Se você estava esperando que a Wrong Organ fosse apenas repetir a fórmula de Mouthwashing para surfar no hype, sinto informar que você errou feio. A galera decidiu dar um 'zig' onde todo mundo esperava um 'zag', e o resultado é Carcass Clad, um projeto que parece ter saído de um pesadelo febril misturado com simulador de guerra. Esqueça aquele foco narrativo sufocante do jogo anterior; aqui a pegada é outra, mas não pensem que eles abandonaram a escrita, porque a Wrong Organ se define como uma empresa de roteiristas, e isso transparece em cada detalhe do conceito.
O jogo chega como um roguelike co-op tank simulator, o que na prática significa que você e seus parças vão pilotar tanques em uma cidade onde as coisas deram terrivelmente errado. O desenvolvedor Jeffrey Tomec deixou claro que a narrativa roteirizada ficou em segundo plano desta vez, mas isso não quer dizer que o jogo seja vazio. A ideia é que a própria experiência de estar dentro do tanque, a sensação de claustrofobia e o peso da máquina, expressem a história de forma mais visceral, sem precisar de um texto mastigado na sua cara a cada cinco minutos.

Um ponto que me chamou a atenção foi a honestidade do Tomec sobre o perigo do multiplayer. Ele citou exemplos como Destiny, Redfall e até o modo co-op de System Shock 2, onde a tentativa de contar uma história profunda acaba sendo ignorada pelos jogadores ou, pior, torna-se intrusiva e chata. Ninguém quer parar um tiroteio frenético para ler três páginas de diálogo enquanto o parceiro está gritando no microfone. Por isso, em Carcass Clad, a história deve ser entregue de forma orgânica, respeitando o headspace de quem está jogando para destruir coisas.
Mesmo com a narrativa menos central, o worldbuilding parece estar absurdamente denso. A equipe já vem discutindo esse universo há um tempo, e embora seja a primeira vez que o público vê isso, eles já têm todo um material escrito sobre o que acontece nesse mundo. O mais importante aqui é: não é o mesmo universo de Mouthwashing. Não tente procurar conexões com a tripulação da Tulpar, porque Carcass Clad se passa em um cenário completamente diferente, com uma estética que lembra a Segunda Guerra Mundial, mas com aquele tempero de horror bizarro que a gente ama.
Se você der uma olhada na descrição do jogo no Steam, já sente o clima: "O santo da cidade, há muito tempo descansando, caminha novamente — dourado e profanado". Cara, isso é a definição de algo que vai ser perturbador e freak. Essa mistura de elementos religiosos com máquinas de guerra pesadas tem um potencial enorme para criar situações genuinamente desconfortáveis, fugindo do clichê dos jumpscares baratos que a gente vê em todo jogo de horror indie atualmente.

O grande risco aqui é o equilíbrio. Se eles exagerarem no roguelike e esquecerem a mão no clima, o jogo pode virar apenas mais um simulador de combate genérico. Mas, conhecendo o histórico da Wrong Organ, a chance de eles entregarem algo que nos deixe mentalmente instáveis é alta. Eles não estão tentando criar um blockbuster, estão tentando empurrar os limites do que um simulador de tanques pode comunicar emocionalmente, e isso é o que gera o verdadeiro hype.
No momento, Carcass Clad ainda não possui uma data de lançamento oficial, mas já está disponível para a famosa wishlist no Steam. Para quem curte aquela vibe de horror atmosférico misturado com gameplay cooperativo onde a comunicação é chave (ou onde você vai brigar com seus amigos porque alguém errou a mira do canhão), esse título é obrigatório.

Meu veredito preliminar é de otimismo cauteloso. Ver um estúdio pequeno se arriscando tanto após um sucesso narrativo é refrescante. Se conseguirem transmitir esse sentimento de 'profanação' e desespero através da jogabilidade, teremos um novo clássico do horror indie no PC. Agora é sentar, esperar e torcer para que a execução seja tão visceral quanto a premissa.



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