Quem acompanha a trajetória da DC nos cinemas sabe muito bem que o estúdio coleciona tanto acertos quanto cancelamentos dolorosos que deixam qualquer fã de cabelo em pé. Acontece que, às vezes, as melhores ideias acabam indo para a gaveta por conta de reestruturações corporativas e mudanças drásticas de direção criativa. É exatamente isso o que aconteceu com o aguardado filme solo do Cavaleiro das Trevas que seria comandado e estrelado por Ben Affleck na Warner Bros.
Novas informações reveladas recentemente trouxeram à luz o que seria essa produção grandiosa, mostrando que o projeto tinha uma ambição narrativa poucas vezes vista no gênero dos super-heróis. Esqueça as fórmulas batidas de produções genéricas de bilheteria, pois o plano original prometia mergulhar fundo na psicologia torturada de Bruce Wayne. O hype gerado na época pelos fãs era completamente justificável, afinal, a visão crua e brutal apresentada em Batman v. Superman: Dawn of Justice indicava um caminho sombrio e promissor.

Segundo revelações vindas de bastidores, a trama principal colocaria o vigilante de Gotham City em rota de colisão direta com o letal Deathstroke, interpretado por Joe Manganiello. O mercenário não estaria apenas cumprindo um contrato comum, mas buscando uma vingança implacável após ser levado a acreditar que o próprio Batman teria assassinado seu filho. Esse conflito pessoal transformaria a narrativa em um jogo de gato e rato psicológico, muito comparado ao estilo tenso e claustrofóbico do aclamado suspense The Game, dirigido por David Fincher.
O nível de destruição mental e física planejado para o herói era assustador para os padrões tradicionais de Hollywood. Deathstroke invadiria a famigerada Batcaverna, causando o caos na base de operações do herói e fazendo o fiel mordomo Alfred Pennyworth, vivido por Jeremy Irons, de refém. Para piorar a situação do protagonista, a carnificina planejada incluiria até mesmo a morte do comissário Jim Gordon, interpretado por J.K. Simmons, deixando Bruce Wayne completamente isolado e encurralado em sua própria cidade.

Mas a jornada sombria não seria solitária do início ao fim, pois o roteiro previa a introdução oficial de uma nova versão da Batgirl no DCEU. Juntos, a dupla encriada enfrentaria o mercenário em uma sequência impressionante inspirada nos corredores caóticos de Arkham Asylum, culminando em uma fuga desesperada por cima de um trem em movimento. A grandiosidade das cenas de ação planejadas por Ben Affleck certamente entregariam uma gameplay cinematográfica impecável se tivessem saído do papel.
Infelizmente, a guinada nos rumos criativos do estúdio sob a gestão de James Gunn e Peter Safran acabou sepultando definitivamente esse e outros arcos do chamado Snyderverse. O multiverso cinematográfico precisava de uma limpeza profunda, o que resultou no cancelamento imediato de dezenas de conexões e pontas soltas plantadas ao longo de quase uma década. Ver projetos com tanto potencial criativo indo por água abaixo é sempre um balde de água fria para os espectadores que acompanham fielmente essas franquias.

A própria tentativa de resgatar Henry Cavill como o Superman na cena pós-créditos de Black Adam, orquestrada pelo próprio Dwayne Johnson, sofreu o mesmo destino trágico. Com a reformulação total anunciada para os próximos anos, todo o planejamento anterior virou poeira, provando que nos bastidores de Hollywood o poder executivo fala muito mais alto do que a vontade popular.
Restam apenas os relatos em livros de memórias, artes conceituais vazadas e a imaginação dos fãs para preencher as lacunas do que poderia ter sido uma das eras mais ousadas do herói mascarado nos cinemas. É lamentável constatar que interferências corporativas muitas vezes acabam podando visões artísticas genuínas que poderiam revolucionar o modo como consumimos adaptações de quadrinhos nas telonas.

Fica aquele sentimento agridoce de curiosidade por saber como o público reagiria a um Batman tão implacável e destruído psicologicamente. A indústria do entretenimento segue seu curso acelerado, mas a sensação de que perdemos uma obra-prima potencial do cinema de ação e suspense dificilmente vai desaparecer tão cedo da memória coletiva da comunidade nerd.
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* trailer for Batman: Arkham Origins



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