Cara, vamos ser sinceros: a Bethesda está fazendo a gente esperar por The Elder Scrolls VI há tanto tempo que eu já comecei a esquecer como é a sensação de um lançamento novo da franquia. Se você não contar com a promessa de um possível remaster de Oblivion, a gente está basicamente sobrevivendo de migalhas e teorias de conspiração no Reddit. É aquele sentimento de hype que já virou cansaço, sabe? A gente quer explorar um novo continente, mas a empresa parece que está jogando no modo 'espera infinita'.
O que acontece quando a comunidade cansa de esperar? Eles mesmos resolvem o problema. Ultimamente, rolou um pico absurdo de gente pedindo um remaster de The Elder Scrolls III: Morrowind, aquele RPG seminal de 2002 que definiu a liberdade nos jogos. Desenvolvedores independentes e fãs veteranos começaram a debater como o jogo seria recebido hoje em dia, e a nostalgia bateu forte. A gente está com aquela 'febre de cabana', precisando de qualquer coisa que nos leve de volta para as cinzas de Vvardenfell.

Foi aí que um usuário do Reddit chamado Dumpster Buddy decidiu que a barreira de instalação era um obstáculo desnecessário. O cara simplesmente conseguiu fazer o The Elder Scrolls III: Morrowind rodar inteiramente dentro de uma aba do seu navegador. Não estou falando de um vídeo ou de um site que simula o jogo, mas de rodar o game de verdade enquanto você finge que está trabalhando no PC. Você abre um link e, do nada, já está pisando na areia de Seyda Neen, sem precisar de launcher, sem instalação chata e sem frescura.
O detalhe mais bizarro e genial disso tudo é que não se trata de um stream via nuvem e nem de um emulador tosco. O modder compilou o OpenMW (que é a engine open-source do jogo) para WebAssembly. Ou seja, a engine real do jogo está fluindo através do seu browser. Para quem não manja de tech, isso é basicamente transformar o código do jogo em algo que o Chrome ou o Firefox entendam nativamente. O resultado é que o game roda exatamente como se você tivesse acabado de dar boot nele via Steam.

Claro que para chegar nesse nível, o desenvolvedor teve que suar a camisa e reconstruir partes da engine que foram feitas pensando em desktop. Ele precisou migrar o renderizador OpenSceneGraph para WebGL2, e aí entrou a parte artística da coisa: ele customizou shaders para que os reflexos na água ficassem decentes e as sombras parassem de 'dançar' quando o personagem se movia. Como o anti-aliasing de hardware não sobreviveu ao pós-processamento no WebGL2, ele implementou supersampling para manter a imagem nítida e sem aqueles serrilhados que dão gatilho em quem joga em 4K.
E se você acha que é só um 'demo' limitado, se enganou. O port suporta saves, funciona com controle e, pasmem, aceita mods. O criador do projeto já está cogitando adicionar um gerenciador de mods integrado e até suporte para multiplayer. É aquele tipo de dedicação que a gente raramente vê em empresas oficiais, mas que é a alma da comunidade de PC. É a prova de que, se a Bethesda não quer modernizar seus clássicos, os fãs fazem isso no tempo livre entre um café e outro.

Mas nem tudo são flores nesse paraíso de cinzas. Tem um porém bem grande: para jogar a campanha completa, você ainda precisa ter os arquivos originais do jogo instalados no seu disco para que o navegador possa lê-los. Nesse cenário, você pode pensar: 'Ué, mas aí eu não jogo direto pelo Steam?'. Sim, você joga. Porém, a vantagem real aqui é a portabilidade. Você pode colocar esses arquivos em um HD externo e levar seu Morrowind para qualquer lugar, rodando ele em computadores onde você não tem permissão para instalar programas, como no PC do escritório.
Para quem não tem os arquivos ou só quer testar a loucura, existe um mundo demo bem básico disponível. Ele serve para você sentir a interface clássica e ver como a performance se comporta no seu navegador sem precisar baixar gigabytes de dados. É um gostinho do que é ter um RPG imenso e complexo rodando em uma tecnologia que, há dez anos, a gente achava que servia apenas para abrir e-mails e ver memes.

É fascinante ver como o The Elder Scrolls III: Morrowind continua relevante, mesmo sendo eclipsado pelo onipresente Skyrim. Enquanto o irmão mais novo foi portado para absolutamente tudo que tem uma tela, o Morrowind sobrevive graças a esse tipo de iniciativa. A comunidade está basicamente mantendo o jogo vivo no respirador artificial da criatividade, enquanto a gente continua jogando The Elder Scrolls Online para tentar preencher o vazio deixado pela ausência de um novo título principal da série.
No fim das contas, esse tipo de projeto mostra que a paixão dos gamers é o que realmente move a indústria, mesmo quando as empresas decidem flopar no suporte aos seus legados. Ter a capacidade de carregar um mundo inteiro em uma aba do browser é, no mínimo, disruptivo. Agora, só falta a Bethesda acordar do sono profundo e nos entregar o TES6 antes que a gente termine de portar todos os jogos de 2002 para o HTML5. Alguém avisa eles que a gente não aguenta mais!

Sério, imagine a cena: você está numa reunião chata de Zoom, minimiza a janela e, em dois segundos, está lutando contra um Silt Strider no meio de uma tempestade de areia. Isso é a definição de liberdade tecnológica. Se isso não é motivo para a gente ter esperança no futuro dos mods e da preservação de jogos, eu não sei o que é. Só espero que esse projeto não seja derrubado por algum processo jurídico chato, porque a gente precisa de mais desse tipo de loucura no mundo dos games.



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