Se você é fã de Hades, provavelmente já se apaixonou por aquela mistura viciante de combate frenético e dramas familiares intensos. Mas deixa eu te contar um segredo de quem já viu muita coisa nesse mercado: antes mesmo do Zagreus começar a dar respostas atravessadas para o pai no submundo, a galera da Dead Mage já estava entregando um banquete de emoções e pancadaria em Children of Morta. É aquele tipo de jogo que, por algum motivo, muita gente deixou passar batido, mas que merece todo o hype do mundo.
O lance aqui não é só subir degraus e matar monstros; é sobre a família Bergson e a luta desesperada para proteger a montanha sagrada de uma corrupção bizarra. A premissa é simples, mas a execução é magistral, transformando a mecânica de morrer e tentar de novo — a alma de qualquer roguelike — em um motor para a narrativa. Você não está apenas resetando o mapa, você está voltando para casa para descansar e lidar com os problemas reais de quem vive sob a mesma pressão.

Para quem gosta de saber a procedência da coisa, a Dead Mage conseguiu funding para o projeto lá em 2015, mas o jogo só chegou ao Early Access na Steam em 2019. O sucesso foi tanto que, quando o jogo saiu da fase de testes em 2020, os desenvolvedores acabaram adicionando muito mais personagens e itens do que planejavam originalmente. Isso mostra que o loop de gameplay pegou a galera de jeito e eles não quiseram soltar o osso, expandindo a experiência para algo muito mais denso.
O coração do jogo reside na dinâmica dos Bergson. Imagine que você tem uma espécie de série de família, mas em vez de discussões sobre quem lavou a louça, eles discutem estratégias de combate em um mundo de pixel art lindíssimo. Cada membro da família tem seus erros, suas falhas e seus traumas, mas é justamente isso que torna a conexão entre eles genuína. Não é aquele roteiro engessado de RPG genérico; você sente que eles realmente se importam uns com os outros enquanto tentam não ser obliterados por hordas de monstros.

No campo do combate, a diversidade de builds é onde o jogo brilha. Temos o John, o pai e guerreiro, que assume a função de tank e defensor do grupo. Ele é aquele cara que coloca o corpo na frente para proteger a família, sendo excelente em escudos, embora não tenha o dano mais explosivo do elenco. Já a pequena Lucy é o completo oposto; a magia dela é caótica, barulhenta e devastadora, capaz de incinerar a tela inteira, mas, como é uma criança, ela é extremamente frágil e não aguenta dois tapas sem ir pro chão.

E não podemos esquecer da Linda, a mãe e arqueira, que traz a precisão necessária para limpar o campo de longe. O jogo foi desenhado para ser jogado em co-op, onde a sinergia entre esses personagens é a chave para a sobrevivência. Quando você joga com um parceiro no PC, as fraquezas de um são compensadas pelas forças do outro, criando aquela sensação de parceria que pouquíssimos jogos de ação conseguem entregar com tanta naturalidade.

Claro que, para quem prefere o modo solo, o jogo continua sendo animal graças às opções de customização e às árvores de habilidades profundas. O mapa é gerado proceduralmente e os itens aparecem de forma aleatória, o que significa que aquela "run perfeita" nunca é garantida. Isso força o jogador a improvisar e a experimentar builds diferentes, transformando cada tentativa em um experimento tático onde a adaptabilidade é mais importante do que decorar o mapa.
O mais interessante é que a derrota em Children of Morta não é punitiva daquela forma frustrante que faz você querer quebrar o controle. Pelo contrário, morrer é recompensador. Cada falha gera recursos que permitem melhorar a casa da família e evoluir os atributos dos personagens. Esse ciclo de progressão constante tira aquele peso de "perdi todo meu progresso" e coloca o foco na evolução gradual do clã Bergson.

Olhando para trás, é impressionante como a Dead Mage conseguiu criar algo tão coeso. O jogo não tenta ser um simulador complexo, mas foca no que importa: combate satisfatório e personagens memoráveis. Se você curte a pegada de roguelikes mas sente falta de uma história que te prenda emocionalmente, esse título é obrigatório. Não deixa esse jogo flopar na sua biblioteca só porque ele não teve o marketing de um AAA.
Meu veredito é simples: Children of Morta é uma obra-prima do indie que prova que pixel art e cooperação podem criar memórias inesquecíveis. Seja jogando sozinho para meditar sobre a vida ou com um amigo para causar o caos total, a experiência é gratificante do início ao fim. Se você ainda não baixou, corre lá na Steam e dá uma chance para essa família, porque eles realmente entregam tudo.



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