Olha, se tem uma coisa que a gente aprendeu nos últimos anos é que adaptar material de nicho é um terreno perigoso, mas o diretor Duncan Jones resolveu entrar a fundo nisso de novo. Depois de ter passado pelo trauma de ver Warcraft ser recebido com aquele frio na barriga (e muita crítica negativa), o cara agora está focando todas as suas energias em Rogue Trooper, baseado nas HQs da lendária editora britânica 2000 AD. Nós aqui da Gamer Elite ficamos de olho e a proposta parece bem mais pé no chão e visceral do que as tentativas anteriores de levar esse universo para as telas.
Enquanto a DC e a Marvel dominam o mundo com suas fórmulas saturadas de heróis engomados, a 2000 AD sempre teve aquela pegada punk, suja e politicamente incorreta que a gente ama. O Duncan Jones deixou claro que quer manter essa essência, fugindo de qualquer tentativa de transformar o filme em um produto corporativo sem alma. A ideia é entregar algo que seja engraçado, sangrento e com aquele subtexto político que não atrapalhe a diversão, mantendo a crueza que as páginas da HQ original de Gerry Finley-Day e Dave Gibbons entregavam desde 1981.

Para quem não está por dentro da lore, a história se passa em Nu-Earth, um planeta devastado por uma guerra eterna entre as facções dos Norts e dos Southers. O protagonista é o soldado 19, um Genetic Infantryman modificado geneticamente para aguentar a atmosfera tóxica do lugar. O detalhe mais insano é que esses soldados possuem chips onde suas consciências são armazenadas, permitindo que sejam transferidos para novos clones. O 19 carrega consigo os chips de seus irmãos mortos em seu equipamento, criando uma dinâmica de grupo bizarra e fascinante.
No quesito técnico, o diretor decidiu não dar tudo mastigado para o público, preferindo que a gente preencha as lacunas da história enquanto assiste. Isso é um alívio, porque ninguém aguenta mais aqueles filmes que gastam 40 minutos de exposição chata explicando como o mundo funciona. Para viabilizar a produção com um orçamento apertado, foi utilizado um mix de estilos de animação, com apenas 10 dias de filmagem real. Foi um processo bem mais enxuto do que a produção massiva de Warcraft, que consumiu tempo e dinheiro de forma absurda.

O elenco é outro ponto que gera um hype considerável, trazendo nomes como Sean Bean, Jemaine Clement e Matt Berry. Para evitar a demora infernal da captura de movimento completa que ele usou em 2016, o Duncan Jones capturou apenas as faces e as vozes dos atores. O restante do corpo foi resolvido depois, misturando dublês com animação feita à mão, o que deve dar um visual único e menos 'estranho' do que aquele vale da estranheza que vimos em algumas produções de CGI recentes.

É nítido que o diretor ficou marcado pelo fracasso de Warcraft, que flopou tanto de crítica quanto de público em certos mercados. Por causa disso, ele foi sincero ao dizer que nem sequer pensa em sequências para Rogue Trooper. O objetivo agora é fazer com que o filme funcione como uma obra única e independente. Se ele conseguir entregar um resultado sólido, espera que a 2000 AD ganhe confiança para investir em outras adaptações de seus personagens, que são absurdamente variados e interessantes.
Honestamente, essa abordagem de 'um filme só' é a melhor escolha possível. Tentar criar um universo compartilhado logo de cara é o que está matando a maioria das franquias hoje em dia. Quando você foca em fazer uma história fechada e bem amarrada, as chances de sucesso são muito maiores do que prometer um império cinematográfico que nunca sai do papel ou que entrega produtos genéricos.

No fim das contas, Rogue Trooper tem tudo para ser aquela surpresa do ano, especialmente para quem gosta de ficção científica com substância e um visual experimental. Se o Duncan Jones conseguir traduzir a anarquia da 2000 AD para a animação, teremos um material digno de ser assistido e discutido por horas. Agora é torcer para que a execução técnica acompanhe a ambição do roteiro e que a gente não seja decepcionado novamente.



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