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Microsoft detona id Software e prova que não entende nada de legado gamer

Sério, chega a ser inacreditável a frieza com que a Microsoft trata as joias da coroa que ela mesma compra. A gente vê esse ciclo se repetindo: a empresa chega com o talão de cheques, compra estúdios lendários via Bethesda e, depois de um tempo, resolve que 'precisa de ajustes' na planilha. O resultado? A id Software, que é literalmente o coração pulsante de tudo que conhecemos como tiro em primeira pessoa, acaba virando estatística em um anúncio corporativo sem alma.

Para quem não está ligado, a história começa com uma analogia curiosa sobre a Costco. Em 1984, eles decidiram vender um combo de cachorro-quente e bebida por $1.50, o que daria cerca de R$ 8,25. Anos depois, quando o CEO reclamou que estavam perdendo dinheiro, o fundador basicamente disse: 'Se você subir o preço desse cachorro-quente, eu te mato'. Isso é entender o valor de algo que vai além do lucro imediato, é entender o valor da marca e da fidelidade do cliente. Pena que a galera do Xbox não aprendeu essa lição.

Imagem Cena de  How do you 1

Voltando para os games, em 1992, um grupo de jovens mal saídos da adolescência fundou a id Software. Eles não queriam apenas fazer jogos; eles queriam quebrar as barreiras do que era possível no PC. Primeiro veio o Commander Keen, mas foi com Doom que o mundo realmente parou. Esse jogo foi tão absurdamente onipresente que, na época, era instalado em mais máquinas do que o próprio Windows. Foi ali que o hype dos shooters nasceu e a indústria mudou para sempre.

Imagem Cena de  How do you 2

Depois disso, a id Software não pisou no freio e entregou Quake, que foi a pedra angular dos jogos em 3D. A genialidade de caras como John Carmack, que programou o código de rede para multiplayer em apenas um mês em novembro de 1993, e John Romero, que batizou o conceito de Deathmatch, criou a base para tudo o que jogamos hoje. Se você joga Call of Duty ou Valorant, você deve graças a esses caras. O impacto foi tão visceral que alterou as vias neurais de qualquer um que pegou a Super Shotgun pela primeira vez.

Imagem Cena de  How do you 3

Mas agora chegamos na parte que me deixa puto. No dia 9 de julho de 2026, a Microsoft anunciou a demissão de 136 desenvolvedores do estúdio no Texas. O Derek Best, um veterano de 12 anos de casa, descreveu a situação como 'explodir uma equipe no chão'. O pior de tudo? O novo jogo do estúdio foi lançado apenas um dia depois desse massacre de talentos, e enquanto a Microsoft demitia a galera, o jogo ocupava o banner principal do site do Xbox. É a definição perfeita de hipocrisia corporativa.

Imagem Cena de  How do you 4

O que a Asha Sharma e a diretoria do Xbox não parecem entender é que Doom não é apenas uma fonte de receita de centenas de milhões de dólares. É um ecossistema. São décadas de mods, mapas customizados e jogos inteiros construídos sobre a fundação da id Software. Tem gente criando coisas incríveis até hoje usando esse código. Quando você demite a base técnica de um estúdio desses, você não está apenas cortando custos, você está dando um nerf brutal na própria história da indústria.

É bizarro pensar que a empresa que se diz a 'curadora' desses legados trate o talento humano como se fosse um arquivo temporário que pode ser deletado para bater meta de trimestre. A id Software provou repetidamente que conseguia se reinventar, entregando shooters modernos que ficam lado a lado com os clássicos em termos de qualidade. Mas para a Microsoft, parece que o valor real de um estúdio é medido apenas por planilhas, e não pelo impacto cultural que eles geraram no PC e nos consoles.

Essa mentalidade de 'Resetting Xbox' é um perigo. Eles estão tentando consertar o negócio, mas estão fazendo isso cortando os tendões de quem realmente sabe fazer jogos. Se a Microsoft não consegue enxergar o valor de possuir o coração dos shooters, talvez eles realmente não devessem estar no negócio de videogames. Porque fazer game não é sobre logística de distribuição, é sobre paixão, tecnologia de ponta e respeito por quem pavimentou a estrada.

No fim das contas, a gente fica aqui assistindo a esse show de horrores. A id Software sobreviveu a eras, trocou de donos, enfrentou crises, mas nunca foi tão vulnerável quanto agora, sob a gestão de quem acha que cultura de estúdio é algo descartável. Espero que eles percebam o erro antes que o legado de Doom e Quake se torne apenas uma lembrança nostálgica de quando a indústria era movida por gênios e não por executivos de terno.

É triste ver que, para os grandes tubarões, o valor de um legado é zero se ele não couber num gráfico de crescimento trimestral. Ficamos com a sensação de que a Microsoft está jogando o jogo no modo difícil, mas sem ter o manual de instruções. Se continuarem nesse ritmo de 'limpeza', vão acabar com um catálogo imenso, mas sem ninguém com competência para criar o próximo grande hit que mude o mundo.

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