Sabe aquele sentimento de que a gente está jogando a mesma coisa há anos, só que com gráficos melhores? Pois é, o Bruce Straley, cara que foi fundamental para o sucesso de The Last of Us e Uncharted 4 na Naughty Dog, resolveu soltar a franga e disse a verdade que muita gente engole: os jogos AAA modernos estão ficando chatos. Ele não quis saber de diplomacia e mandou a real sobre como a indústria virou uma fábrica de experiências genéricas que não arriscam absolutamente nada.
Toda essa treta começou em uma matéria da revista Edge, onde o Straley falou abertamente que os "verbos" e as experiências que estamos recebendo nos grandes títulos são, nas palavras dele, entediantes. Para ilustrar esse ponto, ele citou especificamente o novo God of War Laufey. O cara foi sincero ao dizer que, embora cada pixel do jogo seja absurdo e a qualidade técnica seja de cair o queixo, o que você realmente FAZ no jogo não gera empolgação.

Claro que a internet não perdoa e o hype virou fogo rapidamente, com a galera do X/Twitter indo para cima dele. O resultado? Straley teve que voltar ao ar para pedir desculpas públicas ao time de desenvolvimento de God of War Laufey, admitindo que citar o jogo foi um erro e que ele acabou atraindo uma atenção negativa desnecessária para os devs, que não têm culpa da estagnação do mercado.
Mas, além do pedido de desculpas, ele aproveitou para aprofundar a tese dele sobre a dopamina dos jogadores. O Bruce argumenta que o videogame é único porque nós "fazemos" as coisas, diferente de um filme onde apenas assistimos. Se os criadores continuarem repetindo as mesmas mecânicas sem injetar ideias frescas, o cérebro do player para de responder e a experiência vira um trabalho braçal, perdendo aquele brilho de descoberta que a gente amava antigamente.

Para provar seu ponto, ele citou a era de ouro onde jogos como Half-Life 2, Gears of War, BioShock, Uncharted 2 e o primeiro The Last of Us definiram o molde do que é um AAA moderno. Naquela época, cada um desses títulos parecia querer trazer algo disruptivo para o espaço, mudando a forma como a gente interagia com o cenário ou contava a história, em vez de apenas polir a mesma fórmula de combate e exploração que vemos no PS5 e no PC hoje em dia.
O pior de tudo, segundo ele, é a obsessão das grandes empresas com o modelo de Games as a Service (GaaS). O Straley deu a letra que tentar copiar a fórmula de Overwatch, Fortnite ou Roblox não é uma estratégia viável para todo mundo e mostra que os líderes da indústria nem sabem qual é a própria marca. Essa busca incessante por lucro recorrente matou a estabilidade necessária para que os artistas possam inovar sem medo de o projeto flopar.

No fim das contas, o diagnóstico é pesado: falta liderança com convicção lá no topo, onde o dinheiro manda. Se quem assina o cheque entendesse a essência da criação, teríamos conversas honestas com os desenvolvedores para tirar a gente desse loop infinito de jogos que são lindos, mas vazios de alma. O Bruce Straley agora segue seu caminho na Wildflower Interactive, tentando provavelmente fazer o que a grande indústria esqueceu: arriscar.
Meu veredito? O cara falou a verdade, mesmo que tenha sido do jeito mais desajeitado possível. A gente sente isso na pele quando compra um jogo de $69.99 (cerca de R$ 380 reais) e percebe que é apenas um "mais do mesmo" com texturas em 4K. A indústria precisa de um choque de realidade antes que a gente canse de verdade de apertar os mesmos botões por mais duas décadas.

É triste ver que a inovação virou um risco financeiro inaceitável para as gigantes. Esperamos que esse papo reto do Straley sirva de alerta para a Sony, Microsoft e outras, porque beleza visual não sustenta gameplay chato por muito tempo. O jogador quer ser surpreendido, não quer apenas um simulador de checklist de missões secundárias.
Links Úteis
* X/Twitter do Bruce Straley



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