Olha, eu já vi muita coisa estranha nesses meus 15 anos cobrindo a indústria, mas isso aqui bateu recorde de bizarrice. A Crunchyroll resolveu anunciar seu primeiríssimo pacote de assinatura conjunta, mas a escolha do parceiro é, no mínimo, questionável. Eles se juntaram à Starz, e o combo só pode ser assinado através do Prime Video. Sério, quem foi o gênio do marketing que achou que quem quer maratonar Demon Slayer: Infinity Castle também está doido para ver séries de época ou dramas intensos da Starz?
Para quem não está por dentro, esse pacote sai por $16.99 por mês, o que dá aproximadamente R$ 93,45 para nós aqui no Brasil. A ideia da Starz Networks, segundo a presidente Alison Hoffman, é expandir o alcance e apresentar o conteúdo premium deles para novos públicos. Só que a conta não fecha na minha cabeça; a distância entre a estética de um anime moderno e as produções da Starz é um abismo gigantesco. É como se tentassem vender um combo de sushi com costela no churrasco: ambos são bons, mas juntos ficam bem estranhos.
Se a gente analisar o catálogo da Starz, o negócio está bem morno. As séries principais do momento são Blood of My Blood (spin-off de Outlander) e Power Book III: Raising Kanan. No passado, eles tiveram sucessos como Spartacus e Ash vs. Evil Dead, que são pancadaria e gore puro, mas nada que converse diretamente com a comunidade otaku. Enquanto gigantes como Netflix, Hulu e a própria Amazon investem pesado em anime para atrair a galera, a Starz nunca quis saber disso, o que torna essa união ainda mais forçada.

Agora, olhando pelo lado estratégico, isso mostra que a Crunchyroll está querendo testar as águas de bundles dentro do ecossistema do Prime Video. O serviço da Amazon já funciona como um hub, onde você assina Paramount Plus, Peacock e HBO Max sem sair do app. Se isso der certo, poderíamos ver a Crunchyroll se unindo a serviços que realmente fazem sentido, como o RetroCrush ou o HiDive, que são focados em anime. Aí sim teríamos um buff real na experiência do usuário, em vez desse "estranhamento" atual.
Mas vamos falar do que realmente dói no bolso, porque a Crunchyroll anda num caminho perigoso. Em fevereiro, a empresa meteu um aumento de preços em todas as categorias. O plano Fan subiu de $7.99 (cerca de R$ 43,95) para $9.99 (aproximadamente R$ 54,95). O plano Mega saltou de $11.99 (cerca de R$ 65,95) para $13.99 (aproximadamente R$ 76,95), e o Ultimate foi de $15.99 (cerca de R$ 87,95) para $17.99 (aproximadamente R$ 98,95). É um aumento sistemático que começa a pesar para quem já paga várias assinaturas no PC ou no console.

Se você acha que só o preço subiu, prepare-se para a maior jabada de todas. A Sony, que manda na parada, decidiu restringir o acesso à loja da Crunchyroll. Agora, se você não for assinante dos níveis mais caros (Mega ou Ultimate), você não pode comprar Blu-rays, figures e outros colecionáveis físicos. Ou seja, eles basicamente transformaram a loja em um benefício de luxo, impedindo que o fã casual compre produtos da série que ele ama se não pagar a mensalidade mais alta. Isso é um flop total em termos de relacionamento com o cliente.
É claro que, apesar de toda essa ganância, a Crunchyroll ainda detém a maior biblioteca de animes do planeta. Não tem como fugir disso; se você quer conteúdo atualizado e variado, eles são a parada obrigatória. Mas a sensação é que a empresa está abusando da sua posição de monopólio para testar até onde os fãs aguentam ser explorados financeiramente. Entre bundles bizarros e travas na loja, o clima está ficando pesado.

Para quem busca mais Notícias sobre o mercado de streaming e games, fica o aviso: fiquem de olho nos seus gastos. A tendência é que esses serviços continuem criando combos para mascarar aumentos de preços. No fim das contas, a gente acaba pagando por coisas que nem quer assistir só para manter o acesso ao que realmente importa. É a era do 'empurrometro' digital.
Meu veredito é simples: esse combo com a Starz é irrelevante para 90% dos usuários de anime. É uma jogada corporativa para tentar salvar a audiência da Starz usando o hype da Crunchyroll. A Sony está tentando extrair cada centavo possível dos otakus, e essa estratégia de travar a loja é simplesmente vergonhosa. Espero que a comunidade se manifeste, porque se a gente aceitar tudo calado, o próximo passo é cobrarem por cada episódio assistido.


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