincarnations Dog 2

Para piorar, o design dos níveis não compensa essa falta de surpresa. Os mapas ficam repetitivos muito rápido, com prédios em ruínas e campos de grama que parecem copiados e colados uns dos outros. Para completar o combo de frustrações, o jogo abusa de paredes invisíveis bizarras que impedem a progressão, algo que nos lembrou as piores partes de Black Myth: Wukong. É bizarro como um jogo que quer ser aberto acaba te prendendo em trilhos invisíveis enquanto um cachorro late no seu ouvido.

Imagem Cena de Beast of Reincarnations Dog 3

E se você acha que o problema é só com os itens, prepare-se para o inferno do combate furtivo. O Koo late toda vez que há inimigos por perto, absolutamente todas as vezes. O pior é que a Emma ainda sente a necessidade de comentar que "tem inimigos aqui", como se o cachorro não estivesse latindo justamente para avisar isso. Se você está tentando ser furtivo na grama alta para dar um backstab, o cachorro basicamente vira um alarme ambulante, embora, por algum motivo, os inimigos ignorem o barulho dele.

Imagem Cena de Beast of Reincarnations Dog 4

Essa redundância se torna insuportável quando você decide enfrentar um Inimigo Elite e precisa dar respawn no acampamento várias vezes. Você já decorou a posição de cada robô no caminho, mas o Koo continua latindo como se fosse a primeira vez que você via aquele grupo de inimigos. É um ciclo de repetição que cansa a mente e tira o peso do desafio, transformando a experiência em algo cansativo em vez de recompensador.

Se você estiver jogando no PC via Steam ou em consoles como PS5 e Xbox Series X, a performance é aceitável, mas o game design deixa a desejar. É triste ver a Game Freak ter a chance de criar um jogo de cachorro memorável e acabar criando um sistema de guia que é praticamente um GPS barulhento. A gente quer mais jogos com pets, mas eles precisam ter utilidade real, e não servir apenas para tirar a nossa autonomia de explorar o mundo.

No fim das contas, Beast of Reincarnation tem potencial, o combate é desafiador e a ambientação é interessante, mas a execução do companheiro canino flopou feio. Eles tentaram fazer o jogador se sentir assistido, mas acabaram fazendo a gente se sentir tratado como criança que não sabe andar sozinha. É um erro básico que mancha a experiência geral de quem busca um RPG de verdade.

O veredito é simples: o jogo é jogável e tem seus méritos, mas o Koo é a prova de que menos é mais quando se trata de guiar o jogador. Esperamos que a Game Freak aprenda a lição e pare de subestimar a nossa capacidade de descoberta em projetos futuros. Por enquanto, é só aceitar que você terá um cachorro que não para de dar spoiler do próprio mapa.

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