Sabe aquela vibe clássica de cidade futurista, com luzes de neon vibrantes refletindo em poças d'água e uma chuva que parece que nunca vai parar? Pois é, isso não é só um detalhe visual, é praticamente a lei fundamental de qualquer obra que se preze dentro do gênero cyberpunk. A gente cresceu vendo isso em animes, livros e filmes, onde a água serve para enfatizar a sujeira, a decadência urbana e aquele sentimento de isolamento mesmo estando cercado por milhões de pessoas. O hype em torno de qualquer projeto desse tipo sempre passa por essa pergunta: será que a atmosfera consegue transmitir esse peso melancólico e úmido?
Quando a CD Projekt Red soltou o Cyberpunk 2077, a promessa era de criar a cidade definitiva desse estilo. A Night City é um espetáculo visual, não dá para negar, e nós aqui da Gamer Elite estamos acompanhando cada atualização desde aquele lançamento conturbado. Mas, se a gente for analisar a fundo nas Notícias sobre o jogo, surge um debate interessante: será que o game é "molhado" o suficiente? Não estou falando só de ter partículas de chuva caindo da tela, mas de como essa umidade interage com o mundo e dita o ritmo da imersão do jogador.

Se você olhar para a história do gênero, a referência suprema é sempre Blade Runner. Aquele filme estabeleceu que o futuro é cinza, chuvoso e claustrofóbico. No Cyberpunk 2077, a tentativa de replicar isso é nítida, mas a implementação varia muito dependendo de onde você está no mapa. Em algumas áreas, a sensação de que a cidade está constantemente suando ou chorando é absurda, transformando o asfalto em um espelho negro que reflete toda a podridão e o luxo da metrópole.

Para que isso funcione tecnicamente, a CD Projekt Red apostou todas as fichas no ray tracing. No PC, especialmente para quem tem placas da Nvidia, esse efeito muda completamente o jogo. Ver a luz de um letreiro de neon batendo numa poça d'água em tempo real é o que separa um jogo comum de uma experiência verdadeiramente imersiva. Sem isso, a chuva vira apenas um filtro chato que atrapalha a visibilidade, mas com o ray tracing ligado, a água se torna um elemento arquitetônico da cidade, dando profundidade a cada beco imundo de Night City.
O problema é que, em certos momentos, a chuva parece ser apenas um "interruptor" de clima. Ou está seco, ou está chovendo, sem aquele degradê natural de neblina ou garoa fina que a gente vê em filmes mais densos. Às vezes, você sente que o clima foi colocado ali apenas para justificar o uso de tecnologias gráficas, e não para contar uma história através do ambiente. É aquele tipo de detalhe que, se você não for um fissurado em estética, passa batido, mas para quem busca a essência do cyberpunk, deixa um gosto de "quase lá".

Comparando com outras mídias, o jogo consegue entregar a sensação de opressão, mas falta aquela "sujeira úmida" constante. Sabe aquela sensação de que a roupa do personagem está pesada de água e que o ar é difícil de respirar? Isso é algo que o gameplay ainda não transmite totalmente. A chuva cai, as luzes brilham, mas o impacto sensorial na jogabilidade é quase nulo. O V, nosso protagonista, não parece se incomodar com o temporal, o que tira um pouco daquela pegada visceral que a gente esperava.

Do ponto de vista técnico, rodar esse jogo em 4K e 60fps no PC ou no PS5 mostra que a equipe se esforçou para que a água tivesse reflexos convincentes. A interação da chuva com as superfícies metálicas e o vidro dos prédios é de cair o queixo. No entanto, a gente sabe que no lançamento muita coisa flopou, e a performance era um desastre. Agora, com as atualizações, o foco mudou para o polimento, mas a questão da "umidade existencial" do gênero ainda parece ter sido deixada em segundo plano em prol da performance bruta.

No fim das contas, a água no cyberpunk não é sobre meteorologia, é sobre estado de espírito. Ela representa a lavagem inútil de uma cidade que nunca fica limpa. Cyberpunk 2077 entrega a parte visual com maestria, especialmente se você tiver o hardware necessário para empurrar os gráficos no máximo, mas falta aquele toque de melancolia que faz a chuva ser parte da narrativa e não apenas um efeito de pós-processamento. É um jogo lindo, mas que às vezes prefere ser "bonitinho" do que ser verdadeiramente sombrio.
Minha opinião sincera? O jogo é incrível e a redenção da CD Projekt Red foi real, mas a Night City ainda é um pouco "seca" demais em termos de alma. A chuva está lá, os reflexos estão lá, mas a conexão emocional com esse ambiente hostil e úmido poderia ser muito mais forte. A gente quer sentir o frio da chuva no pescoço enquanto foge da MaxTac, e não apenas ver pixels de água caindo na tela.
Mesmo assim, não dá para negar que o esforço técnico foi colossal. Se você quer ver o que o ray tracing é capaz de fazer, esse é o jogo. A experiência de dirigir por aqueles distritos iluminados sob um temporal é, sem dúvida, um dos momentos mais viscerais da nova geração de consoles e do PC. Só falta agora a equipe injetar um pouco mais dessa atmosfera pesada para que a cidade não pareça apenas um cenário de luxo, mas um lugar onde a chuva realmente castiga quem vive nela.



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