Sinceramente, eu já não sei mais o que esperar da Paramount. A empresa parece ter transformado a gestão da franquia Avatar: The Last Airbender em um verdadeiro episódio de caos corporativo, onde ninguém fala a mesma língua e o fã fica no meio do fogo cruzado. Recentemente, rolou aquele clima de velório quando surgiram notícias de que o ambicioso RPG AAA da série teria sido cancelado, deixando todo mundo que estava no hype com uma cara de tacho.
Mas calma, que a história deu uma reviravolta digna de roteiro de anime. O co-criador da série, Bryan Konietzko, resolveu botar a cara no Instagram para dar aquele "chega pra lá" nos boatos. Ele deixou bem claro que, apesar de quem esteja "chiando" por aí sem ter a informação real, o jogo não foi cancelado. Claro que ele admitiu que o projeto teve um baita retrocesso — porque fazer um jogo desse porte não é brincadeira — mas a chama ainda está acesa, e ele prometeu novidades para a San Diego Comic-Con, entre os dias 23 e 26 de julho.
Para quem não está acompanhando a novela, esse jogo foi anunciado lá em 2024 pela Paramount Games em parceria com a Saber Interactive (a galera de Warhammer 40,000: Space Marine). A ideia era fugir do óbvio: em vez de jogarmos com o Aang ou a Korra, teríamos a chance de controlar um Avatar inédito, em uma história ambientada milhares de anos no passado, em regiões do mundo que nunca foram exploradas nas séries. A promessa era de um action-RPG denso, onde a gente dominaria os quatro elementos e montaria um esquadrão de companheiros para enfrentar combates dinâmicos.
O problema é que a comunicação da Paramount é um desastre completo. De um lado, temos o Shawn Kittelsen, VP da Paramount Games Studio, que basicamente confirmou que o projeto tinha sido "canneado". Do outro, o criador da obra dizendo que é apenas um "reset". Isso cheira a desorganização total. É aquele tipo de situação onde o executivo de terno não sabe o que o artista está fazendo, e o resultado é esse telefone sem fio que deixa a comunidade maluca e com medo de que o projeto acabe flopando antes mesmo de sair do papel.
Se você acha isso estranho, olha o que aconteceu com o jogo de Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin. O projeto estava com a Black Forest Games, mas depois que a Paramount e a Skydance se fundiram em 2024, jogaram tudo no lixo e mandaram a PlatinumGames recomeçar do zero. Esse padrão de "resetar" projetos AAA parece ter virado a especialidade da casa. Se o RPG de Avatar seguir esse caminho, podemos esperar que o jogo mude completamente de direção, o que pode ser ótimo para a qualidade final, mas é um pesadelo para o cronograma de lançamento.
E não para por aí. Os bastidores da Paramount Skydance Corp estão mais instáveis que terreno de terra batida em dia de chuva. A empresa está tentando comprar a Warner Bros. e, para não levar canetada dos reguladores europeus por monopólio de entretenimento infantil, eles estão cogitando vender a Nickelodeon ou o Cartoon Network. Ou seja, a franquia Avatar pode mudar de dono a qualquer momento. Imagina o nível de bagunça: trocar a empresa dona da IP enquanto um jogo AAA está em desenvolvimento? É a receita perfeita para o desastre ou para um milagre.
Para completar o caos, até o elenco original entrou na briga. O Greg Baldwin, que dá a voz icônica ao Tio Iroh, não mediu palavras nas redes sociais e chamou os executivos da Paramount de "bastardos sem alma" e "malignos". Ele disparou que a cúpula da empresa tem desprezo por uma obra que fala sobre graça, redenção e a luta contra o fascismo. Quando o dublador de um dos personagens mais amados da história da TV começa a xingar a diretoria da empresa, você sabe que o clima interno está absolutamente tóxico.
Enquanto a gente espera para ver se esse RPG vai realmente acontecer no PS5, Xbox Series X ou PC, a Paramount ainda tenta salvar a pele com o filme Legend of Aang. O longa, que deveria ter saído nos cinemas bem antes, acabou sofrendo atrasos e vazou na internet, forçando a empresa a mudar a estratégia. Agora, a data oficial de lançamento é 9 de outubro no Paramount Plus. É mais um projeto que sofreu com a má gestão, mas que ainda gera expectativa por causa do peso da marca.
No fim das contas, a palavra de ordem aqui é esperança, mas com aquele pé atrás. O Bryan Konietzko quer que o jogo aconteça, mas ele não é quem assina os cheques. Ter um "reset" em um projeto AAA pode significar que eles estão polindo a experiência para não entregar um produto incompleto, ou pode ser apenas uma desculpa para esconder que o desenvolvimento virou um inferno. Se a Comic-Con em julho não trouxer um trailer ou algo concreto, eu vou assumir que esse jogo virou apenas mais um sonho distante.
Eu quero acreditar que teremos um mundo aberto vibrante para dominar a dobra de fogo e água, mas com a Paramount no comando, a chance de a gente receber um jogo genérico e sem alma é alta. A única coisa que salva é a paixão dos criadores originais, que parecem ser os únicos lutando para que a essência de Avatar não seja vendida por qualquer preço em uma mesa de negociações corporativas. Vamos ficar de olho, porque se esse jogo realmente sair e for bom, será um milagre administrativo.
O veredito é simples: a situação é confusa, a empresa é instável, mas o potencial do jogo é gigantesco. Se eles conseguirem transformar a visão do Konietzko em gameplay real, teremos um dos melhores RPGs da década. Caso contrário, teremos apenas mais um exemplo de como a ganância corporativa consegue destruir o potencial de IPs lendárias. Agora é contar as horas para julho e torcer para que a notícia seja boa.
Você acha que a Paramount vai conseguir entregar esse jogo ou vai flopar tudo como fez com a gestão do filme? Deixe sua opinião nos comentários!