Cara, é cada coisa que a gente vê nesse mercado de streaming que chega a dar raiva. Sabe aquela sensação de que você finalmente tem tudo organizado num lugar só, mas aí vem um executivo de terno e decide que aquilo não é mais lucrativo? Pois é, a Warner Bros. Discovery acabou de cometer um pecado imperdoável ao remover Samurai Jack do catálogo do HBO Max. Não estamos falando de qualquer série qualquer que você deixa rodando no fundo enquanto lava a louça; estamos falando de um marco da animação mundial.
Tem série que a gente assiste no modo automático, tipo um Futurama que você já viu mil vezes e não faz falta se perder um piadinha visual. Mas Samurai Jack é diferente. Ele exige que você largue o celular, foque na tela e mergulhe na experiência. É uma obra que pede atenção total, e agora, graças à gestão questionável da Warner Bros. Discovery, ficou muito mais difícil para a nova geração de espectadores ter acesso a esse tesouro.

Para quem não lembra ou é novo por aqui, a série estreou em agosto de 2001 no Cartoon Network. Ela foi criada pelo gênio Genndy Tartakovsky, o cara que já tinha colocado a cabeça de todo mundo para explodir com The Powerpuff Girls, Two Stupid Dogs e o icônico Dexter's Laboratory. Mas enquanto as outras obras eram comédias focadas em crianças, Samurai Jack chegou com uma pegada de ação high-concept, mirado num público um pouco mais velho e com uma ambição artística surreal.

A história é simples, mas visceral: no Japão antigo, uma entidade demoníaca chamada Aku tomou o poder. O filho do imperador, treinado para ser o samurai definitivo e armado com uma espada mágica, tenta enfrentar o vilão, mas acaba sendo arremessado para um futuro distópico onde Aku governa absolutamente tudo. Agora, o nosso protagonista, apelidado de Jack, precisa sobreviver a inimigos bizarros e encontrar um jeito de voltar no tempo para desfazer aquela bagunça toda.

O que realmente faz a série ser um hype eterno é a escolha visual. O Genndy Tartakovsky teve a audácia de eliminar quase todas as linhas pretas de contorno dos personagens. Imagina só: personagens com cores planas e formas geométricas simples jogados sobre fundos detalhados e quase pictóricos. O resultado é um visual impactante que não se parece com nada que passava na TV na época, transformando cada frame em uma pintura moderna.

E não para por aí. O storytelling de Samurai Jack é minimalista ao extremo. O Jack mal fala; em muitos episódios, o silêncio é a ferramenta principal. A narrativa é conduzida pela ação, desde lutas coreografadas perfeitamente até longas caminhadas contemplativas por cenários alienígenas. Se você não prestar atenção, vai achar que são só 22 minutos de barulho de espada, mas quem olha com carinho percebe a profundidade emocional de cada gesto.

O arco da série também é uma montanha-russa. Depois de quatro temporadas sem quase nenhum progresso real contra o Aku, a série foi cancelada, deixando a gente no vácuo por 13 longos anos. Só em 2017, a obra foi revivida para a Season 5 no Adult Swim, para que o criador pudesse dar um final digno à saga. A Season 5 não começou de onde a anterior parou; ela saltou anos no tempo, nos apresentando um Jack quebrado, sem esperança e que até perdeu a conexão com sua espada.
Ver a redenção do Jack nessa reta final foi um dos momentos mais satisfatórios da história da animação. O fato de a conclusão ter sido moldada pela espera real de mais de uma década deu um peso dramático que poucas séries conseguem alcançar. É por isso que é tão revoltante ver a série sumindo de um streaming. A Warner Bros. Discovery é a dona da propriedade, mas parece que eles estão numa vibe de deletar tudo que não gera lucro imediato, tratando animação como se fosse um conteúdo descartável.
Isso faz parte de um movimento maior do David Zaslav na Warner Bros. Discovery, onde projetos inteiros são cancelados ou removidos para abater impostos. É a definição de quando o corporativismo flopou a arte. Tirar Samurai Jack do ar é basicamente dizer que a qualidade artística não importa tanto quanto a planilha de custos do trimestre. É triste pensar que obras primas podem simplesmente evaporar do acesso público porque alguém decidiu que a animação do Cartoon Network não é prioridade.
O meu veredito é que isso é um desastre completo. Esperamos que a série apareça em outro serviço logo, mas a tendência atual é assustadora. Se continuarmos aceitando que as empresas tenham controle total sobre o que podemos ou não assistir sem nenhuma alternativa de preservação, vamos perder pedaços importantes da cultura pop. A arte merece respeito, e Samurai Jack é a prova viva de que animação pode ser alta cultura.



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