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Blood Dungeon: O Survivors de lado que tenta salvar um gênero cansado

Se você, assim como eu, jogou Vampire Survivors até as lágrimas e depois sentiu que todo jogo de 'sobreviva a hordas' começou a parecer a mesma coisa, você sabe do que eu estou falando. A gente entra no hype, vicia por dez horas e depois olha para a tela e pensa: 'Beleza, mas e agora?'. É nesse cenário de saturação total que chega Blood Dungeon, a nova aposta da Messhof, a mesma galera genial por trás de Nidhogg, que resolveu aplicar a inteligência de design deles em um gênero que, convenhamos, já está beirando a exaustão.

O grande pulo do gato aqui é que a Messhof não quis apenas fazer mais um clone genérico de visão superior. Eles pegaram a fórmula do bullet heaven e a jogaram em um plano de fundo de plataforma 2D. Na moral, bater o olho em Blood Dungeon lembra muito mais a vibe de Spelunky do que a de Brotato ou Deep Rock Galactic: Survivor. Essa mudança de perspectiva muda tudo, transformando a movimentação em algo muito mais dinâmico e menos 'andar em círculos enquanto reza para não ser cercado'.

Imagem Cena de  <strong>Blood Dungeon</strong> review 1

No começo, a experiência é aquela típica de qualquer roguelite: você começa sendo um lixo. Eu encarnei o Gun Man, um maluco com uma metralhadora pífia que atirava a cada 1.21 segundos. Era desesperador. Mas aí entra o ciclo viciante: você coleta o sangue dos inimigos, sobe de nível e, em menos de um minuto, já transformou aquela arma medíocre em algo que cospe balas sem parar. Logo depois, você consegue uma espada que gira ao redor do corpo, fatiando morcegos enquanto você corre por esses corredores luridíssimos.

Visualmente, o jogo é um esculacho. O estilo artístico 'globular' 2D da Messhof encaixa como uma luva nessa ação de precisão. As animações são fluidas e têm uma personalidade absurda, fugindo totalmente daquela estética barata de assets comprados que a gente vê em metade dos indies de hoje. Para completar a imersão, a trilha sonora do Matthew Hoey, que ele mesmo chama de 'dungeon drum 'n' bass', é simultaneamente insana e hipnótica, mantendo a adrenalina lá no topo durante as partidas de dez minutos.

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Falando em arsenal, o jogo entrega opções que realmente mudam a gameplay. A bola quicante é, de longe, a minha favorita; se você focar nos upgrades dela, consegue deletar a maioria dos chefes iniciais em segundos. Também temos as torres e o laser, mas a shotgun é onde a diversão mora, já que você pode aumentar a dispersão de três para mais de 13 tiros, transformando a tela em um caos de projéteis. Para quem quer jogar no PC ou no Steam, a performance está redonda, rodando liso até em setups mais modestos.

O elenco de personagens também é bem variado. Tem a Skinja, que corta o mapa fazendo cartwheels em uma velocidade cegante enquanto dispara pellets de shotgun, e o Baby, que apesar de ter a vida baixíssima, compensa com um revólver que dá one-shot na maioria dos inimigos iniciais. Tem até o Hypnomancer, que usa gás... E sim, ele solta esse gás pelo traseiro. É esse tipo de bizarrice que dá alma ao jogo. Só não recomendo o mosquito voador se você não tiver dedos de pianista, porque o bicho é difícil de controlar e eu quase flopou minha run tentando usá-lo.

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Sobre o level design, os mapas seguem arquétipos comuns, mas com toques inteligentes. Temos desde corredores no eixo X e poços no eixo Y até mapas com água e áreas que exigem mineração. O layout é fixo, mas a posição de itens e chaves é randomizada, o que obriga o jogador a ter conhecimento do mapa para otimizar a rota. Testei o jogo em um setup com RTX 3060, Ryzen 5 5600H e 16GB RAM, e a experiência foi impecável. Inclusive, para quem tem um Steam Deck, o jogo funciona maravilhosamente bem, sendo a plataforma ideal para essas sessões rápidas.

Mas agora precisamos falar do elefante na sala. Apesar de ser um dos exemplos mais polidos do gênero, conforme as horas passam, Blood Dungeon começa a parecer 'exquisitamente insignificante'. É aquele sentimento de que, não importa o quanto você dê buff no seu personagem, o loop básico acaba se tornando repetitivo. É a mesma armadilha que me fez largar outros bullet heavens. O jogo é mecanicamente perfeito, mas a alma do gênero é efêmera; você atinge o ápice do poder e, de repente, a vitória deixa de ter graça.

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No fim das contas, Blood Dungeon, com lançamento previsto para 26 de agosto de 2026, é um título obrigatório para quem gosta de caos e quer ver como a Messhof consegue reinventar fórmulas gastas. Ele não resolve o problema existencial dos jogos de sobrevivência automática, mas entrega a versão mais elegante e estilosa disso que já vimos. Se você busca algo para desligar o cérebro e explodir tudo com cores neon e batidas de drum 'n' bass, esse é o seu jogo.

O veredito é simples: é um jogo incrível que sofre por pertencer a um gênero que está cansando a galera. Se você ainda não enjoou de coletar XP e escolher perks aleatórios, vai se divertir horrores. Se você já está saturado, a perspectiva de plataforma pode ser o fôlego extra que você precisava para voltar a gostar desse tipo de experiência. Vale cada centavo, mesmo que o preço final ainda esteja como TBC na Steam.

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