Shooters

Insano! Modder consegue rodar clone de Counter-Strike a 60 FPS no PSP

Sinceramente, eu ando meio saturado dessa onda de Handheld Gaming PCs que invadiu o mercado. Não me entendam mal, eu amo a ideia de levar jogos triplo A para qualquer lugar, mas esses aparelhos modernos estão ficando absurdamente tijolões. Para conseguir resfriar o hardware bruto que carregam, eles sacrificam totalmente a ergonomia. Se vocês me perguntarem, o Nintendo Switch Lite e o lendário PlayStation Portable acertaram em cheio no fator de forma, entregando algo que realmente parece um portátil e não um notebook dobrado com controles grudados.

Mas parece que alguém ouviu meus desabafos e resolveu provar que o hardware antigo ainda tem lenha para queimar. O desenvolvedor Yifeng Wang resolveu fazer aqueles experimentos que a gente ama e criou o OpenStrike, um clone de Counter-Strike que roda liso no PSP, um console que já bateu a marca de 22 anos. A gente está falando de um jogo de tiro tático em um aparelho que, para os padrões de hoje, é praticamente uma calculadora, mas que continua sendo um ícone da PlayStation.

Imagem Cena de  Yes thats CounterStrike 1

O que mais impressiona aqui não é só o fato de o jogo abrir, mas a performance absurda. O OpenStrike consegue manter 60fps constantes com um consumo de memória RAM ridiculamente baixo, de apenas 12 MB. Para quem é da antiga, sabe que gerenciar memória em portátil é um pesadelo, então ver um jogo de Shooters rodando com essa fluidez em um hardware tão limitado é, no mínimo, um tapa na cara de quem acha que precisa de uma RTX para se divertir.

Imagem Cena de  Yes thats CounterStrike 2

E não foi qualquer gambiarra; o Wang foi fundo na engenharia. Ele construiu do zero seu próprio motor 3D chamado Pocket3D, escrito em Rust, e ainda meteu um motor de JavaScript chamado PocketJS. Isso transforma o projeto em algo muito mais robusto do que um simples port, criando uma API de mods aberta que permite que a comunidade mexa no código. É aquele tipo de dedicação que a gente raramente vê em estúdios AAA hoje em dia, onde tudo é feito para ser monetizado e não por puro amor ao PC e ao código.

Imagem Cena de  Yes thats CounterStrike 3

Tecnicamente, o projeto é uma aula de otimização. Para fazer o jogo rodar na resolução nativa de 480 x 272 do PSP, o desenvolvedor utilizou Binary Space Partitioning (BSP) para descartar áreas do mapa que não estão visíveis para o jogador, evitando que o processador tente renderizar o que não precisa. Além disso, as luzes não são calculadas em tempo real, que seria um suicídio para o hardware, mas sim pré-processadas e "assadas" nas cores dos vértices, o que dá aquele visual clássico, mas garante que o console não exploda na sua mão.

Imagem Cena de  Yes thats CounterStrike 4

Até agora, o OpenStrike é tratado como uma prova de conceito, mas já entrega muita coisa. Todos os oito mapas originais do Counter-Strike foram testados e você já pode se divertir em partidas de eliminação contra bots na build atual. Se você tiver um PSP desbloqueado ou um emulador, pode baixar o projeto no GitHub, mas fica o aviso: você precisa providenciar seus próprios arquivos de assets do jogo original, pois o modder não pode distribuí-los legalmente.

Para quem acha o PSP pequeno demais, a boa notícia é que o projeto também é compatível com o PS Vita, lançado em 2011. No Vita, a experiência melhora consideravelmente com a tela de 5 polegadas e a resolução de 960 x 544. Claro, se compararmos com a tela OLED do Steam Deck em 1280 x 800, parece coisa de outro século, mas a proposta aqui não é competir com o hardware de 2026, e sim celebrar a versatilidade de consoles que a Sony deixou para trás.

Se você não tem nenhum console da Sony pegando poeira na gaveta, ainda dá para matar a saudade do Counter-Strike 1.6 jogando direto no navegador, que é outra maravilha da engenharia moderna. Mas ver o OpenStrike respirando vida nova em um hardware de duas décadas prova que a comunidade de modding é o verdadeiro motor que mantém a cultura gamer viva, enquanto as empresas focam apenas em vender a mesma versão do jogo três vezes.

No fim das contas, esse projeto é um lembrete de que a simplicidade muitas vezes vence a força bruta. Enquanto a indústria tenta empurrar resoluções em 4K e ray tracing para tudo, um cara com um notebook e conhecimento de Rust consegue recriar a magia de um dos maiores jogos da história em um portátil minúsculo. É inspirador e, ao mesmo tempo, deixa a gente com aquela vontade louca de desenterrar todos os nossos consoles antigos para ver o que mais eles conseguem rodar.

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