Olha, tem coisa que a gente vê na indústria do entretenimento que beira o absurdo, mas o que a Warner Bros. fez com o filme da Batgirl é, sem dúvida, um dos maiores crimes contra a cultura pop dos últimos anos. Imagina você ser um ator do calibre do JK Simmons, dedicar tempo, energia e talento para construir um personagem, gravar o filme inteiro, ver a obra praticamente pronta e, do nada, a empresa decide que é mais lucrativo deletar o arquivo do servidor para ganhar um desconto no imposto. É de cair o queixo!
Essa história toda veio à tona agora que o JK Simmons resolveu abrir o jogo no podcast Happy, Sad, Confused. O cara não escondeu que ficou bem chateado com a decisão da Warner Bros. de jogar o projeto no lixo. A gente sabe que a gestão da DC nos cinemas tem sido uma bagunça generalizada nos últimos anos, mas transformar um filme finalizado em um "tax write-off" (aquela manobra contábil para abater impostos) é um nível de frieza que deixa qualquer fã indignado.

Para quem não está por dentro da confusão, o JK Simmons estava no papel do Comissário Gordon. O curioso é que a trajetória dele no universo da DC foi um verdadeiro labirinto. Ele foi escalado originalmente pelo Zack Snyder para Justice League, onde teve aquela participação curta, e a ideia era que ele continuasse como o Gordon no filme solo do Batman que o Ben Affleck deveria ter dirigido. Só que, como a gente bem sabe, aquele projeto flopou antes mesmo de sair do papel, e o plano mudou completamente.

Foi aí que ele entrou em Batgirl. E olha, o hype era real! O filme contaria com a volta do lendário Michael Keaton como o Batman, unindo a nostalgia dos anos 90 com uma nova pegada. O elenco estava fechado, as câmeras rodaram e o filme foi largamente completado. Mas aí veio a canetada da diretoria da Warner Bros., que decidiu que o filme não se encaixava na nova visão da empresa e, em vez de lançar no streaming ou no cinema, preferiram simplesmente aniquilar a obra.

O mais revoltante de tudo, segundo o próprio JK Simmons, é que nem ele, que estava no elenco, conseguiu ver o resultado final. É bizarro pensar que existe um filme completo, com Michael Keaton e JK Simmons, guardado em algum cofre digital, enquanto nós, espectadores, ficamos apenas com a curiosidade. Isso não é apenas uma decisão financeira, é um desrespeito total com o trabalho dos artistas e com a expectativa dos fãs que queriam ver a Barbara Gordon brilhando nas telas.

Se você acha que isso é novo, a verdade é que a DC tem um histórico problemático de projetos que nunca chegam ao público. A gente lembra do caos de Superman II, onde o diretor Richard Donner foi trocado no meio do caminho por Richard Lester, mudando totalmente o tom do filme e até removendo cenas do Marlon Brando por causa de brigas judiciais por royalties. Só anos depois tivemos o The Richard Donner Cut, tentando resgatar a visão original, mas a sensação de "o que poderia ter sido" sempre permanece.
E não para por aí. Teve aquele roteiro do Batman escrito por Tom Mankiewicz lá nos anos 80, baseado em Batman: Strange Apparitions, que circulou pela internet por anos mas nunca virou filme. A Warner Bros. parece ter um talento especial para criar expectativas gigantescas e depois dar um nerf brutal nos projetos, seja por brigas de ego ou por decisões corporativas que ignoram completamente a qualidade artística.

Na real, essa situação de Batgirl é o reflexo de uma empresa que não sabia o que queria com seus heróis. Eles tentaram copiar a fórmula da Marvel, erraram a mão, entraram em pânico e resolveram resetar tudo várias vezes. O problema é que, nesse processo de "limpeza", eles jogaram fora obras que poderiam ter sido excelentes. É inadmissível que um filme pronto seja deletado apenas por questões fiscais.
No fim das contas, ficamos com a palavra de JK Simmons, que resume bem o sentimento: eles se divertiram fazendo o filme, mas o público nunca terá esse privilégio. É triste ver o cinema ser tratado apenas como uma planilha de Excel, onde o valor de um crédito de imposto é maior do que o valor de uma história bem contada. Espero que, algum dia, a Warner Bros. recupere a sanidade e libere esse material, nem que seja como um arquivo histórico.
O que fica de lição é que, enquanto a gestão for baseada em pânico e planilhas, a DC vai continuar patinando. A gente quer ver heróis, quer ver boas histórias e quer ver o respeito pelo trabalho de quem está no set. Deletar um filme pronto é, no mínimo, uma covardia com quem acreditou no projeto. Agora resta a gente torcer para que o novo universo do James Gunn não herde esse hábito terrível de descartar tudo o que não for perfeito no primeiro rascunho.


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