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Gothic Remake prova que a gente ainda ama RPGs brutais e bugados

Sinceramente, eu já estava começando a achar que a galera tinha ficado 'mimada' com esses jogos modernos onde você é guiado pela mão o tempo todo. Sabe aquele estilo de jogo que não te dá a mínima para a sua existência e te joga num mundo onde qualquer erro significa a morte? Pois é, o Gothic Remake chegou chutando a porta e provou que a gente ainda é masoquista sim, e que o conceito de eurojank — aquele estilo europeu de RPG meio torto, bruto e sem polimento — ainda tem um público gigantesco.

A coisa é a seguinte: em apenas uma semana de lançamento, o jogo já bateu a marca de 500 mil cópias vendidas. Se você der uma olhada no Steam, vai ver que a avaliação está como Very Positive. Isso é bizarro quando você para pra pensar que o jogo é, essencialmente, um remake de um título de 25 anos atrás que era conhecido por ser extremamente difícil e, vamos combinar, bem esquisito. A galera não quer apenas gráficos bonitinhos; a gente quer sentir que o mundo é hostil e que a gente é um ninguém no começo da jornada.

Imagem Cena de  Judging by how 1

Agora, deixa eu falar a real sobre a experiência de jogar Gothic Remake. Não se enganem com o visual moderno, porque a essência continua a mesma. O jogo é brutal. Você sai da cidade e, em dois segundos, um lobo te estraçalha sem dó nem piedade. Se você tentar ser engraçadinho ou sarcástico com o NPC errado, você é nocauteado e roubado na mesma hora. É aquele tipo de gameplay que te ensina na marra que você não é o protagonista intocável, e isso é simplesmente maravilhoso.

Para piorar (ou melhorar, dependendo do seu nível de loucura), não existe mapa automático. Quer saber onde está? Compre um mapa! E olha que o mapa é caro e, para ser honesto, não é lá essas coisas. Tem quests que não fazem sentido nenhum se você não tiver um guia aberto do lado, e isso cria uma fricção que a maioria dos jogos de hoje em dia tenta eliminar a todo custo. Mas é justamente esse caos que gera as melhores histórias.

Imagem Cena de  Judging by how 2

Claro que nem tudo são flores. O jogo tem uns problemas técnicos que dão vontade de jogar o teclado na parede. Por exemplo, eu descobri do pior jeito que carregar um save game acorda os NPCs que estavam dormindo. Imagina você tentando roubar alguém no sapatinho, dá ruim, você carrega o save e o cara acorda puto da vida porque você ainda está ali parado na frente dele. É o puro suco do eurojank.

Além disso, a implementação de DLSS e frame generation está bem capenga, o que pode causar uns engasgos chatos dependendo da sua máquina no PC. Mas a verdade é que a comunidade parece não se importar tanto com esses bugs e arestas brutas. A gente prefere um RPG que arrisque tudo e tente criar um sistema sistêmico complexo, mesmo que seja meio bagunçado, do que um jogo perfeitamente polido que não tem alma nenhuma e parece um produto de planilha de Excel.

Imagem Cena de  Judging by how 3

Lá em 2001, Gothic representava tudo o que tornava o gaming no PC especial. Enquanto quem jogava console esperava aquele polimento extremo, nós queríamos a esquisitice, mesmo que isso significasse crashes constantes e mecânicas que pareciam quebradas. É engraçado ver que, mesmo em junho de 2026, essa mentalidade continua viva. Jogos como Gothic e S.T.A.L.K.E.R. podem até estar nos consoles agora, mas a alma deles é puramente de PC.

Imagem Cena de  Judging by how 4

Felizmente, a Alkimia Interactive não largou a mão do projeto. Eles já avisaram que patches estão a caminho para consertar as maiores bizarrices e, com sorte, vão dar um buff naquele sistema de lockpicking que, sinceramente, é um teste de paciência digno de monge tibetano. Esperar por atualizações em um jogo assim faz parte da experiência; é quase como se o jogo estivesse evoluindo junto com a comunidade.

No fim das contas, o sucesso de Gothic Remake é um tapa na cara de quem acha que o jogador moderno só quer facilidade e tutoriais infinitos. A gente gosta de sofrer, gosta de se sentir perdido e gosta de conquistar cada centímetro de progresso com sangue, suor e muitos saves corrompidos. É esse tipo de design sem concessões que mantém a chama do RPG raiz acesa.

Meu veredito é que, se você aguenta a falta de polimento e ama a sensação de ser humilhado por um lobo no nível 1, esse jogo é obrigatório. Não é para todo mundo, e com certeza vai irritar muita gente, mas é exatamente por isso que ele é especial. É um jogo com personalidade, algo que está ficando raro nessa indústria de blockbusters genéricos.

Links Úteis

* Gothic Remake no Steam

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