Volta e meia a gente se pega navegando pelo catálogo de clássicos retrô da Nintendo, lembrando de quando a indústria quase foi pro buraco no final dos anos 80 e início dos anos 90. Foi justamente o glorioso NES que salvou a lavoura naquela época, trazendo centenas de experiências marcantes que moldaram a nossa infância gamer. Embora muita coisa boa já esteja disponível para a galera rejogar no Nintendo Switch Online, ainda existem buracos gritantes nessa seleção que simplesmente não fazem sentido. É inaceitável que dezenas de títulos fantásticos continuem mofando em cartuchos empoeirados sem dar as caras no serviço de assinatura da locadora do Paulo atualizada para os moldes modernos.
Pegando o embalo dessa discussão, nós aqui resolvemos listar dez joias esquecidas que merecem uma vaga urgente na plataforma da Nintendo. O primeiro da lista é o insubstituível Paperboy, lançado originalmente em dezembro de 1988. Enquanto outras versões tentavam imitar o visual do arcade de forma espalhafotosa, a adaptação do NES apostou em cores mais sóbrias e gráficos simplificados que casaram perfeitamente com o hardware da caixinha cinza. O controle milimetricamente calibrado transformava a entrega de jornais e a destruição proposital de janelas de vizinhos rabugentos em pura diversão de fim de semana.

Além de desviar de obstáculos na rua, o jogo contava com uma pista de treinamento casca-grossa que testava os reflexos de qualquer moleque da época. Fechar a semana inteira com assinantes fiéis e vidas sobrando era uma verdadeira prova de habilidade arcade que exigia muita precisão. Mesmo não sendo um RPG gigantesco, ele funcionaria perfeitamente hoje em dia para uma partida rápida, servindo até de combustível para um futuro remake nos moldes modernos na Steam.
Outra relíquia que a Taito nos presenteou em março de 1991 foi o excelente Kiwi Kraze, a adaptação de New Zealand Story. Nele, a gente controlava um simpático kiwi de botas e shorts que precisava correr, pular e saltar em cima de balões num mundo zoológico infestado de monstrinhos armados com arcos e armas de laser. O grande objetivo da jornada era resgatar os amigos passarinhos das garras de um morsa vilanesca que não dava trégua nenhuma nas lutas contra chefes.

O fator replay dessa pérola era absurdamente alto graças às passagens secretas, melhorias temporárias de armas e o level design pérfido cheio de paredes espinhosas. Se a Nintendo tivesse o mínimo de consideração com os fãs de plataforma desafiadora, esse clássico já estaria rodando a 60fps cravados na biblioteca do Switch. E a lista de esnobados não para por aí, avançando para julho de 1992, quando a Hudson Soft lançou Adventure Island 3 para a alegria dos donos do console.
Nessa continuação direta, o carismático Master Higgins voltava a correr sem camisa pelas fases tropicais, comendo frutas para manter a barra de energia cheia e arremessando martelos para abrir caminho contra os inimigos rastejantes. O nível de desafio sempre foi impiedoso, mas a diversão compensava cada morte injusta na base do reflexo. O fato de que nem esse terceiro jogo e nem o quarto episódio receberam localização ocidental na época do saudoso Virtual Console do Wii é uma falha histórica que precisa ser corrigida logo.

Para fechar o bloco dos esquecidos, vale citar o robusto Destiny of an Emperor, lançado pela Capcom em maio de 1989. Misturando exploração de mundo aberto e batalhas táticas por turnos inspiradas na clássica história dos Três Reinos, o título oferecia uma profundidade absurda que muitos RPGs modernos de PC e PlayStation invejariam. A Nintendo tem ouro puro nas mãos com esses arquivos e está dormindo no ponto ao ignorar o apelo nostálgico dos fãs mais velhos.
A verdade é que a curadoria atual do serviço online deixa a desejar quando ignora pilares históricos que ajudaram a construir o mercado de videogames que conhecemos hoje. Enquanto a empresa gasta tempo relançando porcaria genérica, dezenas de obras-primas continuam presas no limbo do esquecimento comercial. Fica o apelo para que a chefia escute a comunidade e abra a carteira de licenças para resgatar esses monumentos do entretenimento digital.



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