
Sabe aquele sentimento de olhar para a biblioteca do Steam ou do Xbox Series X e sentir que o backlog está te engolindo vivo? Pois é, todo gamer veterano passa por isso, mas a verdade é que sempre surge aquele jogo inesperado que faz a gente esquecer de tudo e focar apenas na gameplay. Nessa semana, mergulhei em algumas experiências que vão desde o puro suco da bizarrice indie até produções AAA que, surpreendentemente, acertaram a mão em coisas que a indústria costuma ignorar.
O cenário atual está bem dividido: de um lado, temos jogos que tentam reinventar a roda e, do outro, aqueles que pegam fórmulas consagradas e dão um tapa no visual. O mais interessante é perceber como a criatividade está voltando a reinar nos títulos menores, enquanto as grandes empresas ainda lutam para não deixar o jogo parecer um tutorial chato de duas horas. Vamos falar agora do que realmente prendeu a minha atenção e o que, sinceramente, pode virar o novo hype da temporada.

Se você acha que já viu de tudo em termos de mistura de gêneros, Chivalware chegou para provar que você está errado. Esse roguelike desenvolvido por um único dev é basicamente um mashup insano de ideias: imagina pegar a lógica de match-three, misturar com a pegada de Mega Man e jogar tudo isso num sistema de combate em grade ativa. Parece confuso? É porque é! Mas é justamente nessa bizarrice que o jogo brilha, entregando algo fresco que não parece mais aquele 'mais do mesmo' que a gente vê todo santo dia.
No jogo, você controla um cavaleiro do disco — sim, inspirado em disquetes, o que já entrega a vibe retrô — e a dinâmica de combate exige que você ative tiles da mesma cor para ganhar poder. O problema é que você não pode simplesmente ficar parado; tem que desviar dos padrões de ataque dos inimigos enquanto tenta montar a melhor build possível. A trilha sonora eletrônica dita o ritmo, transformando a luta numa espécie de dança frenética que é viciante demais. Tem até uma demo disponível no Steam para quem quiser sentir esse soco na cara logo de cara.

Agora, vamos falar do elefante na sala: 007 First Light. Vou ser sincero com vocês, eu não sou exatamente o maior fã de James Bond, então minha expectativa para esse título da IOI era praticamente zero. No entanto, depois de ver as primeiras impressões, decidi dar uma chance e, mano, que surpresa! O primeiro ponto positivo é o Patrick Gibson, que entrega um Bond com um carisma quase criminoso, conseguindo carregar o personagem com uma naturalidade que espanta qualquer ceticismo inicial.
Mas o que realmente me deixou de queixo caído foi a execução do tutorial. Enquanto a maioria dos jogos te entedia com textos infinitos, 007 First Light cria uma montagem de treinamento em Malta que é simplesmente genial. O jogo corta rapidamente entre combate, furtividade e direção, repetindo a estrutura cronologicamente para que você aprenda as mecânicas sem nem perceber que está em um tutorial. É cinema puro transformado em gameplay, provando que a IOI sabe exatamente como prender o jogador desde o primeiro minuto. Passear por MI6 e visitar o laboratório do Q é a cereja do bolo dessa experiência.

Nem tudo são flores no mundo gamer, e Split Fiction me mostrou isso da pior maneira possível: através do 'backseat gaming'. O jogo em si é uma jornada interessante no Xbox Series X, mas a experiência se torna um caos quando as crianças da casa decidem que sabem jogar melhor que os pais. Aquele fluxo constante de "aperta isso agora", "vai por ali" ou "você errou o tiro" consegue transformar qualquer momento de imersão num teste de paciência digno de um monge budista.
É engraçado como a dinâmica de cooperação em jogos como Split Fiction pode unir a família, mas também pode criar tensões absurdas. No fim das contas, a única solução para conseguir aproveitar a história sem ter um copiloto gritando no ouvido é adiantar o horário de dormir da molecada. O jogo tem seu valor e entrega a proposta, mas a verdadeira luta aqui não é contra os chefões, e sim contra a vontade de desligar o console quando alguém tenta ditar cada passo da sua jogada.

Para fechar, não teria como deixar de fora o beta de Mortal Shell 2 no PC. Eu confesso que sou viciado em qualquer coisa que seja Soulslike, mas ultimamente sinto que a fórmula começou a saturar um pouco. Aquele sentimento de descoberta do primeiro Dark Souls é difícil de replicar, e muitos clones acabam flopando por não terem identidade própria. No entanto, a sequência de Mortal Shell parece estar tentando resgatar exatamente esse 'rush' inicial, focando em detalhes minuciosos de combate e atmosfera.
O jogo não tenta reinventar o gênero, mas refina a experiência de forma que você se sente desafiado sem sentir que o jogo está trapaceando. A atmosfera é densa, opressiva e cada vitória parece uma conquista real, longe daquela facilidade excessiva que alguns jogos modernos adotam para não afastar o público casual. Se você gosta de sofrer enquanto joga e sente falta de um desafio genuíno, esse beta é um sinal de que o gênero ainda tem lenha para queimar e que a Mortal Shell pode se tornar um pilar importante para quem ama a dificuldade punitiva.
Olhando para tudo isso, fica claro que estamos em uma era de contrastes. Temos a perfeição técnica e cinematográfica de um 007 First Light convivendo com a experimentação corajosa de um Chivalware. Isso é o que mantém a indústria viva: a capacidade de nos surpreender tanto com o orçamento milionário quanto com a visão de um desenvolvedor solitário em seu quarto. Se a tendência continuar, teremos anos incríveis de diversidade de gêneros.
Meu veredito final é que você deve dar chances a jogos que parecem 'estranhos' à primeira vista. Muitas vezes, o que parece bizarro é apenas a inovação tentando abrir caminho. Não fique preso apenas aos blockbusters; explore as demos do Steam, teste as betas e, acima de tudo, tente jogar longe de quem quer te ensinar a jogar. No fim das contas, a magia dos games está justamente na nossa própria descoberta e na superação dos desafios, seja num tutorial estiloso ou numa grade de cores caótica.



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