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Lanterns da HBO: True Detective com Super-Heróis que Você Precisa Assistir

Cara, vamos ser sinceros: a gente já viu de tudo quando o assunto é adaptação de super-heróis, desde coisas geniais até aquele nível de flop que dá vontade de deletar a memória. Mas a HBO resolveu chutar o balde da forma certa com Lanterns. Esqueçam aquelas fórmulas batidas de herói salvando o mundo com piadinhas forçadas; aqui a pegada é outra, muito mais densa e visceral. Nós aqui da Gamer Elite ficamos de olho nos primeiros episódios e a sensação é que finalmente alguém entendeu que o material da DC pode ser usado para contar histórias adultas e complexas, fugindo do óbvio.

A série não perde tempo e já joga a gente num clima pesado, focando no contraste brutal entre dois caras que, no papel, deveriam ser parecidos, mas são opostos totais. De um lado temos o Hal Jordan, interpretado por Kyle Chandler, que é aquele típico veterano desleixado, que chega atrasado e parece estar sempre sob o efeito de uma ressaca eterna. Do outro, o John Stewart (Aaron Pierre), um soldado disciplinado, metódico e que não tolera a bagunça do mentor. Esse atrito inicial é o que move a engrenagem da trama, transformando a dinâmica de parceiros em algo quase combustível, lembrando muito aquele clima de tensão de Notícias criminais onde ninguém confia em ninguém.

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O que realmente me pegou foi a forma como a série aborda o conceito de medo. A cena de abertura com o pai do John Stewart colocando uma maçã na cabeça do filho para "treinar" a ausência de medo é simplesmente perturbadora e define todo o tom da obra. Enquanto o Hal Jordan se tornou destemido porque já perdeu tudo o que amava na infância, o John teve sua coragem fabricada através de um trauma imposto. É um buff psicológico pesado que justifica por que os dois, mesmo usando o mesmo anel, enxergam o mundo de formas completamente diferentes, criando camadas de personagem que a gente raramente vê em produções de herói.

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A trama se passa em Rushville, no Nebraska, e é aqui que a série brilha ao misturar o gênero de detetive com uma vibe de neo-Western. Se você curte Yellowstone, vai se sentir em casa com os homens rústicos, as caminhonetes e as famílias poderosas que mandam na região. Essa escolha de cenário é genial porque ancora a mitologia cósmica dos Lanternas em algo real e sujo, impedindo que a série se perca em efeitos visuais exagerados. É um equilíbrio perfeito que faz com que a investigação de um tiroteio em massa com conexões alienígenas pareça plausível dentro daquele universo.

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Falando em mistério, a série segura as respostas na mão com uma precisão cirúrgica. A gente começa a ouvir falar dos Manhunters, aquela raça alienígena sinistra, mas a HBO não entrega tudo de bandeja. O roteiro, assinado por nomes de peso como Damon Lindelof e Tom King, evita a armadilha da "caixa de mistérios" vazia; cada revelação serve para aprofundar a relação entre Hal e John ou expandir a conspiração. A investigação flui num ritmo constante, onde o horror cósmico vai se infiltrando na quietude da cidade pequena de forma quase imperceptível, mas constante.

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No quesito visual, a decisão de usar uma paleta de cores muted, quase lavada, faz com que o brilho esmeralda dos anéis de poder realmente se destaque. Não é aquele CGI saturado que a gente vê em qualquer filme de herói hoje em dia; o efeito é sutil e parece genuinamente otherworldly quando aparece. A série tem a maturidade de saber que menos é mais, focando nas atuações e na atmosfera em vez de tentar transformar cada cena em um espetáculo de fogos de artifício digitais, o que dá um ar de prestígio digno de produções de alta qualidade para PS5 ou Xbox em 4K.

Para quem estava esperando ver planetas vivos como o Mogo ou toda a burocracia intergaláctica da Tropa, já aviso: esse não é o caminho. Lanterns escolhe focar no lado humano e investigativo, transformando o anel em uma ferramenta de trama e não apenas em um gerador de constructos mirabolantes. É uma aposta arriscada, mas que paga dividendos absurdos ao transformar a série em um drama policial de primeira linha que, por acaso, tem super-heróis no elenco. É o tipo de abordagem que a DC deveria ter adotado anos atrás para evitar tantos tropeços.

No fim das contas, a série consegue provar que o gênero de super-herói ainda tem lenha para queimar, desde que se tenha a coragem de subverter a fórmula. A química entre Kyle Chandler e Aaron Pierre é o coração do show, e ver esses dois caras tentando se entender enquanto desvendam um plot alienígena no meio do nada é simplesmente satisfatório. É um conteúdo denso, que exige atenção e que não subestima a inteligência do espectador, elevando a barra para qualquer outra série de herói que venha por aí.

Meu veredito é que Lanterns é um acerto monumental. A série consegue ser claustrofóbica e vasta ao mesmo tempo, entregando um suspense que prende do início ao fim sem precisar de pores do sol épicos ou lutas coreografadas de dez minutos. Se você gosta de histórias onde o trauma molda o herói e o mistério é construído tijolo por tijolo, pode ir sem medo. É, sem dúvida, um dos melhores projetos de ficção científica dos últimos anos e um exemplo de como adaptar quadrinhos com inteligência e pé no chão.

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