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Game of Thrones nos games: Uma história de flops e a única exceção

Cara, vamos ser sinceros: por um bom tempo, Game of Thrones foi a dona do mundo. A série da HBO, baseada nos livros de George R.R. Martin, foi provavelmente o último resquício de monocultura que a gente teve, onde todo mundo assistia e comentava a mesma coisa ao mesmo tempo entre 2011 e 2019. Mas, como todo mundo sabe, a Season 8 chegou e simplesmente destruiu a percepção de muita gente com resoluções de personagens apressadas e roteiros que pareciam escritos por um estagiário com pressa para ir embora.

Nós aqui da Gamer Elite sabemos que o declínio começou bem antes, lá na Season 5, mas o ponto é que a Warner Bros. Discovery tentou de tudo para manter a franquia no hype, lançando spin-offs como House of the Dragon. Só que tem um problema gigante aqui: enquanto a série dominava a TV, o lado dos videogames era um verdadeiro campo de batalha de mediocridades. É bizarro pensar que um mundo tão rico, perfeito para um RPG denso, nunca teve um jogo que a gente possa chamar de obra-prima.

Se a gente olhar para trás, as primeiras tentativas foram bem sofríveis. Em setembro de 2011, tivemos A Game of Thrones: Genesis, um jogo de estratégia que conseguiu a proeza de tirar um 53 no Metacritic. Foi a primeira tentativa de levar a obra para os consoles e PC, e bem... Digamos que eles estavam apenas testando as águas. Logo depois, em 2012, veio um RPG chamado simplesmente Game of Thrones, que não foi em nada melhor e acabou sendo esquecido por quase todo mundo.

Imagem Cena de <strong>Game of Thrones</strong> has 1

Depois veio a era da Telltale Games com Game of Thrones: A Telltale Games Series, lançado episodicamente entre dezembro de 2014 e novembro de 2015. A proposta era legal, focando em uma casa leal aos Starks após a tragédia do Casamento Vermelho da Season 3. O problema é que a fórmula da Telltale — aquele estilo de "TV interativa" onde a maioria das escolhas não muda nada no final — cansa rápido. Se você não curte narrativas guiadas que assumem que você já sabe tudo da série, o jogo não oferece quase nada de substância.

Imagem Cena de <strong>Game of Thrones</strong> has 2

Para piorar, a franquia entrou naquela fase de "encher linguiça" com jogos mobile. Tivemos Game of Thrones Ascent, Game of Thrones: Conquest, Game of Thrones: Beyond the Wall e uma lista infinita de títulos que servem mais para tirar dinheiro do jogador do que para entregar diversão. Ninguém que esteja esperando por um masterpiece interativo de Westeros vai encontrar a felicidade em um jogo de microtransações para celular que roda em qualquer Android ou iOS.

Imagem Cena de <strong>Game of Thrones</strong> has 3

Recentemente, surgiu o Game of Thrones: Kingsroad, que tenta se vender como um jogo AAA com gameplay de hack-and-slash e aventura focada na história. O visual é bonito, não dá para negar, mas a recepção na Steam foi aquele famoso "Misto", com mais de 3.300 avaliações negativas. O grande vilão aqui, ironicamente, não é o Night King, mas sim as microtransações agressivas que fazem o jogo parecer mais um cassino do que um RPG. No Metacritic, o jogo mal chegou a 57, provando que beleza não é tudo.

Imagem Cena de <strong>Game of Thrones</strong> has 4

Agora, se você quer saber qual é o único jogo que realmente funciona, a resposta é Reigns: Game of Thrones. Pode parecer estranho recomendar um jogo de "deslizar para a esquerda ou direita", mas ele conseguiu adaptar a essência política de Westeros de um jeito genial. No PC e iOS, ele ostenta notas 84 no Metacritic, embora a versão de Nintendo Switch tenha flopado um pouco mais com um 74. O sucesso dele vem do fato de que ele não tenta ser algo que não é; ele pega a fórmula viciante de Reigns e joga a tinta de Game of Thrones por cima.

É frustrante demais pensar que ainda estamos esperando por um jogo no nível de The Witcher 3 ou Kingdom Come: Deliverance 2 ambientado nesse universo. Temos castelos, intrigas políticas, dragões e guerras épicas, mas os desenvolvedores parecem ter medo de criar algo realmente ambicioso e profundo. Em vez de um mundo aberto orgânico e complexo, recebemos jogos genéricos que tentam surfar no nome da marca sem entregar qualquer inovação.

No fim das contas, a história de Game of Thrones nos games é um reflexo do que aconteceu com a série: começou com um potencial infinito e terminou com decisões questionáveis que deixaram os fãs com um gosto amargo na boca. A gente quer complexidade, quer sentir o peso de cada decisão política e a brutalidade do combate, mas tudo o que recebemos foram tentativas mornas e produtos focados em lucro rápido.

Meu veredito final é que, enquanto continuarem lançando jogos baseados em fórmulas prontas de mobile ou reskins de jogos indie, nunca teremos o jogo definitivo de Westeros. A franquia tem tudo para ser o rei dos RPGs, mas por enquanto, continua sendo apenas um pretendente que não consegue subir no trono. Alguém precisa ter a coragem de fazer um jogo denso, difícil e sem microtransações para que a gente finalmente possa dizer que a experiência de jogar Game of Thrones é tão boa quanto era assistir às primeiras temporadas.

Links Úteis

* Reviews de Game of Thrones: Kingsroad na Steam * Notas de Reigns: Game of Thrones no Metacritic

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