A real é que o gênero de terror anda num ciclo vicioso onde quase tudo flopou ou virou mais do mesmo. A gente se acostumou com aquele susto previsível, o famoso jump scare que não assusta nem criança, e fórmulas que se repetem até a exaustão. Mas, olha, nós aqui da Gamer Elite demos uma olhada no que está vindo por aí e Never After Dark parece ser aquele sopro de ar fresco que a gente precisava para parar de bocejar no cinema.
O lance é que o filme se propõe a entregar tudo aquilo que a gente queria que a franquia The Conjuring tivesse feito, mas que acabou ficando no caminho do comercialismo. Não estamos falando apenas de sustos, mas de uma atmosfera densa e perturbadora. A trama gira em torno de Airi, interpretada por Moeka Hoshi, uma clarividente que trabalha exorcizando espíritos que apenas precisam de um empurrãozinho para atravessar para o outro lado. O problema começa quando ela encara forças muito mais perigosas do que fantasmas: os seres humanos vivos.

O diretor Dave Boyle é um cara fascinante, com uma trajetória que parece roteiro de filme indie. O maluco foi criado como mórmon em Utah, mergulhou na cena indie do SXSW e depois decidiu que sua vida seria fazer cinema no Japão. Essa mistura cultural bizarra reflete no filme, que navega por uma história de casa assombrada com a precisão técnica de um David Fincher e a sensibilidade humana de Hirokazu Kore-eda. É aquele tipo de obra que consegue ser charmosa e visceral ao mesmo tempo, misturando médiuns psíquicos e assassinos em série com cenas de gore que vão deixar a galera bem desconfortável.
Conversando sobre a criação do projeto, Dave Boyle admitiu que é um viciado em histórias de fantasmas, mas que sempre sentiu que a maioria dos filmes do gênero erra a mão no final. Sabe aquele clichê onde o fantasma precisa de redenção ou rola um confronto final épico entre humano e espírito? Ele quis fugir disso a todo custo. A ideia aqui foi criar um desfecho orgânico, que não seguisse a cartilha do terror convencional, transformando o filme em um experimento narrativo que realmente paga a promessa de surpreender o espectador.

Outro ponto que gera um hype absurdo é a escolha da protagonista. O diretor decidiu que a Airi não teria medo de fantasmas. Agora, você pode pensar: "como isso vai ser assustador então?". É aí que entra a genialidade da coisa. Quando você tira o medo do sobrenatural da equação, o roteiro é forçado a criar novas formas de tensão e perigo, jogando a personagem em situações onde o medo vem de lugares inesperados e muito mais tangíveis, elevando o nível de expectativa de quem está assistindo.
Mesmo sendo ambientado no Japão e bebendo da fonte do J-Horror, o filme evita cair em estereótipos culturais óbvios. A crença e os rituais da Airi foram desenhados para parecerem estranhos tanto para o público japonês quanto para o ocidental. Essa escolha deliberada cria uma sensação de isolamento e mistério, fazendo com que as práticas de exorcismo pareçam algo genuinamente alienígena e autêntico, longe de qualquer manual de "como fazer filme de terror asiático".

Para quem gosta de acompanhar as Notícias do cinema, a Sony já percebeu o talento do Dave Boyle e acabou de contratá-lo para dirigir um remake de Pulse. Isso mostra que a indústria está apostando forte na visão dele para revitalizar clássicos e criar novas tendências no gênero. Se ele conseguir repetir a fórmula de Never After Dark, podemos estar diante de um novo mestre do horror moderno.
O filme chega aos cinemas no dia 25 de setembro e a expectativa é que ele quebre a monotonia dos lançamentos recentes. A mistura de thriller de assassino com casa assombrada, temperada com a estética nipônica, tem tudo para ser o grande destaque do segundo semestre. Se você está cansado de sustos baratos e quer algo que realmente mexa com a sua cabeça, esse é o título para ficar de olho.

No fim das contas, Never After Dark parece ser a prova de que o terror não precisa de fórmulas prontas para funcionar. Quando se tem coragem de subverter a lógica do gênero e focar na experiência humana — mesmo que seja uma experiência aterrorizante —, o resultado é algo muito mais potente. Estamos atentos para ver se a entrega final vai manter esse nível de promessa ou se vai acabar sendo apenas mais um título esquecível, mas as apostas aqui estão altas.




💬 Comentários da Comunidade
Carregando comentários...