Se você achou que o sucesso de Lies of P ia fazer a galera descansar no louro, achou errado. O estúdio por trás dessa obra, que conseguiu entregar um dos melhores soulslikes dos últimos tempos, resolveu chacoalhar as coisas e anunciou que não se chama mais Round8. Agora, os caras assumiram a identidade de Nough, um nome que vem de "Not Enough" (não é o suficiente), o que já entrega logo de cara que a ambição dessa equipe está num nível absurdo.
Para contar tudo isso, eles soltaram um mini documentário de 16 minutos que é basicamente um manifesto sobre a cultura da empresa e o que eles planejam para o futuro. A pegada agora é o lema "Games by Gamers", tentando mostrar que quem está codando e desenhando os bosses é a mesma galera que passa madrugadas sofrendo para platinar jogos difíceis. A gente viu isso acontecer em várias Notícias recentes da indústria, mas raramente um estúdio coreano se abre tanto sobre seus processos internos.

Sobre a mudança de nome, ainda rola aquela dúvida se a Nough é um rebrand total da Round8 ou se foi criada como uma spin-off da Neowiz, que é a publicadora. Mas, na real, isso não muda nada para nós, jogadores. O que importa é que a equipe original, que acertou em cheio na ambientação e no combate do primeiro jogo, continua no comando e está com a faca e o queijo na mão para expandir esse universo.
O papo agora é a sequência, que já está em produção total, embora ainda não tenha um nome oficial ou um trailer matador para gerar aquele hype insano. O diretor de combate, Lee Jeonghyeon, não economizou nas palavras e mandou a real: o objetivo dele desde o começo é criar o maior jogo de ação do mundo. Pode parecer arrogante, mas vindo de quem fez o sistema de parry de Lies of P, a gente tende a acreditar que eles sabem o que estão fazendo.

O diretor geral, Choi Jiwon, complementou dizendo que a meta é manter a mesma paixão do primeiro título, focando em criar algo que eles mesmos teriam vontade de jogar. Ele acredita que o público consegue sacar na hora quando um jogo foi feito com dedicação real ou quando é apenas mais um produto corporativo feito para bater meta de vendas. Para ele, a confiança dos fãs é a base de tudo, e ele prometeu que a espera pela sequência valerá cada segundo.
Um ponto que achei animal no documentário foi a forma como eles testam os jogos. A Nough implementou o "Game Day", onde o estúdio inteiro para o que está fazendo para jogar a build atual do game e depois preencher pesquisas detalhadas sobre a experiência. Essa cultura de feedback interno foi o que permitiu que Lies of P tivesse modos de dificuldade ajustados e que a expansão Overture passasse por cortes e mudanças narrativas pesadas para não flopar.

Além do "Game Day", o Choi costuma fazer streams de playtests para a empresa inteira assistir em marcos importantes do desenvolvimento. Isso cria um ciclo de melhoria contínua que é raro de ver, especialmente em projetos de grande escala para PC, PS5 e Xbox Series X. É esse nível de detalhismo que fez a expansão Overture ser tão bem recebida, mesmo que o jogo base tenha dividido opiniões entre alguns críticos mais rigorosos.

Na moral, ver um estúdio assumindo que "nunca é o suficiente" é animador. A maioria das empresas hoje em dia lança o jogo cheio de bug, pede desculpas e tenta consertar com patch por seis meses. A Nough parece estar indo no caminho oposto, polindo cada mecânica de combate e refinando a história antes mesmo de mostrar a primeira imagem da sequência para o público geral, o que é a decisão mais inteligente possível.
Se eles conseguirem traduzir essa obsessão por qualidade na sequência, temos grandes chances de ver um jogo que não só compete com os gigantes da FromSoftware, mas que talvez defina um novo padrão para o gênero de ação. O foco em ser "feito por gamers para gamers" é um clichê, mas quando a execução é impecável, a gente aceita o discurso.

Meu veredito é que a mudança de nome para Nough é um recomeço estratégico. Eles sabem que o primeiro jogo foi um sucesso, mas não querem ficar presos ao passado. Agora é a hora de provarem que conseguem subir a régua e entregar aquele "maior jogo de ação do mundo" que prometeram. Vou ficar de olho, porque se a qualidade de Overture for a base para a sequência, nós estamos diante de um monstro.



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