A gente sabe que a Super Terra não brinca em serviço quando o assunto é mandar a gente pro abate em nome da democracia, mas a última atualização de Helldivers 2 resolveu elevar o nível do trauma. O update chamado Devoid of Liberty chegou trazendo a facção dos Illuminate de volta ao centro das atenções, mas não daquela forma que a galera mais hardcore esperava. Embora o tal do Cultista tenha ficado de fora, a Arrowhead Game Studios resolveu compensar a gente com duas novas abominações que, olha, me fizeram passar raiva e gastar munição como se não houvesse amanhã nos primeiros minutos de jogo.
O clima agora está bem mais pesado, e quem curte um bom jogo de terror vai notar que os desenvolvedores não tiveram medo de 'beber da fonte' de grandes clássicos. Estamos falando de criaturas que trazem aquele sentimento de vulnerabilidade que a gente raramente sente em um Shooters tão frenético. A proposta aqui é clara: diversificar a facção Illuminate para que a gente pare de tratar cada missão como um passeio no parque e volte a sentir aquele frio na espinha ao explorar os mapas do PC e do PS5.

Primeiro, vamos falar dos Wretches. Se você já jogou Dead Space, vai bater o olho e dizer: 'espera, isso aqui é um Necromorph?'. A semelhança é absurda e a gameplay reflete isso. Eles são a nova linha de frente, agindo como zumbis rápidos que não param de correr na sua direção. O problema é que, ao contrário dos Terminids, esses caras são espertos pra caramba; eles fazem pivôs rápidos para sair da sua linha de visão e preferem te atacar pelas costas, fazendo você desperdiçar metade do pente atirando no vento.
Para lidar com esses monstros, a precisão é tudo, mas se você não tiver a mira calibrada, a melhor saída é apelar para as shotguns. A estratégia é focar nas pernas para tirar a mobilidade deles ou tentar acertar a cabeça minúscula para um abate rápido. Quando eles vêm em bando, o caos é total e a sensação de ser engolido por uma horda de carne deformada é visceral, provando que o hype em torno do horror nos jogos ainda tem muito espaço para crescer em títulos multiplayer.

Do outro lado do espectro, temos os Crushers, que são basicamente tanques orgânicos. Se os Wretches são a velocidade, os Crushers são a força bruta, lembrando demais o icônico Pyramid Head de Silent Hill, trocando a espada por clavas gigantescas. Eles não têm ataques à distância, mas o alcance desses golpes é surpreendentemente longo. Se um desses caras conectar um golpe em você, é basicamente game over instantâneo, transformando seu Helldiver em panqueca em questão de segundos.
O ponto fraco deles é o capacete blindado. A maneira mais eficiente de derrubar esses brutamontes é explodir a armadura da cabeça para expor o núcleo vulnerável. No começo, eles parecem lentos e até meio bobos, mas a quantidade de vida é absurda, o que força o esquadrão a gastar recursos preciosos para limpá-los do mapa. É aquele tipo de inimigo que você ignora no início da missão, mas que se torna um problema colossal quando você precisa extrair com pressa.

Agora, sendo sincero aqui como veterano: eu esperava mais desse update. Senti que ele foi um pouco 'econômico' demais. Não tivemos biomas novos (a menos que você considere cidades com tornados como algo novo) e nem nenhuma tecnologia disruptiva, como aquele tanque que vimos no começo do ano. Por outro lado, achei interessante a Arrowhead Game Studios começar a summoning de tropas da SEAF de classes variadas para nos reforçar. Isso me cheira a um teste para, quem sabe no futuro, a gente ter controle direto sobre alguns soldados aliados, o que daria um buff tático imenso nas missões mais difíceis.

No quesito economia e cosméticos, a coisa continua polêmica. Temos novos warbonds, e embora o de Warhammer esteja com visuais animais, o custo adicional de cerca de R$ 27,50 (os $5 de upcharge) para ter acesso a certas coisas parece meio forçado. Para quem não se importa em gastar, os warbonds padrão de aproximadamente R$ 55 (os $10 habituais) ainda valem a pena por causa dos brinquedos novos, mas as armas que não estão presas a esses pacotes estão ficando raras, o que é uma pena para quem quer variedade sem abrir a carteira na Steam.
Para fechar, o patch trouxe melhorias de qualidade de vida que a gente implorava há meses. A recarga de mochilas agora é mais fluida, você não precisa mais estar com a mochila equipada para que ela auxilie na recarga, e os pentes curtos foram ajustados. Além disso, o level cap subiu para 300, o que garante que a gente continue grindando por mais tempo. É nítido que Helldivers 2 entrou em uma era de refinamento, onde a empresa está polindo a experiência em vez de apenas jogar conteúdo bruto no colo do jogador.

No fim das contas, mesmo sendo um update menor do que o esperado, a adição desses inimigos inspirados em horror clássico injetou uma dose necessária de adrenalina e medo no gameplay. A luta contra os Illuminate está ficando mais interessante e a dinâmica de combate mudou, exigindo mais coordenação do time para não ser massacrado por criaturas que parecem ter saído de um pesadelo. Se a PlayStation e a desenvolvedora continuarem nesse ritmo de ajustes finos, o jogo tem tudo para se manter no topo por muito tempo.
Meu veredito é que, se você estava sentindo que o jogo estava ficando repetitivo, essa atualização é o empurrão que faltava para você voltar a derrubar democracia por aí. Pode não ter sido a maior expansão da história, mas a qualidade do design desses novos monstros mostra que a equipe sabe exatamente onde apertar para nos deixar desconfortáveis. Agora é só preparar o equipamento, convocar os amigos e torcer para não encontrar um bando de Wretches no escuro.


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