Papo reto aqui, galera: quem diria que a gente chegaria ao dia em que a Game Freak, a empresa que basicamente vive e respira Pokémon, resolveria arriscar em algo completamente diferente? Pois é, o hype estava lá no teto para Beast of Reincarnation, esse novo projeto que tenta provar que o estúdio consegue fazer mais do que capturar monstrinhos em bolas coloridas. A proposta é ambiciosa, mas como veterano da área, eu já sentia que o caminho seria tortuoso, porque mudar a cultura de um estúdio tão engessado não é tarefa simples.
O jogo nos joga em um Japão futurista e apocalíptico, onde a gente controla a Emma e seu fiel companheiro canino, o Koo. Esteticamente, o negócio é um soco na cara de quem espera algo fofinho, entregando uma atmosfera densa e melancólica que tenta se distanciar a todo custo de qualquer coisa que lembre a franquia principal da casa. O título chegou agora, no dia 4 de agosto de 2026, para PS5, Xbox Series X e PC, mas a recepção da crítica deixou aquele gosto agridoce de "podia ter sido muito melhor".

Se a gente olhar para o combate, a IGN mandou a real: o jogo parece uma mistura mal resolvida entre Sekiro: Shadows Die Twice e o Final Fantasy VII Remake. A ideia de ter um combate rápido e visceral é legal, mas a execução parece ter sido nerfada em pontos cruciais. O maior problema apontado é que as janelas de parry são forgiveness demais, o que tira aquela tensão absurda que a gente ama nos Soulslikes raiz, transformando as lutas em algo quase automático depois de um tempo.

Além disso, a repetição de inimigos é um ponto que incomoda demais. Você passa boa parte do jogo enfrentando a mesma mão cheia de monstros que repetem os mesmos dois ou três ataques ad infinitum, o que torna a experiência cansativa. Para quem curte o desafio de aprender padrões complexos, Beast of Reincarnation acaba entregando algo rasa, onde você domina o adversário rápido demais e perde o interesse na exploração.
Outro ponto crítico veio do pessoal da Eurogamer, que detonou a forma como a Game Freak introduz as mecânicas. O jogo joga um monte de sistemas complexos na sua cara sem explicação nenhuma, quase obrigando o jogador a ler o manual interno para entender como as coisas funcionam. Essa falta de tutoriais orgânicos é um erro básico de design que faz a gente se sentir perdido e irritado, em vez de instigado a descobrir o mundo.

Se a gameplay é confusa, a narrativa parece ter sido escrita com pressa. O Game Informer e o Giant Bomb foram cirúrgicos ao chamar a história de "sem alma" e os personagens de "medíocres". A Emma não consegue carregar o peso dramático do mundo apocalíptico, e a conexão com o Koo acaba sendo mais superficial do que a profundidade emocional que o cenário pedia. É aquele tipo de jogo que tem um visual incrível, mas que por dentro parece vazio.

Mas nem tudo é tragédia, e é aqui que entra o meu pitaco: as lutas contra chefes são o ponto alto. Mesmo quem odiou a história admitiu que as batalhas contra os bosses são tensas e recompensadoras. Quando a Game Freak acerta o timing do desafio, o jogo brilha, e você sente que realmente está enfrentando algo colossal e perigoso, o que salva a experiência de ser um flop total.

O GamesRadar foi quem mais elogiou, destacando a beleza do futuro apocalíptico e a profundidade artística da obra. Realmente, visualmente o jogo é um espetáculo no PlayStation e no Xbox Series X, com cenários que dão vontade de tirar print a cada cinco minutos. Porém, beleza não sustenta gameplay ruim por muito tempo, e a nota 74 no Metacritic reflete exatamente esse conflito entre a forma e o conteúdo.
No fim das contas, fica a sensação de que a Game Freak tentou abraçar o mundo e acabou tropeçando nas próprias pernas. É como se eles soubessem as referências de Soulslike, mas não entendessem a filosofia do gênero, focando mais na superfície do que na substância. O jogo não é ruim, ele é apenas "ok", e para um estúdio desse tamanho, entregar algo apenas mediano é quase um pecado.
Meu veredito é que Beast of Reincarnation serve como um experimento interessante, mas que falha em criar uma identidade própria. Se você é fã fanático de Soulslike e quer testar algo novo, pode ir fundo, mas não espere a mesma profundidade de um Elden Ring. Para o resto de nós, fica a esperança de que a próxima tentativa da Game Freak fora de Pokémon venha com mais alma e menos cópias de outras franquias. Confira mais Notícias para saber se vale a pena o investimento.



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