Se você acha que o preço dos consoles no Brasil já é um absurdo, segura essa bomba. A gente sabe que a indústria de games adora empurrar qualquer custo extra para o bolso do consumidor, mas o que a Microsoft e a Sony estão fazendo agora beira a falta de noção. Basicamente, as empresas estão recebendo dinheiro de volta do governo, mas decidiram que esse 'lucro inesperado' fica com elas, e não com quem pagou caro no hardware.
Para quem está por fora do rolo, algumas tarifas tecnológicas impostas pelo governo dos EUA foram consideradas inconstitucionais em fevereiro. Isso significa que muitas empresas que pagaram esses impostos agora têm direito a reembolsos gordos. O problema é que, enquanto o governo devolve a grana para a empresa, a Microsoft e a Sony simplesmente disseram 'não' quando questionadas se esse valor seria revertido em descontos ou reembolsos para nós, os jogadores.

A situação ficou tão feia que a galera resolveu partir para a briga judicial. Um jogador de Xbox entrou com uma ação coletiva contra a Microsoft em julho, alegando que a empresa repassou o custo das tarifas diretamente para o preço final do console. A Sony não escapou e enfrentou um processo similar já em maio, provando que a comunidade está cansada de ser vista apenas como um caixa eletrônico para essas corporações.
O argumento jurídico da Microsoft para tentar derrubar o processo é de cair o queixo. Os advogados da empresa alegaram que não há nada de injusto em alguém comprar um Xbox pelo preço anunciado e receber exatamente o que pagou. Para eles, a teoria do consumidor sobre a estrutura de custos da empresa não importa. É aquele típico papo corporativo de 'está no contrato, aceita ou não compra', que a gente já conhece e odeia.

Já a Sony foi no mesmo caminho, alegando que pagar o preço de mercado por um produto comprado voluntariamente não é um 'dano legal'. Mas olha o detalhe: a Sony estimou que receberia cerca de $508 milhões em reembolsos, o que dá aproximadamente R$ 2,8 bilhões de reais. O CFO da empresa confirmou que a maior parte desse montante seria recuperada pela divisão de games. Ou seja, a grana entrou, mas não vai chegar nem perto do seu bolso.
A Nintendo também entrou nessa onda de egoísmo. A empresa também buscou os reembolsos e, em julho, seus advogados tentaram anular um processo movido por consumidores em abril. A defesa da Nintendo foi basicamente dizer que a justiça não pode 'inventar' um dever legal de re-precificar vendas já concluídas só porque as leis mudaram. Segundo eles, se isso acontecesse, qualquer negócio teria que devolver dinheiro toda vez que errasse um cálculo de preço.

O que torna tudo isso mais revoltante é que existem empresas que não são tão gananciosas. A Arctic, por exemplo, anunciou que vai reduzir seus preços após conseguir o reembolso, prometendo que cada centavo recebido será devolvido aos clientes. E a Panic, criadora do handheld Playdate, foi ainda mais longe e ofereceu reembolsos diretos para quem pagou a mais devido às tarifas. O cofundador Cabel Sasser mandou a real: 'Simplesmente não é nosso dinheiro para guardar'.
É bizarro ver que empresas menores têm mais ética que as gigantes do setor. Enquanto a gente torce pelo próximo hype de hardware ou espera por um buff nos serviços de assinatura, a Microsoft, a Sony e a Nintendo mostram que a prioridade é inflar o balanço financeiro, mesmo que isso signifique ignorar a lealdade de quem sustenta a plataforma. Isso é um flop total em termos de relacionamento com o consumidor.

No fim das contas, esse episódio serve para lembrar que, no mundo dos consoles, a competição muitas vezes acontece no topo, enquanto quem está na base — o gamer — serve apenas para bancar a festa. Se a justiça não forçar essas empresas a devolverem a grana, ficaremos com a lição de que a honestidade corporativa é um item raro, quase como um colecionável de edição limitada que ninguém consegue comprar.
Fica claro que a ganância falou mais alto. Ver R$ 2,8 bilhões voltando para a Sony sem que um único centavo seja revertido em benefício do usuário é de embrulhar o estômago. Esperamos que as ações coletivas avancem, porque se dependermos da boa vontade dessas gigantes, vamos continuar pagando a conta de erros governamentais e decisões inconstitucionais para sempre.



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