Cara, a expectativa para Persona 6 está num nível absurdo desde que a Atlus resolveu dar as caras no Xbox Showcase. A gente sabe que a franquia é mestre em criar aquele loop de gameplay viciante, misturando vida escolar com exploração de dungeons, mas nem tudo são flores nesse paraíso dos JRPGs. Enquanto a maioria de nós está contando os segundos para descobrir a nova temática e o novo elenco, uma parte considerável da comunidade já começou a suar frio lembrando de certas 'tradições' da série.
O problema da vez é aquele tropo cansativo das cenas de banhos termais, que já viraram quase um ritual obrigatório desde Persona 3. A ideia no papel é simples: levar a galera para as férias para que o jogador conheça melhor os personagens em um ambiente relaxado. Só que, na prática, isso sempre virou uma desculpa rasa para colocar as personagens femininas com quase nada de roupa, rindo e elogiando os corpos umas das outras em diálogos que parecem ter sido escritos por alguém que nunca conversou com uma mulher na vida real.

Se você já jogou Persona 3, Persona 4 ou até o spinoff Persona 5 Strikers, sabe exatamente do que eu estou falando. A fórmula é sempre a mesma: existe um horário separado para homens e mulheres, mas, claro, acontece algum mal-entendido bizarro que faz com que os rapazes acabem ouvindo a conversa das garotas. Em vez de avisarem que estão ali, os protagonistas ficam em silêncio por medo, e quando as meninas descobrem, começa aquela confusão onde os garotos apanham por serem 'voyeurs'. É um roteiro que flopou há décadas, mas que a Atlus insiste em repetir.

O papo reto aqui é que isso não é nem ofensivo, é apenas datado e sem graça. A galera no Reddit está em peso pedindo para que esse tipo de conteúdo seja deletado do próximo jogo. Tem gente que até tolera, mas a maioria sente que essas cenas quebram totalmente o ritmo da história e tiram a profundidade dos personagens para entregar um fanservice barato. É aquele momento do jogo que você quer dar skip o mais rápido possível para voltar ao que realmente importa: a progressão dos Social Links e o combate estiloso.

A Atlus não inventou a roda; esse clichê de banho era onipresente nos RPGs dos anos 90, como em Lunar: Silver Star Story, Suikoden 1 e 2, e Tales of Symphonia. Porém, o mundo mudou e a forma de escrever personagens também. Para ter uma ideia de como fazer certo, a gente pode olhar para Xenoblade Chronicles 3. O jogo tem cenas de banho, mas usa isso para reforçar a trama: os personagens não têm noção de sexo ou romance porque foram privados de sua humanidade. Ou seja, a cena serve à história, em vez de ser apenas um momento de 'olha que menina bonita'.

Essa discussão não é nova nas Notícias da comunidade; existem posts de seis anos atrás implorando para que a Atlus pare de enfiar esses momentos 'fora de personagem' nos jogos. Alguns fãs sugeriram até inverter os papéis, fazendo as meninas serem as curiosas da vez, o que daria um frescor muito maior e talvez até fosse engraçado de verdade. Outra saída seria usar esses momentos de intimidade para conversas profundas sobre os traumas e sonhos do elenco, em vez de focar no tamanho do busto de alguém.
Se a Atlus quiser que Persona 6 seja visto como um salto evolutivo na narrativa, ela precisa entender que o público amadureceu. Não precisamos mais de piadas de 'mal-entendido no banheiro' para nos sentirmos próximos aos personagens. A série já provou que sabe tratar de temas complexos como depressão, isolamento social e corrupção sistêmica, então manter esse tipo de cena é quase um nerf na qualidade do roteiro.

Esperamos que, ao lançar o jogo para Xbox e PlayStation, a empresa traga uma abordagem mais moderna. O hype está altíssimo e seria uma pena ver a imersão ser quebrada por um clichê de anime genérico de 20 anos atrás. No fim das contas, a gente só quer personagens bem escritos e situações que façam sentido dentro do universo do jogo.
Meu veredito é simples: se Persona 6 vier com a mesma cena de banho preguiçosa dos anteriores, vai ser um ponto negativo bem chato em um jogo que tem tudo para ser perfeito. É hora de a Atlus aposentar esse tropo e focar no que realmente torna a série especial: a conexão genuína entre as pessoas.



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