
Se você é daqueles que gosta de colecionar cartas ou joga Magic: The Gathering competitivamente, já sabe que a Wizards of the Coast adora brincar com o nosso coração — e com o nosso bolso. A empresa acabou de revelar quatro novas cartas promocionais exclusivas do mercado japonês para a Planeswalker Series, e a sensação é a mesma de sempre: se você não mora no Japão ou não tem um contato muito bem servido no mercado paralelo, prepare-se para pagar preços absurdos no futuro.
O grande problema aqui não é nem a existência de promos, mas a qualidade absurda da arte japonesa. Artistas como Naoki Saito e Hitowa trazem aquele estilo manga/anime que deixa qualquer carta com cara de item de luxo. A gente já viu isso acontecer com a reprint de Sheltered by Ghosts, que se tornou um pesadelo para quem não participou do torneio em Kyoto em março de 2016, chegando a custar $260 (cerca de R$ 1.430) em sites de revenda. É aquele tipo de estratégia que gera um hype insano, mas que deixa a comunidade global com aquela sensação de que fomos esquecidos.

Para quem está por dentro, a Planeswalker Series é um evento que começou em abril do ano passado e foca em levar o formato Standard para todos os níveis de jogo, do casual ao competitivo. Agora, entre 1º de julho e 30 de setembro, quem participar vai garantir a carta Twitching Doll, ilustrada por Tomoyuki Mizufune. A arte é bizarra e incrível: parece uma boneca hina aterrorizante sendo controlada por uma aranha gigante. Esse artista já mostrou a que veio antes, com versões especiais de Radiant Lotus em Aetherdrift, então a gente sabe que o nível de detalhe é altíssimo.
Além da participação, o prêmio máximo desse primeiro período será a carta The Wandering Rescuer, assinada por Hisashi Momose. O cara é um monstro da ilustração e já tem mais de duas dúzias de cartas no jogo, incluindo versões de The Wandering Emperor em Kamigawa: Neon Dynasty. Tanto a Twitching Doll quanto a The Wandering Rescuer vieram originalmente do set Duskmourn: House of Horror, mas com essas artes exclusivas, elas viram verdadeiros troféus.

Mas calma, que a tortura continua na segunda metade do ano. De outubro a dezembro, teremos a carta Strategic Betrayal, com arte de Amayagido. A imagem é impactante: a lâmina de um samurai resoluto reflete o rosto de alguém que ele acabou de trair, com puro medo nos olhos. Amayagido já é conhecido por ter desenhado as cartas de terreno de Plains e Islands em Kamigawa: Neon Dynasty, então a estética está super alinhada com a cultura japonesa.
O verdadeiro motivo para a galera do Commander entrar em pânico, porém, é o prêmio máximo da temporada final: Voice of Victory, com arte da estreante Tokiwata. Se você joga Magic: The Gathering no formato casual/social, sabe que essa carta é um pilar em muitos decks brancos. Ela é uma criatura incomum de dois manas que basicamente impede seus oponentes de conjurarem feitiços durante o seu turno. Ou seja, ela é o hard counter perfeito para aqueles jogadores chatos que adoram usar contrafeitiços para travar seu jogo.

Além de travar o oponente, Voice of Victory tem a habilidade Mobilize 2, criando dois tokens atacantes sempre que ela ataca, o que a torna indispensável para decks de tokens. Atualmente, versões anteriores dessa carta já orbitam a casa dos $20 (cerca de R$ 110), e com essa nova arte exclusiva do Japão, a tendência é que o preço dispare assim que ela hitar no mercado de colecionadores. É a receita clássica da Wizards of the Coast: cria a escassez, gera a demanda e deixa o mercado secundário inflacionar.
Essas cartas, junto com a Strategic Betrayal, fazem parte do set Tarkir: Dragonstorm. É bem frustrante ver que a Wizards of the Coast continua apostando pesado nessas exclusividades regionais. Enquanto a gente aqui no Brasil tenta montar um deck decente sem vender um rim, a galera no Japão recebe essas joias por participar de torneios locais. É um movimento que, para mim, beira o elitismo colecionável, transformando cartas de jogo em ativos financeiros quase impossíveis de conseguir legalmente fora da Ásia.
No fim das contas, quem não viaja para o Japão vai ter que ficar só na admiração via redes sociais ou preparar o cartão de crédito para comprar de scalpers. A história do Magic: The Gathering prova que a promo exclusiva de hoje é o item de colecionador impossível de amanhã. Se você gosta de ter a carta mais bonita da mesa para ostentar, já sabe: ou você aprende japonês e pega um voo para Tóquio, ou aceita que vai pagar três vezes o valor da carta para um revendedor no eBay.
Meu veredito? As artes estão fenomenais e a escolha das cartas para a Planeswalker Series foi certeira, especialmente com Voice of Victory. Mas essa política de exclusividade regional é um flop total para a experiência do jogador global. É chato pra caramba saber que existe uma versão superior de uma carta que eu uso todo final de semana, mas que eu nunca vou ter a menos que eu seja milionário ou more do outro lado do mundo.



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