Todo mundo está naquele estado de hype insuportável esperando por GTA 6, mas a real é que a gente mal sabe o que esperar do modo online. Tem aquele boato de que o lançamento nos consoles não virá com o online de cara, talvez porque a Take-Two esteja morrendo de medo de que um lançamento combinado de singleplayer e multiplayer possa atrapalhar a máquina de fazer dinheiro que se tornou o GTA Online. É bizarro pensar que hoje o online é praticamente um estilo de vida para milhões de jogadores, mas se a gente olhar para trás, as sementes de tudo isso foram plantadas de um jeito muito mais humilde em Grand Theft Auto IV.
Enquanto o modo online atual é cheio de golpes complexos, impérios criminosos e aquele grind infinito de missões chatas para comprar um iate, o multiplayer de GTA 4 era apenas diversão idiota. Não tinha essa pretensão de gerar bilhões de dólares; era só você e seus amigos causando o maior estrago possível em Liberty City. Esse sentimento de anarquia pura é algo que se perdeu no caminho da monetização agressiva, e é por isso que olhar para esse período é como revisitar uma era onde a Rockstar Games priorizava a bagunça em vez de microtransações.

Para quem quer a experiência definitiva, a versão de PC sempre foi o caminho, e isso não mudou. Naquela época, o hardware mais potente permitia que a cidade fosse processada melhor e, o mais importante, expandia o limite de jogadores de 16 nos consoles para impressionantes 32 players. Imagina a confusão de ter trinta e duas pessoas tentando dominar a cidade ao mesmo tempo sem as travas e as regras rígidas que vemos hoje em dia.

O contraste de tom é a coisa mais engraçada aqui. No singleplayer, GTA 4 é quase um drama policial, com o Niko Belic lidando com traumas e a dura realidade do sonho americano, tudo com aquele clima pesado e sério. Mas basta entrar no multiplayer para que toda essa sobriedade vá para o ralo. Quando você coloca amigos na jogada, a estupidez humana assume o controle e o jogo se transforma em um parque de diversões do caos, onde a única regra é ver quem consegue criar a situação mais absurda.

Um dos momentos mais emblemáticos era quando alguém decidia que a próxima corrida seria com caminhões, e do nada você se via em um grid com 32 veículos, sendo que uns 25 eram caminhões de bombeiro. O resultado era um massacre glorioso, com explosões para todo lado e veículos voando por Liberty City de formas que desafiavam qualquer lei da física. Era aquele tipo de experiência que você não encontra em jogos modernos, onde tudo é milimetricamente calculado para ser competitivo ou lucrativo.

Se a gente analisar friamente, o multiplayer de GTA 4 era o ancestral necessário para o que temos hoje, mas ele não tinha a obsessão por transformar o jogador em um CEO de empresa de armas. Era sobre usar um lança-foguetes com o timing perfeito para mandar um carro para a estratosfera. Essa simplicidade era o que tornava tudo especial; você não estava tentando subir de nível ou desbloquear uma skin rara, você estava apenas tentando sobreviver ao massacre de 32 jogadores.

Infelizmente, a Rockstar Games desligou os servidores oficiais em 2020, o que foi um golpe duro para quem ainda curtia essa nostalgia. Mas, como toda comunidade gamer apaixonada, a galera não aceitou o fim. Graças a projetos como o GTA Connected, ainda é possível entrar nesse mundo e experimentar esse caos, provando que a vontade de causar destruição em massa em Notícias de mundo aberto nunca morre, independentemente da idade do jogo.
No fim das contas, Grand Theft Auto IV provou que o sandbox aberto atinge seu ápice quando você remove as amarras e deixa os jogadores serem o agente do caos. Espero que a Rockstar Games lembre disso ao desenvolver o próximo capítulo da franquia e não entregue apenas um simulador de cassino com missões de entrega. A gente quer a bagunça, quer o imprevisto e, acima de tudo, quer aquele caos glorioso que só o multiplayer raiz conseguia proporcionar.
Meu veredito é que, se você nunca jogou o multiplayer de GTA 4 via mods ou servidores comunitários, você está perdendo uma das experiências mais libertárias da história dos jogos de ação. É a prova viva de que menos estrutura e mais liberdade resultam em memórias muito mais marcantes do que qualquer passe de batalha ou item cosmético caro da Steam.



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