MMORPG

Microsoft detona Zenimax e transforma The Elder Scrolls Online em saco de pancadas

Olha, eu já vi muita coisa nesse mercado de games em 15 anos, mas o que a Microsoft está fazendo com a Zenimax Online Studios (ZOS) ultrapassa qualquer limite do aceitável. É aquele tipo de situação que deixa qualquer gamer com o sangue fervendo, porque não estamos falando apenas de números em uma planilha de acionistas, mas de gente talentosa sendo jogada no lixo enquanto a diretoria do Xbox brinca de Tetris com a vida dos desenvolvedores. A sensação é que a ZOS, responsável por manter o gigante The Elder Scrolls Online vivo, virou oficialmente o saco de pancadas da empresa.

Não vamos nos enganar: o gênero de MMORPG não está morrendo, a gente ainda tem o hype de Guild Wars 3 no horizonte e vários veteranos que, mesmo com a barba grisalha, continuam com bases de jogadores sólidas e conteúdo relevante. O problema aqui não é a falta de público ou de interesse no gênero, mas sim uma gestão corporativa que parece ter perdido a mão completamente. Ver a Microsoft dar esse soco no estômago da equipe da ZOS duas vezes em um intervalo de dois anos é, no mínimo, deplorável.

Para quem não está por dentro do drama, o primeiro golpe veio em julho de 2025. A Microsoft simplesmente deletou milhares de empregos, e no meio desse massacre estava o fatídico Project Blackbird. Esse projeto não era qualquer coisinha; era a grande aposta da Zenimax, um título que estava em desenvolvimento há mais de cinco anos com cerca de 300 pessoas focadas nele. Imagina o nível de frustração de ver cinco anos de suor e café sendo jogados no ralo da noite para o dia.

Imagem Cena de  The Elder Scrolls 1

O mais absurdo de tudo é que, segundo relatos, o então CEO do Microsoft Gaming, Phil Spencer, estava completamente fissurado no projeto e teria que ser praticamente arrancado da frente do jogo tanto ele gostava das demos iniciais. Mesmo com esse apoio inicial e a previsão de lançamento para 2028, a empresa decidiu que o projeto não servia mais, resultando na perda imediata de 62 empregos apenas nesse recorte do Project Blackbird. Foi um choque que abalou as estruturas da ZOS, mas a galera tentou manter a cabeça erguida.

Nessa época, nomes como a produtora executiva Susan Kath e o diretor de jogo Nick Giacomini tentaram passar uma imagem de resiliência, dizendo que a equipe tinha se unido e que estavam vivendo uma espécie de "segundo fôlego". Eles falavam em evolução e transformação, tentando convencer a comunidade e a si mesmos de que o futuro ainda era brilhante dentro daquela casa. Parecia aquele movimento de recuperação que vimos no World of Warcraft depois do desastre total que foi a expansão Shadowlands, com roadmaps claros e promessas de melhorias.

Imagem Cena de  The Elder Scrolls 2

Só que a esperança dura pouco quando você responde a acionistas gananciosos. Menos de seis meses depois desse papo de "superação", a Microsoft desferiu o segundo golpe, e desta vez foi um nocaute técnico. Estimativas apontam que cerca de 60% do estúdio foi eliminado entre 2025 e 2026, com 213 demissões acontecendo em um curto espaço de tempo. Basicamente, a Zenimax Online Studios foi esvaziada, perdendo talentos seniores que eram a alma da operação do The Elder Scrolls Online.

Imagem Cena de  The Elder Scrolls 3

Enquanto isso, a cúpula do Xbox parece viver em um mundo paralelo, com metas delirantes de querer atingir 1 bilhão de jogadores diários. Para você ter uma ideia do quanto isso é absurdo, é um número cerca de 24 vezes maior do que o pico de população da Steam. É esse tipo de visão distorcida que leva a decisões catastróficas: eles preferem cortar a carne de quem realmente faz o jogo para tentar perseguir um número impossível de alcançar, tratando o desenvolvimento de games como se fosse uma fábrica de parafusos.

O triste é que o The Elder Scrolls Online estava tentando se reinventar. Eles implementaram um modelo sazonal e estavam focados em resolver reclamações antigas de qualidade de vida (QoL) para tirar o jogo daquela sensação de estagnação. Estava tudo encaminhado para um novo ciclo de crescimento, mas como você mantém a consistência de um MMORPG quando corta a maioria da sua equipe? É a receita perfeita para o flop a longo prazo.

Imagem Cena de  The Elder Scrolls 4

Para fechar com chave de ouro esse cenário apocalíptico, temos a piada dos valores envolvidos. Dizem que 11 trilhões de reais (aproximadamente $2 bilhões) investidos ao longo de 10 anos não são suficientes para salvar um estúdio se a gestão do Xbox decidir que você não serve mais. Dinheiro não compra estabilidade nem visão artística quando a cultura da empresa é baseada em cortes brutais e metas irreais. É desanimador ver um dos maiores nomes do gênero ser tratado com tanto descaso.

No fim das contas, a situação da Zenimax Online Studios serve de aviso para todo mundo. Não importa o tamanho da sua franquia ou quanto dinheiro a empresa mãe tenha no banco; se você estiver no caminho de uma reestruturação corporativa cega, você é descartável. A Microsoft está jogando um jogo perigoso, sacrificando a expertise humana em nome de uma expansão artificial que pode acabar corroendo a qualidade de todos os seus títulos.

Agora ainda não se sabe se o que sobrou da equipe da ZOS consegue manter o The Elder Scrolls Online respirando ou se veremos o jogo entrar em um declínio lento e doloroso. Eu, particularmente, não tenho muita fé na gestão atual do Xbox, que parece mais interessada em números de engajamento do que em criar experiências memoráveis. É uma vergonha ver a indústria chegar a esse ponto de frieza.

Links Úteis

* Discussão no Reddit sobre as demissões
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