Cara, vamos falar a verdade: eu sou completamente fissurado em cinema de horror. Nos últimos anos, eu mergulhei de cabeça naqueles clássicos que prezam mais pelo suspense do que por sustos baratos, mas acabei descobrindo que meu verdadeiro amor são os efeitos práticos nojentos, aquele camp visual absurdo de A Nightmare on Elm Street ou as bizarrices de The Thing. É aquele tipo de cinema que você assiste sentindo o cheiro do sangue e do látex, sabe? Agora, se a gente falar de Hellraiser, a conversa muda. Os designs dos Cenobitas são, sem dúvida, algumas das coisas mais aterrorizantes e impecáveis já criadas para o cinema, mas vamos ser sinceros: os filmes, em sua maioria, são um tédio total quando os personagens começam a abrir a boca para falar.
É justamente por isso que eu fiquei com o hype lá no alto quando soube do que a Saber Interactive está preparando. A gente já viu muita adaptação de filme que flopou miseravelmente, mas Hellraiser: Revival parece estar seguindo o caminho certo desde o primeiro segundo. O jogo não perde tempo com diálogos expositivos chatos; ele simplesmente te entrega uma espingarda e te joga num cenário visceral. Para quem, como eu, acha que o horror real vem da atmosfera e do impacto visual, esse projeto já nasce com uma vantagem gigantesca sobre a franquia cinematográfica, transformando a agonia passiva do cinema em algo interativo e brutal.
Eu tive a chance de conferir uns 40 minutos de gameplay e a primeira palavra que vem à mente é: nojento. No melhor sentido possível, claro. O nível que explorei se passa em um clube de fetiche de um culto, e o ambiente é absolutamente saturado de referências a BDSM, brinquedos sexuais e armadilhas de urso reais espalhadas pelo chão. É um clima pesado, claustrofóbico e genuinamente perturbador. A Saber Interactive não está tentando limpar a imagem da obra de Clive Barker para agradar a massa; eles abraçaram a natureza "safada" e sádica do material original, criando um ambiente onde o perigo e o prazer caminham lado a lado de forma bem visceral.
No quesito combate, a coisa fica ainda mais interessante. Eu me peguei retalhando braços de cultistas usando o Jagged Messer, que é basicamente um facão gigante descrito no jogo como a "arma perfeita para evisceramento". O combate é bruto e satisfatório, mas não é apenas apertar botão. Alguns inimigos usam roupas de couro que servem como armaduras eficientes, forçando você a pensar na melhor estratégia para derrubá-los. A tensão é constante, especialmente quando você percebe que a munição é escassa e cada tiro de espingarda conta para a sua sobrevivência.
O grande diferencial aqui, porém, é a Lament Configuration, a icônica caixa de quebra-cabeça da série. No jogo, ela não é apenas um item de história, mas uma ferramenta mecânica poderosa. Eu consegui usar a caixa para sugar a essência de fogo de um braseiro e dispará-la como se fosse um lança-chamas contra os inimigos. Essa dinâmica me lembrou demais os plásmidos de BioShock, onde você manipula elementos do cenário para virar o jogo. Não chega a ser um immersive sim completo, mas a influência é clara: ambientes detalhados, gavetas para revirar em busca de munição e diários de áudio que contam a história daquele lugar maldito.
Mas a experiência realmente escala quando você é teleportado para a dimensão do inferno. Esqueça os sótãos apertados dos filmes; aqui a gente tem corredores que se transformam e salas inspiradas nas obras de Escher, onde você precisa usar a Lament Configuration para rotacionar paredes e pisos para conseguir avançar. É um design de nível inteligente que quebra a monotonia do combate. E para fechar com chave de ouro, encontrei um dos prompts de botão mais geniais que já vi em anos: "Pressione F para Aumentar o Sofrimento". Sério, que tipo de redator maluco e maravilhoso escreveu isso? É a personificação perfeita do espírito de Hellraiser.
A Saber Interactive define o título como "survival horror action", e isso faz todo o sentido. O jogo parece orbitar naquele espaço certeiro entre o horror puro e a ação visceral, lembrando bastante o equilíbrio que a Capcom encontrou nas versões mais recentes de Resident Evil. Você sente medo, sente a pressão da escassez, mas quando finalmente consegue descarregar a arma num monstro, a sensação de poder é recompensadora. É um ritmo que mantém o jogador engajado sem deixar que o medo se torne tedioso ou a ação se torne genérica.
No fim das contas, Hellraiser: Revival parece ser a prova de que algumas franquias funcionam muito melhor quando saem da tela do cinema e vão para as mãos do jogador. A atmosfera é densa, as mecânicas de puzzle são instigantes e a coragem de manter os temas adultos e controversos do material original é louvável. Se o jogo final entregar a mesma qualidade dessa demonstração, teremos um dos títulos de horror mais marcantes para PC, PS5 e Xbox Series X nos próximos tempos.
Meu veredito antecipado é que esse jogo tem tudo para ser um sucesso estrondoso entre os fãs de gore e terror psicológico. A Saber Interactive pegou a essência do sofrimento e da luxúria de Clive Barker e transformou isso em gameplay sólido. Se você curte sentir aquele frio na espinha enquanto explode cabeças de demônios em dimensões impossíveis, pode colocar esse título no topo da sua lista de desejos na Steam. Só não venha reclamar depois que o jogo for "pesado demais", porque ele não está aqui para dar abraços, mas para torturar a gente da melhor forma possível.
Você teria coragem de resolver a Caixa da Lamentação ou prefere passar longe desse nível de sofrimento? Deixe sua opinião nos comentários!