Cara, vocês já repararam que os mouses de PC estão ficando cada vez mais gigantes? Parece que a tendência da indústria é transformar o periférico num travesseiro para a mão, com shapes absurdos que tentam envolver cada milímetro do seu pulso. A gente vê mouses gamer que parecem naves espaciais, cheios de furos e botões, mas a Logitech resolveu chutar o balde e ir na direção oposta com o novo Logitech Mobi Fold. Esse bichinho é literalmente minúsculo e focado em quem não tem espaço na mochila ou precisa de algo ultraportátil.
O conceito aqui é bem bizarro, mas interessante: ele é um mouse que dobra ao meio. Quando você olha pra primeira vez, não sabe se é um celular antigo, um suporte de smartphone ou algum gadget perdido de um set de filmagem de ficção científica. A pegada é bem parecida com aquele Surface Arc da Microsoft de 2017, mas com a diferença de que esse aqui dobra para o lado oposto para ficar compacto. Se você é do tipo que carrega o notebook para todo lado, a ideia de ter um mouse que some no bolso é tentadora demais para ignorar.

Na prática, o design é um golpe de mestre para quem viaja. Quando colapsado, ele cabe em qualquer lugar sem criar aquele calombo ridículo na roupa ou na bag. Quando você abre, ele assume um formato que, surpreendentemente, encaixa bem na mão, ao contrário de muitos mouses compactos que são apenas versões "encolhidas" de modelos normais e acabam ficando desconfortáveis. O corpo é revestido em silicone e plástico, passando uma sensação de robustez, apesar de parecer frágil à primeira vista.

Falando de specs, a Logitech não economizou no básico. Ele vem com um sensor óptico PAW3222 de 4000 DPI, o que é mais do que suficiente para produtividade e até aquele game casual no hotel. Temos quatro botões no total, sendo dois deles programáveis através do software Logi Options+, permitindo que você configure atalhos ou até um auto-zoom bem útil. A conectividade é via Bluetooth LE e ele suporta o receptor Logi Bolt, embora esse último não venha na caixa da versão padrão, o que é aquela famosa economia chata da marca.

Agora, vamos ao ponto onde a coisa começa a ficar estranha. O scroll não é uma rodinha tradicional, mas sim um painel touch sensível. E olha, sendo bem sincero, isso aqui é meio flopou. O rastreamento do scroll é inconstante e, às vezes, dá uns trancos que irritam qualquer um que esteja acostumado com a precisão de um mouse gamer de alta performance. É aquele tipo de inovação que parece linda no papel, mas que no uso real te faz sentir saudade da simplicidade de um plástico girando.
Outro detalhe que me deixou perplexo foi a promessa de durabilidade. A Logitech afirma que o mecanismo de dobra aguenta 50 mil ciclos, o que daria uns 15 anos de vida útil se você dobrar o mouse nove vezes por dia. Para justificar a tecnologia, eles meteram a palavra da moda: IA. Segundo a empresa, existe uma IA on-device que identifica quando você está dobrando o mouse para evitar cliques acidentais. Sério, a gente chegou no ponto de precisar de inteligência artificial para saber se o usuário está fechando um mouse? É puro marketing para tentar justificar o preço de aproximadamente R$ 440 reais.

Se você pretende usar isso para jogar Counter-Strike ou qualquer outro shooter competitivo, esquece. O shape é pequeno demais para pegadas mais firmes e a precisão, embora honesta, não compete com mouses de performance. É um acessório para quem quer fugir do trackpad do notebook, que a gente sabe que é um tormento para qualquer tarefa que exija precisão. Para editar uma planilha ou navegar na web enquanto toma um café no aeroporto, ele brilha, mas para gameplay sério, ele sofre um nerf gigantesco.
No fim das contas, o Logitech Mobi Fold é um produto de nicho. Ele não veio para substituir seu mouse principal de mesa, mas sim para ser aquele companheiro de viagem que não ocupa espaço. A build é excelente e a bateria dura uma eternidade, mas o preço é salgado para algo que entrega um scroll medíocre. Se você tem espaço na mochila para um mouse compacto tradicional, provavelmente encontrará opções mais baratas e confortáveis, mas se a portabilidade extrema é sua prioridade, ele é a escolha certa.

Meu veredito é que a Logitech criou um brinquedo tecnológico fascinante, mas que beira o exagero em algumas escolhas. A dobra é satisfatória e a construção é premium, mas a IA para evitar cliques é a maior piada do ano. Ainda assim, é melhor do que usar aqueles pointing sticks de notebooks antigos que parecem que você está tentando controlar o cursor com um grão de arroz. É um acessório estiloso, funcional para o propósito certo e que definitivamente chama a atenção por onde passa.


💬 Comentários da Comunidade
Carregando comentários...