Se você acompanha as Notícias de entretenimento, com certeza sabe que a série do Reacher no Prime Video é um absurdo de boa. O alívio dos fãs dos livros do Lee Child foi gigante quando viram que o Alan Ritchson não era apenas um rosto bonito, mas um cara genuinamente colossal, com os 1,95m de altura que o personagem exige. O cara se move como um trem desgovernado, derrubando todo mundo no caminho, e finalmente entregou a fantasia de ver um detetive militar imparável que não tem lugar fixo para morar.
Mas a real é que, antes desse sucesso estrondoso da série, a gente teve a versão do Tom Cruise nos cinemas. E olha, a internet simplesmente massacrou o cara na época. O motivo? O Tom Cruise tem cerca de 1,70m, o que para os puristas dos livros foi um nerf imperdoável no personagem. A galera ficou indignada com a escala do herói e acabou carimbando os filmes como duds, ou seja, fracassos totais, sem nem dar a chance de analisar a obra além da estatura do ator.

Agora, papo reto aqui: a gente precisa parar de julgar o livro pela capa (ou o ator pela altura). O primeiro Jack Reacher não é só "aceitável", ele é genuinamente sólido. O filme acabou de voltar para o catálogo do Tubi e está disponível de graça, o que é a desculpa perfeita para você tirar o preconceito da frente. Enquanto a sequência, Jack Reacher: Never Go Back, é admittedly um tédio completo, o primeiro longa segue aquela receita de ouro dos filmes de estúdio de médio orçamento que quase sumiram hoje em dia.

O roteiro pega a trama do nono livro, One Shot, e transforma em um suspense urbano elegante. Temos o James Barr, um ex-sniper do exército, sendo acusado de um massacre em Pittsburgh, e o Jack Reacher entrando na jogada para descobrir se o cara foi realmente armado. A dinâmica entre o Reacher e a advogada Helen Rodin, interpretada pela Rosamund Pike, funciona muito bem, criando aquele clima de investigação clássica que a gente ama, longe dos efeitos exagerados que dominam o cinema atual.

Um ponto que merece todo o hype é a direção do Christopher McQuarrie. Se você curte os filmes recentes de Mission: Impossible, saiba que a sintonia absurda entre ele e o Tom Cruise começou a ser lapidada aqui. O cara sabe filmar ação sem precisar de mil cortes por segundo, e as cenas de perseguição de carro nesse filme são fantásticas. Além disso, ter o lendário Werner Herzog como o vilão é um luxo; o monólogo dele sobre ter comido os próprios dedos como prisioneiro de guerra é simplesmente arrepiante.
Para completar o elenco de peso, ainda temos o Robert Duvall fazendo aquele papel de velho ranzinza dono de um estande de tiro, o que dá um tempero especial para a narrativa. O filme é atmosférico, moody e não tenta ser mais do que é: um thriller policial bem feito. É aquele tipo de conteúdo que você coloca para rodar no seu PC ou na TV num domingo à tarde e termina satisfeito, sem sentir que perdeu tempo com algo genérico.

No fim das contas, é engraçado pensar que a série da Amazon talvez nem existisse se os filmes do Tom Cruise não tivessem levado o nome do personagem para o grande público primeiro. Muita coisa que a série acerta hoje foi testada e aprovada nos filmes, e as falhas da produção cinematográfica serviram de guia para que o reboot na TV fosse tão preciso. É a prova de que, mesmo quando algo flopou na opinião dos fãs mais fervorosos, ainda existe valor técnico ali.
Então, meu veredito é: ignorem a polêmica da altura. O Tom Cruise entrega um Jack Reacher introspectivo, inteligente e perigoso, mesmo que ele não precise olhar para cima para falar com ninguém. Se você gosta de tramas de conspiração, tiros precisos e aquele clima de crime noir moderno, corre para assistir enquanto está grátis.

Vale a pena dar esse play para entender como o cinema de suspense evoluiu e como a parceria McQuarrie e Cruise se tornou a máquina de hits que é hoje. Às vezes, a gente se deixa levar tanto pelo discurso da internet que esquece de apreciar um filme que é, no fundo, muito bem executado. Bora dar esse crédito ao cara!



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