Olha, a gente já sabe que a Nintendo gosta de manter aquela imagem de 'empresa para a família', mas às vezes eles levam isso a um nível quase obsessivo. Quem acompanha o cenário indie sabe que tentar colocar um jogo com conteúdo adulto ou mesmo piadas mais ácidas no Nintendo Switch é como tentar passar por um detector de metais carregando um arsenal de guerra. O caso de Dispatch, a comédia de super-heróis no ambiente de trabalho da AdHoc, é o exemplo perfeito de como a Big N consegue transformar qualquer coisa em conteúdo para crianças, mesmo quando o jogo não foi feito para isso.
Quando Dispatch finalmente estreou nas plataformas da gigante japonesa, incluindo o Switch 2, a comunidade entrou em choque. Não foi pelo gameplay, mas porque o jogo chegou bizarramente censurado. Personagens tinham mamilos e genitálias cobertos por caixas pretas genéricas e aqueles sons de prazer sexual, que fazem parte do tom escrachado da obra, foram completamente silenciados. Ficou parecendo que a AdHoc tinha entregado uma versão 'light' para o público infantil, o que gerou um hype negativo e deixou a galera bem p*** da vida.

Mas a AdHoc não é boba e sabe que, no mundo dos games, a melhor resposta para a censura é o deboche. Eles lançaram agora a atualização chamada HR Violations Pack, um nome genial que já entrega a proposta: transformar as violações de RH em parte da piada. Esse pacote já está disponível para download na Europa, América do Norte, Austrália e Nova Zelândia, permitindo que os jogadores escolham se querem ou não ver seios, bundas e aqueles gestos obscenos que dão a alma ao jogo.
Só que aqui entra o 'balde de água fria'. Mesmo com o update, existem algumas exigências da Nintendo que são inegociáveis, as chamadas 'hard requirements'. Ou seja, os gemidos sexuais continuam mudos e você ainda não vai ver um pênis renderizado na tela. A Nintendo simplesmente não deixa. Para contornar isso sem deixar o jogo com cara de escritório de advocacia, a AdHoc resolveu ser criativa e transformou a censura em um elemento de customização.

Agora, quem joga no Switch pode escolher como quer que a 'região proibida' seja escondida. Você pode ir pelo caminho elegante com um mosaico, usar as clássicas barras pretas ou abraçar o caos total. E é aqui que a coisa fica maravilhosa: no modo 'caos', o membro masculino dos personagens é substituído por coisas absurdas, como shorts jeans curtíssimos — os famosos jorts — ou, pasmem, um donut de geleia escorrendo. É a definição de transformar um limão em uma limonada bem doida.
Para quem joga no Steam ou no PS5, a situação é bem mais tranquila. Nessas plataformas, a versão sem censura continua sendo o padrão, mas a AdHoc resolveu liberar essas opções de censura 'engraçada' para todo mundo também. Quem quiser ver um donut onde deveria estar um pênis no PC agora pode. E a promessa é que, quando o jogo chegar no Xbox em meados do ano, a experiência também seja totalmente libertária e sem essas travas chatas da Big N.

Apesar desse rolo todo com a censura, Dispatch foi um sucesso estrondoso de vendas. O jogo vendeu mais de 1 milhão de cópias em apenas 10 dias após o lançamento inicial no ano passado. É impressionante como o público abraçou essa mistura de Visual Novel, Puzzle e Estratégia com um roteiro tão ácido. Esse resultado financeiro deu confiança total para a AdHoc planejar os próximos passos da franquia.
Inclusive, a empresa já está analisando a possibilidade de criar uma segunda temporada para o jogo. E o melhor: eles já deram a pista de que a sequência pode ter ainda mais cenas de sexo, justamente por causa da resposta 'faminta' dos fãs na primeira temporada. Basicamente, a AdHoc percebeu que quanto mais a Nintendo tenta esconder, mais as pessoas querem ver, e eles vão surfar nessa onda de hype até onde for possível.

No fim das contas, a gente vê que a luta entre a liberdade criativa e as regras das plataformas é eterna. É cansativo ver empresas como a Nintendo tentando controlar cada pixel de conteúdo, mas ver a AdHoc respondendo com donuts de geleia é a prova de que a criatividade sempre vence o puritanismo. Eles não apenas resolveram o problema, mas adicionaram uma camada de humor que combina perfeitamente com a proposta do jogo.
Meu veredito é que essa atualização é um exemplo de como lidar com crises de imagem. Em vez de brigar publicamente ou aceitar a censura calada, eles transformaram a limitação técnica em gameplay e piada. Se você curte jogos com roteiros ousados e não se importa de ver um super-herói de jorts, Dispatch é obrigatório. Agora é só esperar para ver se a Nintendo vai aceitar a segunda temporada ou se vai tentar transformar o jogo inteiro em um simulador de chá das cinco.



💬 Comentários da Comunidade
Carregando comentários...