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IBM e Arm criam chip lendário com duas arquiteturas, mas é  para empresas

Sabe aquele sentimento de ver um anúncio que parece o crossover mais épico da história, mas aí você lê as letras miúdas e percebe que não é para você? Foi exatamente isso que rolou agora. A IBM e a Arm resolveram se juntar para criar um chip que é, no papel, uma aberração tecnológica: um único processador que consegue rodar duas arquiteturas diferentes simultaneamente. O problema? Esse monstro foi feito exclusivamente para a tal da 'infraestrutura empresarial'. Ou seja, enquanto a gente luta para conseguir uns frames a mais no PC, os caras estão criando naves espaciais para servidores de banco e nuvem.

Para quem não está por dentro do tecniquês, a parada é a seguinte: normalmente, se você quer rodar um software feito para a arquitetura X em um chip da arquitetura Y, você precisa de emulação. Isso basicamente significa que o processador tem que 'traduzir' as instruções em tempo real, o que consome recurso e derruba a performance. Com esse novo chip, a IBM e a Arm eliminaram esse gargalo, permitindo que ambientes Linux baseados em Arm e o sistema z/OS da IBM rodem nativamente no mesmo pedaço de silício. É um nível de versatilidade que a gente raramente vê por aqui.

Imagem Cena de  Two architectures on 1

Olhando para trás, isso não é algo totalmente inédito, mas beira o esquecimento. Se a gente cavar bem fundo nos arquivos dos anos 90, vamos achar o PowerPC 615, um chip da IBM que tentou fazer algo parecido rodando código PowerPC e x86. O detalhe é que aquele projeto era destinado à Apple na era dos clones e acabou nunca chegando ao grande público, virando basicamente uma nota de rodapé na história do hardware. Agora, a IBM resolveu tirar a poeira dessa ideia e aplicar com a tecnologia de hoje, focando totalmente no mercado corporativo e de IA.

Agora, vamos falar do que realmente importa: a força bruta. Esse chip é um absurdo completo. Ele foi construído usando a litografia de 2 nm, algo que nem as melhores CPUs gamer que temos hoje no mercado usam. Para completar o combo de hype, o bicho conta com 11 núcleos de alta performance e opera em velocidades que ultrapassam os 5.7 GHz. Para quem curte ler sobre Notícias de hardware, é difícil não sentir um pouco de inveja de ver esse nível de engenharia sendo aplicado em servidores enquanto a gente espera a próxima geração de chips para consoles.

Imagem Cena de  Two architectures on 2

Claro que a motivação aqui não é fazer você jogar Cyberpunk 2077 em 8K, mas sim dominar a nuvem e a inteligência artificial. A Arm já é onipresente, com mais de 22 milhões de desenvolvedores usando sua tecnologia, incluindo gigantes como Nvidia, Microsoft e Google. Ao se unir à IBM, a Arm consegue entrar em ambientes de missão crítica (aqueles que não podem cair nem por um segundo), enquanto a IBM ganha o ecossistema vasto e a eficiência energética que a Arm oferece. É um jogo de xadrez corporativo onde quem ganha é a eficiência do data center.

Imagem Cena de  Two architectures on 4

O chip ainda traz aceleradores de inferência de IA e uma unidade de processamento de dados on-chip para I/O. Sinceramente, é impressionante, mas deixa um gosto amargo. Parece que a explosão da IA está sugando todo o investimento e a inovação de hardware para o lado corporativo, deixando a gente, os gamers de PC, com as sobras ou com ciclos de upgrade cada vez mais lentos. É aquele famoso cenário onde a tecnologia avança absurdamente, mas o benefício final demora anos para pingar no nosso bolso.

Por outro lado, existe um lado positivo. Se a Arm continuar lucrando bilhões com esses contratos empresariais e parcerias com a IBM, ela terá muito mais capital para investir em tecnologias que podem, eventualmente, migrar para o mercado gamer. Já vimos a Apple provar que a arquitetura Arm pode ser um monstro em performance e eficiência nos chips M1 e M2. Se isso chegar ao mundo dos jogos de forma massiva, podemos ter máquinas muito mais frias e potentes no futuro.

Meu veredito é: a tecnologia é nota 10, mas a utilidade para o gamer comum é zero. É aquele tipo de notícia que serve para a gente admirar a ciência, mas que não vai aumentar o FPS do nosso jogo favorito amanhã. Ficamos aqui na torcida para que essa eficiência de 2 nm e esses clocks absurdos cheguem logo nos processadores que a gente realmente usa para jogar.

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