
Mano, se você estava esperando mais um filme de aventura genérico com aquele clima de 'estou roubando dos ricos para dar aos pobres', pode cancelar o seu ingresso. The Death of Robin Hood chega chutando a porta e jogando a imagem romantizada do herói no lixo. A pegada aqui é visceral, densa e, honestamente, parece que pegaram a fórmula de Logan e resolveram dar um giro de 180 graus para criar algo completamente novo e perturbador.
O hype em torno desse projeto é gigante, principalmente porque coloca Hugh Jackman em um papel que foge totalmente do estereótipo. Não estamos falando do Wolverine regenerando tecidos, mas de um homem acabado, cansado e, acima de tudo, um canalha. A proposta do diretor Michael Sarnoski é transformar a lenda em um estudo de personagem sobre redenção, morte e as marcas que deixamos no mundo quando somos, essencialmente, pessoas horríveis.

Muita gente já sacou a semelhança imediata com Logan, aquele filme da Marvel de 2017 que a gente ama. Sim, temos um herói veterano, grisalho e amargurado servindo de mentor para um órfão. Mas é aí que mora o perigo e a genialidade da subversão. Enquanto o Wolverine era um cara ranzinza com um coração de ouro, o Robin Hood de Hugh Jackman é descrito como um bastardo assassino. Ele não é o cara que você quer criando seu filho; ele é o cara que você quer manter longe de qualquer pessoa sã.
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O filme destrói a ideia de que o Robin divide o saque. Aqui, ele rouba dos ricos, mas guarda quase tudo para si e para o seu parceiro ainda mais desequilibrado, o Little John, interpretado pelo inquietante Bill Skarsgard. Essa dinâmica transforma a floresta de Sherwood em um cenário de crime constante. É aquele tipo de roteiro que pega um tropo batido de 'pai relutante' e dá um buff de violência e cinismo, deixando o espectador desconfortável com quem ele deveria estar torcendo.

Se você viu Pig, com o Nicolas Cage, sabe que o Michael Sarnoski adora pegar gêneros conhecidos e transformá-los em algo íntimo e emocional. Ele fez isso com a vibe de vingança de John Wick em Pig e repetiu a dose em A Quiet Place: Day One, injetando uma energia de cinema mudo no meio de um blockbuster de monstros. Em The Death of Robin Hood, ele não tenta 'quebrar' o gênero por esporte, mas sim construir a história a partir da obsessão pelos personagens, criando um mundo que orbita a psique quebrada do protagonista.

A trama começa com Robin e John em um verdadeiro massacre pelo interior da Inglaterra, fugindo de inimigos e pilhando tudo o que veem pela frente. Porém, o jogo vira quando Robin quase morre em combate e é resgatado por John, que o deixa em um priorado liderado por uma prioresa interpretada pela fantástica Jodie Comer. É nesse momento que o filme deixa de ser um filme de ação brutal para se tornar um estudo de personagem lento e contemplativo, onde o protagonista é forçado a encarar a própria mortalidade cercado por freiras e inválidos.
O que mais me chamou a atenção foi a motivação pessoal do diretor. Sarnoski revelou que essa ideia nasceu de um trauma de infância. Após a morte do pai aos nove anos, ele recebeu um livro de Robin Hood dos anos 1940 que terminava com a morte do herói. Para uma criança, ver que aquele ícone 'imortal' tinha um fim humano e silencioso foi um choque. O filme é, no fundo, uma tentativa de processar essa percepção de que as figuras masculinas que admiramos são, no fim, frágeis e falhas.
Para quem curte produções da A24, esse filme parece ser o prato cheio. Tem tudo o que a gente espera: atuações nível S, cenários rústicos, violência impactante e temas pesados sobre legado e morte. Não é um filme para quem quer diversão rápida, mas para quem quer ver o cinema sendo usado para dissecar a alma humana, mesmo que essa alma seja a de um criminoso incurável.
No meu veredito, The Death of Robin Hood tem tudo para não flopar e se tornar um cult instantâneo. É arriscado, é sujo e não pede desculpas por transformar um herói folclórico em um monstro. Se o resultado final for tão denso quanto a proposta, teremos um dos melhores trabalhos da carreira de Hugh Jackman, provando que ele ainda tem muita lenha para queimar longe dos quadrinhos.
É refrescante ver diretores que não têm medo de subverter a expectativa do público. Em vez de entregar mais do mesmo, Sarnoski nos entrega um espelho distorcido da nossa própria natureza. Agora é só esperar a estreia oficial em junho de 2026 para ver se a execução entrega todo esse potencial promissor.


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