Se você, assim como eu, gosta daquela tensão que faz a gente esquecer até de respirar, segura a expectativa. A franquia Sicario, que trouxe um dos olhares mais viscerais sobre a guerra contra o narcotráfico, está finalmente saindo da geladeira. Depois de anos de boatos e silêncios ensurdecedores, temos a confirmação de que a história vai continuar, e quem deu a letra foi ninguém menos que o próprio Josh Brolin.
Na real, a gente já esperava que esse projeto estivesse cozinhando nos bastidores, mas ouvir do protagonista que a coisa "está acontecendo" e que a produção deve acelerar "em breve" coloca um hype absurdo na mesa. Nós aqui acompanhamos a trajetória desses filmes e sabemos que o clima de paranoia é o ponto forte da obra, então a expectativa para esse terceiro capítulo é gigantesca, especialmente para quem curte um suspense militar bem acabado.
O Josh Brolin, em conversa com o Screen Rant, não quis dar spoilers ou entregar o roteiro de bandeja, mas deixou claro que a máquina já está começando a girar. A grande questão agora é: quem vai sentar na cadeira de diretor para guiar esse caos? Porque, se você está esperando pelo mestre Denis Villeneuve, sinto informar que as chances são quase nulas.
O Denis Villeneuve está numa fase absurda da carreira e simplesmente não tem tempo para mais nada. O cara está terminando de fechar Dune: Part 3 e, logo em seguida, vai entrar a fundo no novo filme do James Bond, que inclusive está em plena fase de casting para definir quem será o novo 007. É compreensível que ele não volte, já que ele mesmo não participou do segundo filme por causa de projetos como Arrival e Blade Runner 2049.
Falando no segundo longa, precisamos ser honestos: o Stefano Sollima entregou um filme de ação competente, mas faltou aquele tempero, aquela direção perturbadora e sutil que o Villeneuve imprimiu no original. O segundo filme não flopou, longe disso, mas ele pendeu mais para o lado do thriller de ação tradicional do que para o horror psicológico da guerra urbana. Esperamos que o terceiro encontre um equilíbrio melhor entre esses dois mundos.
No campo do roteiro, as notícias são bem mais animadoras. Em 2023, rolou a informação de que Taylor Sheridan, que escreveu os dois primeiros, estaria colaborando com Christopher McQuarrie. Para quem não conhece, o McQuarrie é o cara por trás da modernização de Mission: Impossible, um mestre em polir roteiros e criar sequências de tensão absurdas. Se ele estiver atuando como "script doctor" para dar aquele tapa final na história, o resultado pode ser fenomenal.

Outro ponto crucial que deixa a galera na expectativa é a presença do Benicio del Toro. O personagem dele é a alma da franquia, aquele agente enigmático que sabe coisas que ninguém mais sabe. Embora não haja a confirmação oficial do elenco completo, seria um crime absurdo fazer um novo Sicario sem o Del Toro, pois ele personifica a ambiguidade moral que define toda a série.
É interessante notar como a Lionsgate está apostando na volta dessa IP. Em um mar de sequências genéricas, Sicario sempre se manteve como algo mais denso e realista. Se eles conseguirem manter a pegada de "caça ao homem" e a crítica ácida ao sistema de segurança, teremos um dos melhores filmes de suspense da década, especialmente se explorarem novas dinâmicas nos cartéis.

Agora, o meu pitaco pessoal: o filme precisa evitar a armadilha de se tornar apenas um filme de tiroteio. A força de Sicario está no silêncio, nos olhares e na sensação de que a qualquer momento algo terrível vai acontecer. Se transformarem isso em um videogame de ação sem alma, vai ser uma decepção total. O público de Filmes desse gênero quer sentir o peso da areia e o calor do deserto.
Estamos atentos para ver as primeiras imagens oficiais e, quem sabe, a data de estreia. Enquanto isso, a gente segue acompanhando as Notícias do cinema para saber se o Taylor Sheridan vai conseguir conciliar a escrita do longa com a avalanche de séries que ele está produzindo para a Paramount. O cara é uma máquina de escrever, mas até ele tem um limite.
No fim das contas, a volta de Sicario é a prova de que histórias adultas, cruas e sem heróis perfeitos ainda têm espaço no cinema. Se a produção realmente começar logo, como disse o Josh Brolin, podemos esperar algo para o final de 2026 ou início de 2027. Só espero que não sacrifiquem a qualidade em nome da pressa para lançar.



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