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Bungie deveria abandonar os shooters e reviver a série de estratégia Myth

Cara, vamos ser sinceros: a Bungie está mandando absurdamente bem com Marathon. Eles pegaram toda aquela bagagem colossal de FPS e jogaram no gênero de extraction shooter, que está com um hype surreal, entregando um jogo com uma estética única e um combate baseado em classes que é, literalmente, um soco na mandíbula de tão preciso. O design dos mapas é impecável e a história instiga a gente a querer descobrir cada detalhe desse mundo.

Mas aqui vai a minha opinião polêmica, aquele pitaco de quem já viu muita coisa no mundo dos games: eu trocaria Marathon agora mesmo por um jogo onde anões rabugentos explodem hordas de zumbis com coquetéis molotov. Sim, eu estou falando de Myth, aquela série de estratégia low-fantasy que a Bungie desenvolveu num intervalo curioso entre a trilogia original de Marathon e o lendário Halo: Combat Evolved.

Imagem Cena de  I wish Bungie 1

Para a galera mais nova, que nasceu no mundo do Xbox Series X ou do PS5, Myth é praticamente um "lost media". É uma ilha isolada na história da Bungie, focada quase totalmente em tiro. O problema é que hoje em dia é um pesadelo tentar jogar isso; você não acha os games para comprar online em lugar nenhum e fazer eles rodarem em máquinas modernas de PC exige que você pule por vários aros e use gambiarras técnicas que dariam orgulho a qualquer hacker.

O mais bizarro é pensar no impacto que Myth teve na época. Enquanto o gênero de estratégia estava ficando engessado, cheio de clones de Command & Conquer que focavam apenas em construir base e mandar hordas de unidades burras para cima do inimigo, a Bungie chegou chutando a porta com algo completamente diferente. Eles injetaram uma dose de adrenalina e tática pura num gênero que estava começando a flopar por falta de inovação.

Imagem Cena de  I wish Bungie 2

E olha que a ironia é total: a Bungie nem planejava entrar no mundo da estratégia. Depois de lançar Marathon Infinity em 1996, o plano era fazer outro FPS, mas dessa vez em 3D real. Só que o Jason Jones, mente brilhante da época, percebeu que o projeto estava ficando parecido demais com Quake. Em vez de insistir num caminho que seria apenas \"mais do mesmo\", ele teve a audácia de pivotar completamente o projeto para um gênero diferente.

O design de Myth foi a resposta direta ao que estava errado nos jogos de estratégia da época. Eles deletaram a parte chata de construção de base e a corrida para criar exércitos gigantescos, transformando tudo em puro gerenciamento tático de esquadrão. Você não era um arquiteto de bases, você era um comandante de campo lidando com a vida e a morte de cada soldado.

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O jogo te jogava num mundo de fantasia sombria, onde você controlava pequenas forças de guerreiros, arqueiros e a melhor parte: a artilharia anã. As missões eram diretas, como defender uma ponte ou escoltar um líder de vila, mas a execução era brutal. Inevitavelmente, os lacaios dos Lordes Caídos atacavam em números absurdamente maiores que os seus, forçando você a usar o cérebro para não ver seu exército ser deletado do mapa em segundos.

Myth era, acima de tudo, um jogo sobre inteligência. Diferente de muitos títulos da era, você não conseguia vencer apenas no "spam" de unidades. Cada posição no terreno importava, cada flecha disparada tinha peso e a coordenação entre os anões com suas bombas e a infantaria era o que separava a vitória de um game over humilhante. Era a definição de gameplay denso e recompensador.

Imagem Cena de  I wish Bungie 4

Sinto que o sucesso estrondoso de Halo acabou criando um \"piso falso\" na história da Bungie. Todo mundo olha para o Master Chief e esquece que a fundação da empresa foi construída com experimentações ousadas como as de Myth. A Bungie sempre teve esse DNA de desafiar o status quo, mas agora parece que eles estão presos na zona de conforto dos shooters, mesmo que sejam shooters excelentes.

Não estou dizendo que eles devam abandonar o que fazem hoje, mas imagine a potência de um reboot de Myth com a tecnologia atual. Um jogo de estratégia tática, com física moderna, destruição de cenário em tempo real e aquela atmosfera pesada de fantasia, seria um respiro absurdo num mercado saturado de battle royales e looter-shooters. Seria o momento perfeito para a Bungie mostrar que ainda sabe inovar fora da mira de um fuzil.

No fim das contas, a trajetória da Bungie é fascinante, mas deixa um vazio para quem ama estratégia. Ver a empresa dominando o mercado de tiro é ótimo, mas sinto falta daquela ousadia de mudar de gênero só porque o projeto estava ficando parecido com o da concorrência. A indústria precisa de mais riscos e menos fórmulas seguras.

Meu veredito é simples: Marathon é incrível, mas a alma da Bungie também reside naquelas batalhas sangrentas de Myth. Espero que algum dia a empresa olhe para o próprio passado e perceba que explodir zumbis com bombas de anões ainda é a melhor ideia que eles já tiveram.

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