Sabe aquele sentimento de ver um projeto com uma alma artística absurda, mas que simplesmente não consegue engrenar no mercado competitivo de hoje? Pois é, é exatamente isso que está rolando com Book of Travels. O jogo tentou trilhar um caminho diferente dos clones de World of Warcraft, focando em algo mais contemplativo e menos focado em 'grind' infinito, mas a realidade bateu à porta e o título acabou de dar adeus ao seu lado online para se tornar um jogo single-player.
É triste, mas ao mesmo tempo fascinante ver como a indústria de MMORPG está saturada. Quando um jogo decide que não aguenta mais manter os servidores e prefere se transformar em uma experiência solo, isso geralmente significa que a base de jogadores não era suficiente para sustentar a infraestrutura. Mas, olha, não vamos chamar de flop total, porque a direção artística desse jogo é algo de outro mundo, beirando a poesia visual, e isso é raro de se encontrar no PC atualmente.

Para marcar esse encerramento da fase multiplayer, a desenvolvedora resolveu soltar a trilha sonora completa no YouTube. É quase como um velório musical, mas com a dignidade de quem sabe que criou algo especial, mesmo que não tenha viralizado. A faixa que mais chama a atenção agora é a "No Harm to You Here", uma música extremamente relaxante que resume bem a vibe de exploração solitária que o jogo agora abraça oficialmente.
O visual do jogo é simplesmente hipnotizante. Diferente de tudo que a gente vê na Steam, Book of Travels aposta em cores suaves e cenários que parecem pinturas feitas à mão. Quando você caminha por esses biomas, a sensação não é de estar jogando um videogame comum, mas de estar dentro de um livro de ilustrações antigo. É aquele tipo de experiência que pede para ser jogada com um fone de ouvido de alta qualidade para sentir cada nota da trilha sonora.

Agora que o jogo virou single-player, aquela solidão que já era parte do charme do título se torna a regra. Não ter mais a interação social forçada de um MMO pode, curiosamente, melhorar a imersão. Você deixa de se preocupar com o meta do jogo ou em quem é o player mais forte do servidor para focar apenas na sua própria jornada. É um movimento arriscado, mas honesto, já que manter servidores de qualidade custa uma fortuna e ninguém quer ver o jogo sumindo do mapa completamente.
A música "No Harm to You Here" é a prova viva de que o áudio pode carregar a narrativa de um jogo nas costas. Ela transmite uma paz que contrasta com a angústia de saber que o componente social do jogo morreu. É aquele tipo de composição que te faz esquecer do mundo exterior e entrar a fundo na melancolia da exploração. Para quem gosta de jogos com foco em ambientação, esse é o ponto mais alto de Book of Travels.

No fim das contas, Book of Travels foi um experimento ousado que tentou subverter a lógica dos jogos massivos. Em vez de recompensar o jogador com itens lendários e buffs apelões, ele recompensava a curiosidade e a contemplação. Ver esse título se transformando em um jogo solo é um lembrete de que nem todo mundo quer a mesma coisa de um RPG, e que existe espaço para projetos menores e mais íntimos, desde que eles saibam se adaptar para não morrerem no esquecimento.
Se você sente que o ritmo dos jogos modernos está rápido demais e que tudo virou uma competição por troféus, dar uma chance para esse título no PC pode ser a terapia que você precisa. A transição para o modo single-player tira o peso da obrigação social e deixa apenas a arte. É, sem dúvida, uma das decisões mais corajosas e lúcidas que já vi um estúdio tomar para salvar a essência de sua obra.

O veredito é simples: Book of Travels pode ter perdido a batalha contra os gigantes do gênero, mas venceu no quesito artisticidade. Se você valoriza trilhas sonoras que tocam a alma e visuais que parecem sonhos, ignore o fato de que ele não é mais um MMO e mergulhe nessa jornada. Às vezes, a melhor companhia em um mundo fantástico é apenas o silêncio e uma música bem composta ao fundo.




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