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Moonlight Peaks: Um simulador de fazenda vampírico que quase acertou a mão

Sinceramente, a ideia de ser um vampiro cuidando de uma horta é um dos melhores conceitos que eu vi ultimamente. No meio de tanta simulação rural açucarada e idêntica, onde todo mundo é bonzinho e a vida é um eterno pôr do sol no campo, chegar com uma temática noturna e sobrenatural foi um movimento certeiro. O hype inicial foi alto porque a premissa realmente vende bem, mas a real é que Moonlight Peaks acaba sendo aquele jogo que tem uma ideia genial e não sabe o que fazer com ela.

A gente sabe que o gênero de simulação rural tá entupido de jogo igual, e para se destacar hoje em dia não basta só ter um visual bonitinho. Você assume o papel da progênie do Dracula, que resolveu mandar o pai para aquele lugar e partir para a vida independente em Moonlight Peaks. O objetivo? Transformar um refúgio familiar abandonado em uma fazenda produtiva, cultivando coisas bizarras como \"tomates de sangue\" e \"pepinos cruéis\" enquanto lida com vizinhos vampiros, bruxas e lobisomens que não param de brigar.

Imagem Cena de  <strong>Moonlight Peaks</strong> review 1

No papel, a lista de atividades é aquele checklist básico que qualquer fã de Stardew Valley ou Animal Crossing já conhece de cor. Tem a plantação, a criação de animais, a pesca, a coleta de insetos, culinária e a parte de decoração. Tudo isso é feito de forma competente, então você consegue desligar o cérebro e curtir umas horinhas de gameplay relaxante. É aquele tipo de experiência reconfortante, onde você organiza suas plantações de mirtilo e corre para a mina buscar cobre para dar um buff no seu machado, mas é aí que o problema começa: quando você tenta aprofundar, percebe que o jogo é superficial demais.

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O que mais me incomodou foi a progressão. Diferente de outros sucessos do gênero, onde você sente que está evoluindo suas habilidades, em Moonlight Peaks tudo é engessado e guiado por quests principais. Não tem aquele sistema de subir nível de agricultura para desbloquear bônus; o foco é apenas ganhar dinheiro para pagar as tarefas de revitalização da cidade. O pior é que o ritmo é instável. Tem dias que você não tem absolutamente nada para fazer a não ser regar as plantas e ir dormir cedo, esperando a próxima missão triggar, o que deixa a gameplay com um sentimento de vazio.

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Para tentar preencher esses buracos, a Little Chicken colocou alguns minigames de cerâmica e arranjos florais que são bem legais, mas perdem a graça rápido porque não há incentivo real para continuar fazendo. Isso se estende ao sistema de namoro. A ideia de ter encontros é fofa, mas cada personagem está preso a um único tipo de atividade. Se você decidir conquistar apenas um personagem, vai se ver assando marshmallows ou bordando a mesma coisa repetidamente até o casamento, o que se torna um tédio completo.

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E falando em namoro, a dinâmica social é, no mínimo, bizarra. Como a cidade é pequena, é bem fácil você se ver namorando pais e filhos adultos ao mesmo tempo, ou todos os membros de um clã de bruxas simultaneamente. Não chega a ser um problema técnico, mas tira a imersão e deixa a situação com um clima estranho. Além disso, o painel de relacionamentos é bem limitado, rastreando apenas os últimos oito presentes dados, o que é um nerf total na utilidade de quem gosta de organizar a amizade com cada NPC.

Outro ponto que cansa é a narrativa. O jogo tenta ser engraçado com diálogos em caixa alta, simulando gritos constantes dos personagens, mas isso logo se torna irritante. Parece que o jogo tem medo de ter "dentes", sabe? Ele apresenta um mundo de monstros e conflitos ancestrais, mas a execução é tão branda que nada disso realmente impacta a experiência. É como se tivessem pego um simulador de fazenda genérico e apenas colocado uma skin de Halloween por cima, sem mudar a alma do jogo.

No quesito técnico, o título roda liso no PC e está verificado para o Steam Deck, o que é ótimo para quem curte jogar esse tipo de jogo na cama. O preço sugerido é de $35, o que dá aproximadamente R$ 192,50. Para um jogo indie desse porte, acho que o valor está um pouco salgado considerando que ele não entrega nada de inovador mecanicamente. Se você procura algo para relaxar e não se importa com a falta de profundidade, pode ir fundo, mas não espere a revolução dos sims rurais.

No fim das contas, Moonlight Peaks é um jogo honesto, mas sem sal. A Xseed Games e a Marvelous Europe trouxeram um produto que cumpre o que promete, mas que não arrisca nada. É aquele jogo que você começa com todo o hype por causa do tema vampírico, mas que depois de algumas horas você percebe que é apenas mais um na multidão de simuladores de fazenda que a gente vê na Steam todos os dias.

Se você é fã visceral do gênero e já zerou tudo que existe de Notícias sobre fazendas virtuais, vale a pena dar uma chance pelo visual e pela premissa. Mas, se você busca algo com a profundidade de um RPG ou com sistemas complexos de progressão, esse título provavelmente vai flopar nas suas expectativas. É um passatempo ok, mas que precisava de muito mais \"sangue\" no gameplay para ser realmente memorável.

Moonlight Peaks
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