Cara, para tudo e imagina a cena: você abre o seu PC hoje em dia e, em vez de entrar no Summoner's Rift, você cai em uma cidade cartunesca dividida entre o caos e a ordem. Parece papo de sonho febril, mas é exatamente isso que aconteceu nos primórdios da Riot Games. A gente sempre ouviu falar que os jogos mudam muito no desenvolvimento, mas o que veio à tona agora é de cair o queixo, transformando nossa visão sobre a origem do maior MOBA do planeta.
Nós aqui da redação ficamos malucos quando vimos que o YouTuber Necrit, em parceria com o Paul "Pabro" Bellezza da própria Riot Games, desenterrou o pitch original feito para investidores. O jogo nem se chamava League of Legends, mas sim Onslaught: War of the Immortals. Esquece tudo o que você sabe sobre o jogo atual; estamos falando de uma versão primordial, quase um fóssil digital, que mistura documentos de design, vídeos antigos e screenshots que fazem o jogo atual parecer um mod de outro título.

O conceito era completamente diferente do que temos hoje nas Notícias habituais de atualizações. Em vez de campos abertos, a ação rolava em um cenário urbano bem colorido e estilizado. O mais bizarro é que o jogo parecia ser 6v6 e exigia que os jogadores escolhessem um lado — ordem ou caos — logo no início, definindo inclusive quais heróis eles poderiam usar. Era uma pegada muito mais rígida e dividida do que a seleção livre que a gente ama hoje em dia.

Se você acha que os campeões mudaram muito com as temporadas, você não viu nada. A Annie já estava por lá com seu ursinho de fogo, mas o resto da galera era irreconhecível. O Sion, por exemplo, tinha uma barba enorme e laranja, o que é simplesmente ridículo se você pensar no monstro depressivo e gigante que ele virou. É aquele tipo de design que hoje a gente diria que flopou feio, mas que na época era o que eles achavam que ia dar o hype necessário.

E não para por aí. O Lee Sin, que a gente conhece como o mestre do chute, era chamado de Xizun, o monge cego. E a passiva dele? O nome era literalmente "Built like a brick wall on roids" (Construído como uma parede de tijolos com esteroides). Dá para sentir a energia dos anos 2000 exalando desse documento, onde tudo precisava parecer "radical" e exagerado para atrair a atenção dos investidores.

Já o Singed era chamado de Zij, e embora fosse o único que não mudou tanto visualmente, a mudança de nome mostra que nada estava escrito em pedra. O que mais me chamou a atenção foi a lore. O mundo era governado por duas facções em paz até que um "tipo de anticristo" nasceu e rasgou a realidade, criando um buraco colossal que ameaçava consumir tudo. Para fechar com chave de ouro na bizarrice, o logo da Riot Games no vídeo do pitch estava completamente banhado de sangue.

Olhando para isso agora, fica claro que League of Legends passou por uma metamorfose completa para chegar onde chegou. O pitch de Onslaught era edgy, cartunesco e mecanicamente confuso, mas serviu de semente para o que viria a ser o padrão da indústria. É fascinante ver que a Riot Games teve a coragem de jogar quase tudo isso no lixo e pivotar o projeto para algo que realmente funcionasse no PC.
Muita gente tem pedido o retorno de versões clássicas do jogo, mas depois de ver esse material, eu acho que a gente não voltou longe o suficiente. A verdadeira "classic-ificação" só aconteceria se tivéssemos que jogar com o Sion barbudo em um mapa de cidade caótica. Seria um caos total, provavelmente ninguém saberia o que está fazendo, mas seria a experiência definitiva de arqueologia gamer.



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